Manipulações do Facebook: cai mais uma mentira (Leitura de fim de noite)

08/05/2015 at 21:55 (*Liberdade e Diversidade)

150508-Facebook8/05/2015

by Antonio Martins

Pesquisadores desmentem alegações da rede de Zuckerberg e comprovam: ela esconde, dos usuários, opiniões que poderiam levá-los a pensar diversamente

Por Rafael Evangelista

MAIS:

Internet: a sombra de um grande retrocesso

Rede está ameaçada por novos monopólios. Facebook manipula fluxo de informações e experimenta influir no estado emocional das populações. Há saída?

Na última quinta, dia 7, pesquisadores do Facebook publicaram um artigo na revista Science analisando os efeitos de seu polêmico algoritmo de seleção, aquele pedaço de código que roda nas redes sociais e seleciona os amigos cujas publicações você vê ou não, quais aparecem primeiro e mais frequentemente e quais vão lá pra baixo da tela. Outros pesquisadores rapidamente apelidaram o artigo de “não é minha culpa”, dado o viés complicado na análise dos dados coletados. A conclusão principal do estudo é, basicamente, que a razão de vermos na nossa linha do tempo textos cuja tendência política é mais parecida com a nossa deriva de seleções feitas por nós mesmos.  Quanto mais diversos ideologicamente os nossos amigos, mais conteúdo diverso receberíamos. O Facebook só apimentaria um pouco isso, fazendo uma retirada, em tese mínima, do que é diverso. Entre 5 a 10% do que não se alinha à visão política do usuário é omitido pelo sistema.

Os portais e jornais brasileiros rapidamente repetiram a fala oficial, provavelmente seguindo algum release.

Mas, como mostra, Zeynep Tufecki, socióloga ligada ao Berkman Center, de Harvard, o estudo tem coisas bem mais interessantes escondidas. Coisas inclusive que complicam bastante as conclusões contidas no artigo original. (Além de Tufeck muitos outros pesquisadores comentaram o artigo, o texto dela é um bom ponto de partida para outros links).

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Para o Dia das Mães, Mercadão é ‘templo gastronômico’ em Campo Grande, MS

08/05/2015 at 17:18 (*Liberdade e Diversidade) ()

mercadãoNo centro, centro comercial abriga temperos, doces e até lembrancinhas para as mães (Foto: Maressa Mendonça / Correio do Estado)

8 de Maio de 2015

MARESSA MENDONÇA /CORREIO DO ESTADO

As portas largas abrem para um mundo de possibilidades gastronômicas e o aroma dos temperos é inspiração para aqueles que querem agradar a mãe preparando almoço de domingo.  Assim é o Mercado Municipal de Campo Grande, onde o barulho dos carros que circulam no centro da cidade é abafado pelo grito dos feirantes que oferecem os produtos e pelos passos dos clientes que percorrem os corredores formados pelas barracas.

Quem entra pela Rua Sete de Setembro, encontra a peixaria onde trabalha Joselino Pinheiro. Ele é quem indica o pacu assado como opção para o dia das mães. “É só fazer um arroz e uma salada e o almoço  pronto”.  O peixe, temperado e recheado com farofa, sai da brasa direto para a mesa e vai acompanhado do pirão.

O valor pago pelo quilo é de R$ 32, 50. Geralmente, o pacu pesa entre 2kg e 2,5 kg, o suficiente para servir quatro pessoas. No início da tarde de quinta-feira (7), 40 pessoas já haviam encomendado o prato.

mercadão 2Peixaria do seu Joselino tem opções de pescado para o almoço das mães (Fotos: Maressa Mendonça / Correio do Estado)

Outra opção é o “kit paella”, uma seleção de frutos do mar, que custa R$ 17,50 e é outro atrativo em datas festivas. “Vai muito ingrediente, então as pessoas deixam para essas reuniões de família. É para no mínimo quatro pessoas”, explica Joselino.  Esse kit pode ser incrementado com cebola, alho, salsinha e deve ir ao forno juntamente com o arroz.

E os camarões também têm espaço na mesa de muitos campo-grandenses na comemoração do dia das mães. Joselino explica que “as pessoas compram para fazer bobó e strogonoff”. Neste caso, é só comprar alho, suco de limão, pimenta do reino, mandioca, cebola, folha de louro, azeite de oliva, leite de coco, e cheiro verde.

