Eleição da Fifa tem protestos e invasão da pró-Palestina

29/05/2015 at 16:55 (*Liberdade e Diversidade, Hermano de Melo) (, , , , , )

fifafifa 2fifa3(1) Protestos em Zurique ironizaram e pediram saída de Blatter (Foto: Michael Buholzer / AFP)

(2) Manifestantes pró-Palestina fizeram barulho em Zurique (Foto: Ennio Leanza / EFE)

(3) Eleição da Fifa teve protesto de manifestantes pró-Palestina em Zurique (Foto: Michael Buholzer / AFP)

29 MAI 2015

Fabrice Coffrini / AFP / Terra

Agência EFE

Em meio a escândalo de corrupção , o 65º Congresso da Fifa teve início nesta sexta-feira com manifestações do lado de fora do teatro em que o evento é realizado, em Zurique, na Suíça. Os atos foram contra as condições de trabalho nas obras para a Copa do Mundo no Catar e também em prol dos palestinos, que pediam a suspensão da seleção de Israel.

Uma simpatizante da Palestina chegou a invadir o local em que o Congresso é realizado, dizendo que a Fifa merece receber o cartão vermelho. O presidente da entidade, Joseph Blatter, que concorre à reeleição nesta reunião, pediu para que os seguranças a retirassem.

A Associação de Futebol Palestina pedia uma votação sobre a suspensão da Associação de Futebol de Israel. O motivo? Israel não quer tirar de sua liga as cinco equipes das colônias judias nos territórios palestinos ocupados.

A federação da Palestina, contudo, retirou o pedido de suspensão algumas horas depois. Isto porque o Congresso da Fifa aprovou, em votação, a criação de um mecanismo que garantirá que Israel não colocará obstáculos ao futebol palestino e que analisará a participação de equipes de colônias judaicas no futebol do país.

FA Presidents of Israel and Palestine shake hands @ #FIFACongresspic.twitter.com/4RO17gKPr1

— FIFA Media (@fifamedia) 29 maio 2015

Do lado de fora, o evento continuou sendo alvo de contestação, inclusive com faixas de pessoas que se agruparam em frente ao local. No ano passado, antes da Copa do Mundo, o Congresso da Fifa em São Paulo também teve manifestação pró-Palestina em frente ao evento.

Já a manifestação deste ano tem como alvo também as condições dos trabalhadores no Catar, onde será realizado o Mundial de 2022. Os protestos acontecem em um momento de tensão para a Fifa, que se vê envolta a um escândalo de corrupção, inclusive com sete dirigentes detidos na Suíça, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin.

Discurso de Blatter

O presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, pediu nesta sexta-feira que as associações nacionais de futebol “cerrem fileiras” nestes tempos difíceis vividos pela organização devido aos escândalos de corrupção envolvendo membros da cúpula da entidade, como ex-presidente da CBF José Maria Marin.

“Os eventos dessa semana causaram uma tempestade. Há uma sombra sobre o futebol e sobre esse Congresso por causa dos eventos que ocorreram. Não podemos deixar que a reputação da Fifa seja jogada na lama. Eu falei sobre mudanças, devemos cerrar fileiras e seguir em frente”, disse Blatter aos delegados durante a apresentação do relatório de seu mandato, que termina hoje.

during the 65th FIFA Congress at the Hallenstadion on May 29, 2015 in Zurich, Switzerland.

Blatter during the 65th FIFA Congress at the Hallenstadion on May 29, 2015 in Zurich, Switzerland.

Joseph Blatter discursa durante o 65º Congresso da Fifa (Foto: Mike Hewitt / Getty Images)

Blatter se referiu diretamente aos casos de corrupção que afetam a Fifa, revelados dois dias antes do Congresso anual, e explicou que modificou seu relatório para levar em conta estes últimos acontecimentos, aos quais, indiretamente, dedicou praticamente todo seu discurso.

Sobre essa questão, o dirigente reiterou o que já havia dito anteriormente: “Aceito que o presidente da Fifa é o responsável de tudo. Quero compartilhar esta responsabilidade com vocês ou, pelo menos, com o Comitê Executivo, mas não podemos controlar permanentemente todos os que estão no futebol. Os culpados são indivíduos e não o conjunto da organização”, enfatizou.

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Propinoduto do metrô de São Paulo

24/08/2013 at 10:56 (*Liberdade e Diversidade) (, , , , , )

Metrô de São Paulo - Propinoduto

Leumi  Private Bank – Genebra, Suiça: Dinheiro para tucanos saiu da “conta Marília” 

A Conta Secreta do Propinoduto

24/08/2013

Documentos vindos da Suíça revelam que conta conhecida como “Marília”, aberta no Multi Commercial Bank, em Genebra, movimentou somas milionárias para subornar homens públicos e conseguir vantagens para as empresas Siemens e Alstom nos governos do PSDB.

Claudio Dantas Sequeira e Pedro Marcondes de Moura / Revista Isto É

Na edição da semana passada, ISTOÉ revelou quem eram as autoridades e os servidores públicos que participaram do esquema de cartel do Metrô em São Paulo, distribuíram a propina e desviaram recursos para campanhas tucanas, como operavam e quais eram suas relações com os políticos do PSDB paulista.

