NEOCOLONIALISMO OU IMPERIALISMO (O PRELÚDIO REPUBLICANO, ASTÚCIAS DA ORDEM E ILUSÕES DO PROGRESSO) (Leitura de fim de noite)

12/05/2015 at 22:03 (*Liberdade e Diversidade)

neocolonialismo-geral2-1-638

Carlos Frederico Corrêa da Costa*

12/05/2015

Uma característica marcante da Revolução Científico-Tecnológica é o impulso extraordinário que ela deu para a consolidação da unidade global do mercado capitalista. Nesse sentido, se a primeira industrialização dera origem a unidades produtivas relativamente modestas, as fábricas, pelo elementar de suas máquinas e o limitado número de trabalhadores, esse novo salto produtivo gerou gigantescos complexos industriais, com equipamentos sofisticados e de grande escala, como as turbinas elétricas ou as usinas siderúrgicas, envolvendo em cada unidade até dezenas de milhares de trabalhadores.

Essa prodigiosa escalada da produção obviamente tanto implicava uma corrida voraz pela disputa das matérias-primas disponíveis em todas as partes do mundo, como também exigia a abertura de um amplo universo de novos mercados de consumo para absorver seus excedentes maciços.

Foi essa ampliação na escala das demandas e das exportações que gerou o fenômeno conhecido como neocolonialismo ou imperialismo, que levou as potências industriais, na segunda metade do século XIX, a disputar e dividir entre si as áreas ainda não colonizadas do globo ou a estabelecer vínculos de dependência estreitos com áreas de passado colonial.

O resultado dessa nova expansão europeia foi um avanço acelerado sobre as sociedades tradicionais, de economia agrícola, que se viram dragadas rapidamente pelos ritmos mais dinâmicos da industrialização europeia, norte-americana e, em breve, japonesa.

Não bastava às potências incorporar essas novas áreas às suas possessões territoriais, era necessário transformar o modo de vida das sociedades tradicionais, de modo a instilar-lhes os hábitos e práticas de produção e consumo conformes ao novo padrão da economia de base científico-tecnológica.

Foram essas tentativas de mudar as sociedades, suas culturas e costumes seculares, que desestabilizaram suas estruturas arcaicas, desencadeando uma série de revoltas, levantes e guerras regionais contra o invasor europeu e seus aliados locais, entre a metade do século XIX e o início do século XX.

Essas insurreições se multiplicaram por toda parte, sendo via de regra abafadas por meio de massacres generalizados, garantidos pela imbatível superioridade técnica dos armamentos europeus, com grande destaque para as novas armas de repetição, a artilharia e obuses, explosivos químicos e armas incendiárias.

Foi uma sequência contínua, com o Levante Indiano de 185 7-8, a Rebelião Tai-Ping na China de 1850-66, a Guerra Civil Americana de 1861-5 a Restauração Meiji no Japão de 1868, o Levante Argelino de 1871, a Reforma Religiosa de Al Afegane no Afeganistão de 1871-9, o Movimento Nacional Egípcio de 1879-82, entre vários outros.

Na América Latina esse processo se concentrou na luta pelo controle do eixo econômico e territorial estratégico representado pelo Rio da Prata e sua rede hidrográfica. A Inglaterra se aliou com o Império brasileiro e com as elites liberais dos países platinos, contra a resistência de líderes tradicionalistas do Uruguai (1851, 18 64-5), da Argentina (185 2 e do Paraguai (18 6 5 -70)).

A escala e o custo extraordinários dos confrontos bélicos do Prata, em especial a catas trófica Guerra do Paraguai, forçaram um endividamento galopante que desestabilizou as bases do Império brasileiro.

Foi no contexto desse processo de desestabilização institucional que fundou o partido Republicano (1870), propondo a abolição da monarquia, e entrou em cena      uma nova elite4 de jovens intelectuais, artistas, políticos e militares, a chamada “geração 70”, comprometida com uma plataforma de modernização e atualização das estruturas “ossificadas” do Império baseando-se nas diretrizes científicas e técnicas emanadas da Europa e dos Estados Unidos.

As bases de inspiração dessas novas elites eram as correntes cientificistas, o darwinismo social do inglês Spencer, o monismo alemão e o positivismo francês de Auguste Comte.

Referência Bibliográfica

COSTA, Carlos Frederico Corrêa da (pela transcrição e adaptação) de: SEVCENKO, Nicolau. Introdução. O prelúdio republicano…  In: NOVAIS, Fernando A. (org.), História da vida privada no Brasil 3. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 11-14.

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*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social pela USP-SP, historiador de empresas, famílias e biografias. Professor aposentado da Graduação, Pós-Graduação e Pesquisador do Departamento de História, campus de Aquidauana/UFMS.

E-mail: cfccosta@terra.com.br

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