Esses e outros temperos podem ser encontrados na barraca de número 100, que é do João. As dicas dele são para aqueles que querem dar um gosto especial à carne do churrasco deste domingo. “Não adianta! Sul-Mato-Grossense tem mania de temperar a carne só com sal grosso”.

Mas o “Chimichurri”, muito utilizado na Argentina e no Uruguai promete dar outro sabor ao prato, com a mistura de pimenta moída, açafrão, mostarda em pó, coentro, orégano e outras ervas. “Faz até comida de sogra ficar boa!”, brinca João.

mercadão 3Barraca de temperos do João tem o chimichurri, dica para temperar o churrasco

Tem também a mistura para o vinagrete. É só acrescentar óleo de soja, vinagre ou shoyu, além de uma pedra de gelo e aguardar cinco minutos, que molho fica pronto para acompanhar o churrasco.

E por falar em acompanhamento, têm também as farofas, cujo ingrediente principal é encontrado na “banca da Anita”. São farinhas dos mais variados tipos, mas a preferida do público ainda é a cuiabana. A proprietária, que dá o nome ao quiosque, explica que é só fritar banana da terra e acrescentar o pó. “O ideal é a fina e crua, a torrada fica com gosto diferente”.

A farinha de biju de mandioca também é popular entre os clientes da Anita, que preparam o prato acrescentando bacon, ovo, e cheiro verde. “O primeiro passo é fritar a cebola na manteiga, depois os outros ingredientes”, explica.

mercadão 4Muitas variedades de farinhas são encontradas, a dica é a de biju de mandioca

Para os que gostam de inovar, o biju de mandioca flocado também agrada. Com essa farinha é possível fazer uma farofa fria. É só cortar presunto, queijo, cebola  e tomate em cubos e misturar.  “O tomate precisa ser descascado e sem semente”, ressalta Anita, explicando que a essa farofa pode ser temperada com azeite, sal, cheiro verde e pimenta.

Doce de leite, goiabada e rapadura são opções de sobremesa que podem ser encontradas nos quiosques laterais do Mercadão Municipal. E para aqueles que querem deixar o almoço ainda mais especial, existem flores, produtos de beleza e peças de artesanato à venda.

Serviço:  O Mercadão Municipal Antonio Valente fica na Travessa José Bacha, nº 61, entre a Sete de Setembro e a Anhanduí e funciona de segunda a sábado das 6h30  até ás 18h30 e aos domingos até às 12h.

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Michelle Bachelet pede a renúncia de todos os ministros de seu Governo

08/05/2015 at 15:20 (*Liberdade e Diversidade)

BacheletBachelet se reúne com parte do seu ministério. / REUTERS-LIVE! / EFE

Presidenta chilena informa que em 72 horas anunciará quem continua no Governo

Diante de crise, Chile fará profunda reforma contra a corrupção

7 MAY 2015

ROCÍO MONTES  / Santiago / El País

Numa tentativa de conter a crise do Governo e das instituições chilenas, quando sua popularidade está em 31% e a rejeição à sua gestão alcançou um recorde histórico de 64%, a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, tomou uma drástica decisão política: solicitou a renúncia a todo seu gabinete e concedeu a si mesma um prazo de 72 horas para anunciar a sua nova equipe ministerial. “Considerei necessário fazer uma avaliação de múltiplos elementos, desde uma avaliação de gestão até, também, qual será a equipe que acompanhará este novo ciclo”, afirmou a mandatária em uma entrevista ao Canal 13 de televisão, na noite de quarta-feira.

A decisão de Bachelet, exigida há semanas pelo mundo político, tem como pano de fundo os escândalos de financiamento político irregular investigados pelo Ministério Público, os quais desataram um cenário de crise transversal tanto no Executivo como no Congresso, nos partidos e em outras instituições democráticas. A demissão coletiva do gabinete, no entanto, parece ter como alvo especialmente o ministro do Interior, Rodrigo Peñailillo. Considerado seu afilhado político e homem-chave do segundo mandato de Bachelet, iniciado em março de 2014, a situação do engenheiro de 41 anos já era insustentável desde fevereiro, quando estourou o chamado Caso Caval, uma trama que envolve a nora e o filho mais velho de Bachelet, Sebastián Dávalos, e que derrubou a confiança popular na presidenta.

