A agonia do ‘Velho Trem’ (Leitura da tarde 1)

14/05/2015 at 16:13 (*Liberdade e Diversidade)

trem do pantanalO Trem do Pantanal

14/05/2015

O Estado MS / Editorial

Partiu do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso a preocupante notícia de que cerca de 100 trabalhadores – ou 20% da atual força de trabalho no Estado da ‘Rumo ALL’, concessionária do trecho ferroviário estadual – foram dispensados ou transferidos para outras unidades de produção, com a expectativa de que novos desligamentos ou realocações ocorrerão nos próximos dias.

Acompanhando o comunicado está denúncia de que nesta quarta-feira partiu de Corumbá a última composição ferroviária rumo a Bauru, ponto final da linha histórica. No dia 22, a locomotiva deve retornar ao ponto de partida. Procurada, ontem, a Rumo ALL não se manifestou até o fechamento desta edição.

Mato Grosso do Sul não nasceu, necessariamente, dos trilhos e dormentes que cortaram a região de Três Lagoas a Corumbá. Mas, sem dúvida, o impulso populacional e certo desenvolvimento só foram possíveis graças à linha férrea que atravessara também Água Clara, Ribas do Rio Pardo, Campo Grande, Aquidauana e Miranda – e que, graças a um ramal já desativado há anos, também singrou o Estado da Capital até Ponta Porã, beirando Dourados.

Os românticos lembram-se do “Trem do Pantanal” de Paulo Simões, eternizado na voz de Almir Sater. Os moradores mais antigos rememoram do fervor nas estações ferroviárias ou das viagens pelo território. Já o empresariado lamenta profundamente a oportunidade jogada fora de garantir frete mais barato e acessos já construídos para a chegada e saída de mercadorias que, hoje, têm seus preços “contaminados” pelo frete rodoviário.

A privatização do nosso sistema ferroviário é vista hoje como uma das maiores tragédias empresariais da história recente do Brasil. O governo federal passou adiante estruturas na esperança que o setor privado desse conta de uma manutenção que a União, definitivamente, penava para conseguir executar. Contudo, a Noroeste do Brasil, depois RFFSA (Rede Ferroviária Federal), foi sucedida por grupos privados que pouco –ou nada– conseguiram fazer para recuperar a hoje agonizante malha ferroviária.

O curioso é que, mundo afora, o uso das ferrovias é cada vez mais incentivado, até mesmo para o transporte de pessoas (como os trens-balas, sonhos de consumo cada vez mais distantes do Brasil), por baratear custos em médio e longo prazo. O país não perdeu uma ferrovia. Deixou passar uma oportunidade.

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*Comentário do blog: Esta é mais uma prova de que nem sempre a privatização dá certo. Nós todos perdemos com isso.

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