A CONTA DA PROPINA

Agora, com base numa pilha de documentos que o Ministério da Justiça recebeu das autoridades suíças com informações financeiras e quebras de sigilo bancário, já é possível saber detalhes do que os investigadores avaliam ser uma das principais contas usadas para abastecer o propinoduto tucano.

De acordo com a documentação obtida com exclusividade por ISTOÉ, a até agora desconhecida “conta Marília”, aberta no Multi Commercial Bank, hoje Leumi Private Bank AG, sob o número 18.626, movimentou apenas entre 1998 e 2002 mais de 20 milhões de euros, o equivalente a R$ 64 milhões. O dinheiro é originário de um complexo circuito financeiro que envolve offshores, gestores de investimento e lobistas.

Uma análise preliminar da movimentação da “conta Marília” indica que Alstom e Siemens partilharam do mesmo esquema de suborno para conseguir contratos bilionários com sucessivos governos tucanos em São Paulo. Segundo fontes do Ministério Público, entre os beneficiários do dinheiro da conta secreta está Robson Marinho, o conselheiro do Tribunal de Contas que foi homem da estrita confiança e coordenador de campanha do ex-governador tucano Mário Covas. Da “Marília” também saíram recursos para contas das empresas de Arthur Teixeira e José Geraldo Villas Boas, lobistas que serviam de intermediários para a propina paga aos tucanos pelas multinacionais francesa e alemã.

*Ver mais detalhes sobre “Operação Metrô” em São Paulo na Revista Isto É desta semana.

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Charge do Frank – A Notícia (SC)

15/08/2013 at 18:11 (*Liberdade e Diversidade) (, , , , , , , , )

Charge do Frank - A Notícia (SC)

*Charge de Frank no jornal “A Notícia” de SC de ontem (14/08/2013).

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Transparência cidadã

10/08/2012 at 16:25 (Hermano de Melo) (, , , , , , )

  Hermano de Melo*

Dias atrás, neste espaço, o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ricardo Pessoa de Mello Belli, teceu considerações sobre a Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/11), posicionando-se contra a divulgação de holerites de servidores públicos e a indicação nominativa dos destinatários dessas verbas remuneratórias, em artigo intitulado “Aberração Jurídica” (Correio do Estado, 02/08/2012). Coincidência ou não, o texto – similar a uma peça de defesa – foi publicado alguns dias após o jornal mostrar que alguns desembargadores e juízes do TRT-MS ganham até R$ 409 mil por mês. (Edivaldo Bitencourt/Celso Bejarano, Correio do Estado, 25/07/2012).   

Texto do desembargador Ricardo Belli

Segundo o magistrado, a medida não tem amparo legal, porque “não é citada na lei de cujo texto o decreto deriva, e este não pode ir além da lei” (Dec. 7.724/12); além disso, seria contrária à norma constitucional dos direitos individuais, ao estabelecer serem “invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas” (CF, art.5º, X). E justifica: “Nenhum indivíduo, seja trabalhando no setor público, seja no privado, se sentiria confortável e seguro sabendo que sua remuneração está exposta ao conhecimento geral: o profissional humilde se consideraria ainda mais diminuído no meio social; o mais qualificado e bem remunerado se julgaria e, com razão, alvo da cobiça, da inveja, da curiosidade alheia, sem falar no interesse que os respectivos ganhos certamente provocariam no meio da delinqüência”. E completa: “Longe estamos, todos nós, da perfeição moral, nem vivemos numa Suíça”. 

 As preocupações do desembargador Ricardo Belli procedem e requerem medidas para aperfeiçoamento da Lei de Acesso à Informação. Entretanto, como diz o economista e jornalista Gil Castelo Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas: “No Brasil, a divulgação dos salários sempre foi um tabu. Mas essas informações não são sigilosas: não é segredo de Estado, nem de Justiça, nem informação pessoal”. Para Mariana Pimentel Fischer Pacheco, coordenadora do núcleo de estudos fiscais da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas-SP, apesar dos problemas na aplicação da lei, a nova legislação será efetiva: “É cedo para dizer, mas parece que há comprometimento para mudar uma cultura de administração pública herdada da ditadura militar, de se fazer ‘caixas pretas’, de não permitir transparência. Quanto maior o acesso e a participação da sociedade, mais eficiente torna-se a administração pública”. E o ministro do STF, Ayres Britto, se posicionou favorável à divulgação dos salários, mas pretende criar comissão com integrantes da cúpula do Judiciário para redigir regulamentação única que deve ser seguida em todo o país.

 Embora se esteja longe da perfeição moral e não se viva na Suíça, a publicação nominal de holerites dos servidores públicos da União, Estados, e Municípios, será um importante instrumento de controle público e transparência cidadã no Brasil. Que o diga a divulgação da aberrante remuneração de desembargadores e juízes do TRT-MS.

* Jornalista e escritor

** Artigo publicado no jornal Correio do Estado, em 10/08/2012.

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