Quando a revista Qué Pasa revelou, em 5 de fevereiro, o milionário negócio imobiliário da empresa de Natalia Compagnon, nora de Bachelet, a presidenta estava de férias com sua família na sua casa de veraneio no sul do Chile, razão pela qual Peñailillo, em Santiago, ficou encarregado de gerir a crise. No círculo familiar da presidenta, responsabiliza-se o ministro do Interior por não ter dimensionado adequadamente a gravidade dos fatos, que levaram, uma semana depois, à renúncia do primogênito de um cargo que ocupava na assessoria presidencial e à sua morte política. Na entrevista de quarta-feira ao popular apresentador Mario Kreutzberger, mais conhecido como Don Francisco, Bachelet se referiu ao que ocorreu naquelas horas decisivas do caso Caval: “Telefonavam para mim e me contavam pedacinhos. Se não tivesse sido assim, eu teria voltado imediatamente a Santiago”.

A principal incógnita é quem substituirá Rodrigo Peñailillo, ministro do Interior, considerado  afilhado político e homem-chave do segundo mandato de Bachelet

Peñailillo representava até alguns meses atrás a nova geração do conglomerado de centro-esquerda Nova Maioria. Há algumas semanas, porém, precisou enfrentar sua própria crise. Em meados de abril, surgiu a revelação de que ele havia sido contratado pela empresa Asesorías y Negocios (AyN), fundada por Giorgio Martelli, arrecadador de fundos políticos que recebeu 245 milhões de pesos (1,2 milhão de reais) da mineradora Soquimich, pertencente a um ex-genro de Augusto Pinochet, por trabalhos que o Ministério Público suspeita que não tenham sido efetivamente realizados. Peñailillo garantiu ter entregado o seu relatório de consultoria, mas não chegou a mostrá-lo. No domingo passado, no entanto, o ministro pôs em andamento uma operação midiática destinada a comprovar a existência da consultoria, e, após várias intervenções erráticas, ele finalmente apresentou parte dos documentos ao jornal La Tercera. Mesmo assim, sua situação se complicou nas últimas horas: parágrafos desses relatórios, segundo revelou a imprensa local, eram quase idênticos a um publicado pela consultoria Eurobask em 2009.

Com os problemas do seu ministro do Interior, os dados negativos das últimas pesquisas de popularidade e o acúmulo de vários meses de escândalos políticos que incluem a sua família, Bachelet, ao anunciar a demissão do seu ministério, busca novamente assumir a iniciativa junto à opinião pública. Ela já havia buscado fazer isso na terça-feira da semana passada, quando anunciou uma profunda reforma contra a corrupção e um processo constituinte para redigir uma nova Carta Magna, em substituição àquela outorgada por Augusto Pinochet em 1980. O efeito, entretanto, durou apenas alguns dias, e novamente a situação se complicou por causa de Peñailillo, que nas últimas horas precisou enfrentar um forte questionamento público e uma pressão escancarada por sua saída.

Bachelet havia relutado a fazer a reforma ministerial. Adiou a decisão por semanas, sobretudo à espera das eleições internas dos partidos, como o Socialista, que finalmente terminaram com a eleição da Isabel Allende, filha do ex-presidente Salvador Allende, que triunfou com o compromisso de apoiar lealmente o Governo. Bachelet concedeu-se algumas horas para concluir a formação da nova equipe de colaboradores, que muito possivelmente contará com a presença de vários dos atuais ministros. A principal incógnita é quem substituirá Peñailillo no Interior, porque a presidenta, desde seu primeiro mandato (2006-2010), manteve uma relação complicada com os diferentes políticos que ocuparam esse cargo.

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Conservadores garantem maioria absoluta na Grã-Bretanha

08/05/2015 at 14:53 (*Liberdade e Diversidade)

 

david cameronPrimeiro-ministro David Cameron é reeleito na Grã-Bretanha (AP Photo/Kirsty Wigglesworth)

8/05/2015

BBC Brasil

O Partido Conservador ─ do atual primeiro-ministro David Cameron ─ se manteve como maior partido no Parlamento britânico, com previsão de obter 331 – 327 já confirmados – dos 650 assentos, o suficiente para uma maioria absoluta.

