O tal “panelaço” tem cara, grife, cor e endereço, nobre, diga-se de passagem** (Crônica do meio-dia)

09/05/2015 at 13:10 (*Liberdade e Diversidade)

 

panelaço cartaPanelaço durante discurso de Dilma Rousseff

06/05/2015

monica-franciscoMonica Francisco *

Jornal do Brasil

O tal “panelaço”, importado da Argentina, de que grande mídia se ocupou de ampliar o eco, não tão robusto, tem cara, grife, cor e endereço, nobre, diga-se de passagem.

Não, a grande maioria da população não é burra, ou desconectada da realidade. Pelo contrário. Por viver a realidade é que às oito da noite, tendo o que comer, diferentemente de alguns outros momentos que vivemos, sabe exatamente o que de fato amedronta a elite e a histórica classe média brasileira.

O povo do Brasil real, sabe o que causa espécie aos descendentes de imigrantes, privilegiados pela aristocracia e a elite política no início do século XX, com a intenção de “embranquecer” e mudar a “cara” mestiça do país e apagar os negros da sociedade que sustentaram à custa de sangue.

O que os apavora é a perda dos privilégios e da manutenção de serviçais a módicos salários e jornadas desonrosas, como talvez seja a da empregada uniformizada, que mostrou um jornal de grande circulação aqui no Rio, batendo panela ao lado da madame de Higienópolis (SP) (aquela que não gosta muito de metrô por perto e de gente “diferenciada”).

O que farão se agora precisam pagar direitos trabalhistas e respeitar cargas horárias?

É apavorante estar ao lado de ex-empregados (as) em um avião, é mais apavorante ainda não poder pegá-lo com a frequência desejada e esbaldar-se na Dolphin Mall ou na Dowtown Miami.

O que fazer, como imaginar diminuir as visitas ao Bal Harbour Shops, e ter o pesadelo de não continuar abastecendo os closets com marcas como Gucci, Prada, Chanel, Bottega Veneta, Jimmy Choo, Bulgari, além de ficar um bom tempo longe lojinha do da Saint Laurent?

Mas o que mais me chama a atenção é a falta de criatividade desse povo da cobertura, de importar manifestação da Argentina. Como está na moda dizer por aí, que sofrência!

“A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO, NÃO à REDUÇÃO da MAIORIDADE PENAL e à REMOÇÃO!”

*Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco).

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