Em discurso após conquistar seu assento no Parlamento por Witney, Cameron disse ser “muito cedo” para comentar o resultado final, mas afirmou esperar formar um governo.

David Cameron reeleito

Cameron discursa após vencer seu assento no Parlamento: ele deverá manter-se como primeiro-ministro (© Copyright British Broadcasting Corporation 2015)

Segundo ele, sua intenção é seguir com o plano de realizar um plebiscito sobre a permanência da Grã-Bretanha na União Europeia, uma das questões debatidas durante a campanha eleitoral, e finalizar a implantação do plano econômico dos Conservadores.

“Meu objetivo continua simples – governar para todos no nosso Reino Unido. Quero unir nosso país”, disse ele.

Cameron retornou para Downing Street com sua esposa Samantha e agora está em reunião com a Rainha no Palácio de Buckingham.

Derrotas

O Partido Trabalhista sofreu uma grande derrota na Escócia, ao perder para o Partido Nacionalista Escocês (SNP), e não conseguiu fazer avanços significativos na Inglaterra e no País de Gales.

Os Trabalhistas, de Ed Miliband, ficaram com 232 assentos. Miliband, que manteve seu assento por Doncaster, já ligou para Cameron para parabenizá-lo pela vitória. Em discurso para comentar o resultado, ele disse que a noite foi “claramente muito decepcionante e difícil para o Partido Trabalhista”.

“Não fizemos os ganhos que queríamos na Inglaterra e no País de Gales, e na Escócia, vimos uma onda de nacionalismo esmagar nosso partido”. Após a derrota, Miliband renunciou e disse que seu partido precisa “se reconstruir” com um novo líder.

“A Grã-Bretanha precisa de um Partido Trabalhista forte e que possa se reconstruir depois dessa derrota. Nós já voltamos antes e iremos voltar de novo.”

“Peço sinceras desculpas por eu não ter conseguido a vitória. Eu fiz o meu melhor nos últimos cinco anos”, afirmou.

O SNP conquistou 56 posições – das 59 reservadas aos escoceses no Parlamento. Em 2010, o grupo conseguiu apenas seis cadeiras.

O partido Liberal Democrata, que havia formado um governo de coalizão com os conservadores, também sofreu uma grande derrota, conquistando apenas oito assentos. Em 2010, havia obtido 57.

Nick Clegg, líder dos liberais democratas, manteve seu assento, mas renunciou à liderança do partido e disse que foi uma “noite cruel e de punição”.

Segundo ele, os resultados foram o “maior golpe” que os Liberais Democratas sofreram desde que o partido foi formado no fim dos anos 1980.

“Mas não podemos permitir que nossos valores do liberalismo sejam extintos da noite por dia. Nosso partido vai voltar e vai vencer novamente.”

O UKIP, de Nigel Farage – que também deixou a liderança do partido após a derrota -, ficou com uma cadeira no Parlamento.

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Miliband manteve seu assento no Parlamento, mas seu Partido Trabalhista sofreu grandes perdas na eleição (© Copyright British Broadcasting Corporation 2015)

As votações foram encerradas às 22h de Londres (18h do Brasil).

Após seis semanas de campanhas e debates, os 50 milhões de eleitores britânicos registrados foram às urnas em cerca de 50 mil zonas eleitorais.

Eles votaram para eleger os 650 membros do Parlamento britânico e para preencher nove mil cargos em 279 governos locais.

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Longa vida aos corruptos (Leitura do almoço)

08/05/2015 at 12:48 (*Liberdade e Diversidade)

logo

corrupção

Luciano Martins CostaPor Luciano Martins Costa em 08/05/2015

Ainda que timidamente, algumas vozes do Judiciário começam a manifestar uma preocupação com a recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 475/05, a chamada PEC da Bengala, que amplia de 70 para 75 anos o prazo para aposentadoria compulsória de integrantes de cargos efetivos no serviço público. Paralelamente, os jornais confirmam nota publicada na véspera pelo Globo, dando conta de que o presidente do Senado, Renan Calheiros, pretende submeter a nova sabatina os ministros do Supremo Tribunal Federal que quiserem se aposentar com mais de 70 anos.

A primeira reação foi do ministro Marco Aurélio Mello, integrante do STF desde 1990. Ele declarou que, depois de 26 anos de carreira jurídica, não se submeteria “ao risco de uma humilhação no campo político”. A Associação dos Magistrados Brasileiros também se mobilizou, por meio de seu presidente, para afirmar que a iniciativa do Congresso “é uma tentativa de controle do Judiciário” e o torna “refém de interesses político-partidários”.

Mas é interessante também registrar que o assunto provoca uma dissensão na compacta homogeneidade da mídia tradicional, que se caracteriza nos últimos anos pelo pensamento único. O Estado de S. Paulo condena, em editorial, a decisão do Parlamento, que chama de “intolerável pirraça” do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha. Já a Folha de S. Paulo, limitando-se a aspectos técnicos da questão, considera a medida sensata, levando-se em conta o aumento da longevidade dos brasileiros.

A imprensa levou dois dias para destrinchar o projeto, e só na sexta-feira (8/5) começa a se dar conta de seu impacto no imenso e complexo sistema do serviço público. Portanto, é de se esperar que as edições do fim de semana, que costumam trazer textos mais reflexivos do que a visão apressada do cotidiano, abordem com profundidade os efeitos dessa iniciativa do presidente da Câmara, que nove entre dez analistas consideram ter sido tomada em função de picuinhas políticas, como explicita o editorial do Estado.

Sem querer querendo, como diria o comediante da televisão, pode-se sugerir algumas questões aos pauteiros dos jornais. A primeira delas, lição básica dos juristas que também é útil para jornalistas: cui bono? – como diriam os romanos – ou, quem ganha com isso?

Uma pauta para domingo

Duas respostas já foram dadas neste espaço (ver aqui), com a observação de que o presidente do Senado é o primeiro beneficiado, com o poder que lhe cai às mãos pela possibilidade de submeter a nova sabatina os ministros que atualmente militam no Supremo Tribunal Federal. Outros que supostamente podem ser agradados são os próprios magistrados do STF, que, com mais cinco anos de carreira, ganham a chance de ocupar a presidência da Corte.

Mas é preciso estender a visão para a além da instituição visada inicialmente pelo presidente da Câmara ao colocar em votação, de surpresa, a PEC da Bengala. Olhando mais amplamente o universo dos servidores públicos, qual seria o perfil mais interessado em ter estendido o prazo de permanência em seu posto de trabalho – o funcionário exemplar, que cumpre zelosamente suas funções, ou o funcionário corrupto, que se beneficia do cargo para obter vantagens?

Imaginemos um daqueles juízes que, entre 2010 e 2012, se transformaram em personagens da crônica policial em consequência da ação da então corregedora Eliana Calmon. Aqueles que ela chamou de “bandidos de toga” e que escaparam da punição certamente se sentirão estimulados a prolongar suas carreiras, impedindo que seus postos sejam ocupados por magistrados mais jovens e ainda interessados em fazer justiça.

O mesmo se pode conjecturar em relação a muitos outros setores do serviço público, desde as diversas áreas de fiscalização no âmbito municipal até o topo de certas carreiras da administração federal.

Neste período em que o combate à corrupção mobiliza como nunca a polícia e o Ministério Público, a perspectiva de uma carreira mais extensa pode ser um incentivo àqueles que ingressam em áreas onde há facilidades para a concussão e outras malversações da atividade funcional.

Como se pode ver, não se trata apenas de “pirraça”, como diz o editorial do Estado de S. Paulo. Há, por trás da decisão do presidente da Câmara, uma atitude simbólica em favor da perpetuação de certos vícios que a sociedade quer ver extintos nas instituições públicas.

A imprensa vai se interessar em explorar essa perspectiva diferente da disputa política que paralisa Brasília?

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Dilma elogia deputada que sofreu violência na Câmara

08/05/2015 at 12:26 (*Liberdade e Diversidade)

dilmaDilma criticou a atitude do deputado Roberto Freire (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)

Deputada Jandira Feghali disse ter sido agredida fisicamente pelo deputado Roberto Freire

8 MAI 2015

Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff elogiou a atitude da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que foi ameaçada e disse ter sido vítima de violência durante votação no plenário da Câmara nessa quarta-feira (6). Por meio do Twitter, a presidente prestou solidariedade à deputada e disse que, ao expor suas ideias na noite de ontem, Jandira foi ameaçada.

No momento em que os parlamentares pediam intervenções para que discutissem a Medida Provisória 665, que aumenta o rigor para a concessão de benefícios como o seguro-desemprego, a deputada disse ter sido agredida fisicamente pelo deputado Roberto Freire (PPS-SP). Logo depois, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) disse, em referência a Jandira: “Quem bate como homem deve apanhar como homem”.

“A política fica menor – com p minúsculo – quando é praticada com base no sexismo e no machismo”, opinou Dilma. Mencionando o perfil da deputada no Twitter, ela disse: “você só engrandece a luta das mulheres na política brasileira. Avante, com força e fé”. E utilizou uma hashtag, sinal utilizado para classificar expressões na rede social, para dizer: “#JandiraMeRepresenta”.

Após o ocorrido, a deputada se manifestou, pelo Facebook, dizendo que irá acionar judicialmente Alberto Fraga pela “apologia inaceitável” à violência. “Esta medida já está sendo encaminhada. Minha trajetória é reta, ética e coerente dentro da política desde quando me tornei uma pessoa pública, na década de 80. Não baixarei a cabeça para nenhum machista violento que acha correto destilar seu ódio. A Justiça cuidará disto. E ela, sim, pesará sua mão”, escreveu a deputada.

Também posteriormente às discussões, Alberto Fraga disse que utilizou a expressão “apanhar no sentido político, no debate das ideias”. “Reafirmo uma postura que tem permeado minha vida pública e privada: não defendo e jamais defendi a violência contra a mulher ou contra qualquer pessoa”, explicou.

Roberto Freire, igualmente por meio do Facebook, disse que o contato físico ocorreu durante “ríspido embate verbal” e em meio ao seu pronunciamento. “A deputada Jandira Feghali tentou me impedir de continuar falando, colocando sua mão à frente do meu rosto. Segurei seu braço, para que meu direito de me expressar não fosse cerceado. Se o fiz com força acima do aceitável, pedi de imediato desculpas a ela, inclusive da Tribuna da Câmara”, disse.

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Aprovação da MP do ajuste fiscal foi vitória da sociedade, diz Levy

08/05/2015 at 11:49 (*Liberdade e Diversidade)

levy 2O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, considerou importante a aprovação da MP 665 porque resolve problemas do mercado de trabalho (Elza Fiuza/Agência Brasil)

07/05/2015

Brasília

Daniel Lima – Repórter da Agência Brasil Edição: José Romildo

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, considera uma vitória de toda a sociedade a aprovação na Câmara dos Deputados da Medida Provisória 665, que altera as regras de acesso ao seguro-desemprego, ao abono salarial e ao seguro-defeso.

Levy e o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, participaram da abertura do Seminário sobre Política Fiscal: 15 Anos da Lei de Responsabilidade Fiscal, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Os dois agradeceram ao Congresso a aprovação. Lembraram que a MP 665 faz parte do que consideram o “tripé” do ajuste fiscal.

“Acreditamos, sim, que foi uma vitória de toda a sociedade porque essa medida [MP 665] trabalha alguns pontos do próprio mercado de trabalho”, disse.

Segundo ele, a Medida Provisória 664, que restringe o acesso ao benefício da pensão por morte, também terá um efeito positivo sobre o equilíbrio fiscal. “Acho que as outras votações transcorrerão com tranquilidade, com aperfeiçoamento [a ser feito pelo] Congresso Nacional, quando for necessário, e vamos alcançar os objetivos para que nós possamos começar a agenda além do ajuste.”

Segundo ele, há outras medidas previstas, como ajuste para permitir novos investimentos, que estão sendo avaliadas pela presidenta Dilma. Levy lembrou que as novas medidas também são necessárias para o país voltar a crescer.

O ministro da Fazenda observou que o governo está fazendo um “tremendo esforço” em relação à adoção de controle dos gastos públicos. Ele acrescentou que o objetivo é procurar a eficiência dentro no âmbito da Lei de Responsabilidade Fiscal. “Responsabilidade fiscal é fundamental para a gente continuar a crescer e ter equilíbrio, [porque] dá essa segurança tanto para a população de modo geral [quanto] para os trabalhadores e os agentes econômicos.”

Para Levy, as votações de ontem (6), na Câmara dos Deputados, foram muito importantes e mostraram o apoio da base do governo, do PT e segmentos do PMDB. “Esse primeiro passo do conjunto de medidas [do ajuste fiscal] foi essencial”. Para ele, a inclusão no ajuste das medidas de desoneração sobre a folha de pagamentos de diversos segmentos de empresas permitirá economia de R$ 25 bilhões ao ano.

Tanto Levy quanto Barbosa fizeram elogios à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O ministro do Planejamento considerou a lei um “divisor de águas” que começou a ser adotado no mundo nos anos 90. “São práticas modernas para a política econômica que evoluíram para as regras fiscais. Com limites para o gestor público”, destacou Barbosa. Para Levy, o seminário promovido pelo TCU “é de excepcional significância” porque analisa normas que permitiram trocar as antigas doutrina burocráticas por práticas gerenciais.

Aprovada pelo Congresso Nacional em 2000 e regulamentada em 2002, a lei foi o primeiro instrumento jurídico criado no Brasil para impor normas e limites aos gastos do dinheiro público.

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Salário dos servidores estaduais não será reajustado nesta ano, diz governador do MS

08/05/2015 at 11:27 (*Liberdade e Diversidade)

Azambujaazambuja 2Governador afirma que categorias que paralisarem terão o ponto cortado e pagamento descontado

O governo do Estado não via conceder reajuste aos servidores estaduais. O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) afirmou que o brasil enfrenta crise econômica e que o estado não tem condições de atender aos porcentuais pedidos pelas categorias diante desse cenário. Segundo Azambuja, nenhuma ação grevista surtirá efeito, e os funcionários que porventura paralisarem suas atividades terão o dia de trabalho descontado. Ver reportagem completa de Lucia Morel na edição de hoje do jornal Correio do Estado. A foto é de Valdenir Rezende. Clique para ampliar.

http://www.correiodoestado.com.br

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*Comentário do blog: Só para lembrar: Caso os servidores venham a entrar em greve, espera-se que o governador do MS, Reinaldo Azambuja, não venha a agir como o seu companheiro de partido (PSDB) em Curitiba, Paraná, Beto Richa, colocando a polícia para reprimir os grevistas com violência, né?

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Com médicos em greve, Campo Grande, MS, vive dias caóticos na saúde

08/05/2015 at 10:58 (*Liberdade e Diversidade)

médicos em greveMédicos em greve em Campo Grande, MS (Foto: Correio do Estado)

Mesmo com dores e sintomas sem diagnósticos, pacientes desistem e vão embora

8 de Maio de 2015

Correio do Estado

médicos - greveHoras aguardando o atendimento e não ser atendido. Essa foi a situação de várias pessoas em mais um dia de greve dos médicos da rede pública, ontem, nas unidades de saúde

Mesmo com dores e sintomas sem diagnósticos, a maioria desistia e ia embora.

Algumas pessoas ouvidas pelo Correio do Estado disseram que iriam recorrer à automedicação. A manutenção do efetivo de 30%, obrigatório por lei em casos de paralisação, não foi suficiente para atender a demanda.

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Coronel Antonino o taxista Marcelo Gregório de Souza, 29 anos, desistiu de esperar por uma consulta para a filha Ana Maria de Souza, de quatro anos. A pequena caiu e bateu a cabeça, formando um enorme inchaço.

Na porta das unidades, representantes do Sindicato dos Médicos distribuíram panfletos explicando motivo da greve. A categoria reivindica aumento de 355% e, diante da crise financeira, a prefeitura afirma não ter recursos.

A reportagem, de Gabriela Couto, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado. A foto é de Álvaro Rezende.

E mais:

Pacientes podem ir à Justiça contra médicos em ação cível e criminal

Médicos ganham até R$ 42 mil por mês, segundo a prefeitura

Médicos ignoram crise, exigem aumento de 355% e folha aumentaria em R$ 80 milhões

Prefeitura diz que efetivo de médicos é insuficiente e pede multa diária de R$ 100 mil

Prefeitura vai à Justiça para barrar greve dos médicos

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