Elementos para uma nova política econômica (Leitura de fim de noite)

05/05/2015 at 23:16 (*Liberdade e Diversidade)

ajuste fiscal“Ajuste fiscal”, que começa a ser votado hoje, é sacrifício inútil: juros consumirão toda “economia” gerada pelo corte de direitos e investimentos. É hora de construir agenda alternativa

05/05/2015

Por Célio Turino | Imagem: Rubens GriloMalabarismo

Apresentado como tábua de salvação para a economia (e para o governo), o Ajuste Fiscal do governo Dilma, sob a batuta do ex-funcionário do FMI e Bradesco, ministro Joaquim Levy, trará resultado oposto do prometido e agravará os problemas econômicos e sociais do Brasil. Ao combinar elevação de juros públicos (via SELIC) com cortes em direitos sociais, políticas públicas e investimentos, a atual política econômica jogará o país em um negativo círculo vicioso, que irá reduzir ainda mais o dinamismo da economia e os direitos dos cidadãos. Como beneficiários, apenas o Sistema Financeiro, os rentistas e as 20.000 famílias mais ricas.

Aos dados. Segundo o Banco Central, em março de 2015, a dívida líquida brasileira estava em 33% do PIB, em valores absolutos, mais de R$ 2,44 bilhões. Se o principal objetivo da política macroeconômica é reduzir esta relação, as medidas adotadas vão no sentido oposto. E nem é necessário fazer cálculos sofisticados para chegar ao resultado. Segundo previsões, a evolução do PIB em 2015 será de negativa, mas vamos manter em 0% para facilitar o cálculo. Com a elevação da SELIC a 13,25%, o juro real aplicado pelo governo está ao redor de 7%, mantendo o Brasil na liderança mundial de juros. Mantida esta taxa, ao final de 2015 a relação Dívida/PIB irá alcançar 35,3% do PIB. E crescendo nos anos seguintes. Claro que economistas e imprensa a serviço do Mercado e demais cúmplices do rentismo, virão com argumento em socorro à política econômica do governo, alegando que a este cálculo não foi incorporado o efeito do Superávit Primário (1,2% do PIB). Sim, não incluí propositadamente, para demonstrar de forma didática o efeito do Superávit Primário nas contas públicas; neste caso, a relação cairá para “apenas” 34,1% do PIB (se o PIB decrescer será mais). Em termos reais, depois de toda economia em gasto social e investimentos públicos em 2015, os brasileiros terão que assumir, no mínimo, mais R$ 65 bilhões em dívida! O mesmo valor do Ajuste Fiscal. REPETINDO, se tudo der certo, os brasileiros economizarão R$ 65 bilhões em cortes em investimentos e serviços públicos para ficarem R$ 65 bilhões mais endividados (R$ 325 por pessoa). Isso mesmo.

Apesar do colossal esforço a que nós brasileiros estamos submetidos, com cortes no seguro desemprego, pensões e aposentadorias, redução nos orçamentos da Educação, Saúde e Cultura e a quase paralisia em investimentos públicos, ao final deste ano estaremos ainda mais pobres e endividados. Com o decréscimo de 1% no PIB, calculo que a Renda per Capita dos brasileiros irá cair 1,5%, no mínimo, em contraparte, o topo da pirâmide, só com o juro real da SELIC, ficará 7% mais rico. Afora o impacto que esta política recessiva terá nos investimentos privados e no emprego. E nada garante que 2016 será melhor. Pelo contrário, a situação de paralisia econômica pode até se agravar, seja como reflexo do desmonte na cadeia produtiva na Petrobras e outras Estatais e Governos (não somente o Federal), seja no desestímulo a investimentos privados e consumo. Com menor atividade econômica a arrecadação tributária também cai, exigindo novos cortes orçamentários e que acabam resultando em mais retração econômica e assim sucessivamente.

A se manter a atual política econômica, a tendência será o agravamento nos indicadores econômicos, não o contrário. Mas cabe perguntar: há alternativa a estas medidas?

Afinal, o quadro econômico já se revelava sombrio antes mesmo do anúncio desta política, sendo necessária a adoção de medidas para correção de rumos e disso ninguém discorda. Mas para compreender se estas medidas terão eficácia ou não, cabe antes fazer uma análise em retrospecto. Primeiro, é justo reconhecer que o Ajuste Fiscal ora proposto parte dos mesmos fundamentos das políticas econômicas aplicadas desde o Plano Real, com juro real elevado, superávit primário, câmbio flutuante e meta de inflação, em que o aperto monetário é o único remédio. Porém, se a conjuntura econômica na década passada, com ganhos expressivos no mercado internacional de commodities e crescimento real do PIB, permitia a combinação de aperto fiscal com redução relativa do estoque da dívida, mais aumento do gasto social e algum investimento, no momento a realidade é outra. Segundo, cabe levar em conta o fato de que esta política de Aperto Fiscal, que já dura 20 anos, foi implementada após ter recebido referendo prévio; seja em 1994, com o Plano Real e a eleição de Fernando Henrique Cardoso, seja em 2002, com a “Carta aos Brasileiros”, apresentada antes da primeira eleição de Lula e mesmo em 2010, quando houve um prolongamento deste acordo com a sociedade. Ocorre que na campanha de 2014 a candidata Dilma sinalizou outra política econômica, sobretudo no segundo turno, quando buscava apoio popular e, depois de reeleita, aplicou o oposto, em um giro de 180 graus. Sem levar este aspecto de quebra no acordo político (com os próprios eleitores da presidenta Dilma, diga-se) não há como analisar a viabilidade e a legitimidade do Ajuste Fiscal. Afinal, quem paga pelo Ajuste somos nós.

Também há que reconhecer outros equívocos econômicos praticados nos últimos quatro anos. Houve vários desajustes, resultantes de uma condução voluntarista e errática da economia. Exemplos: subsídios de R$ 30 bilhões anuais (o mesmo valor de um ano para todo o programa Bolsa Família) em empréstimos do BNDES para grandes empresas, muitas vezes sem estudo de benefícios econômicos e garantias (os mal sucedidos empréstimos a Eike Batista, no valor de R$ 10 bilhões e que provavelmente jamais retornarão, ou os R$ 10 bi para Friboi concentrar mercado, provocando aumento no preço da carne -20% em 2014- para o consumidor interno, entre outros maus exemplos); ausência de calculo de impacto na desoneração fiscal e previdenciária; erros grosseiros na política de preços para combustíveis e eletricidade; gastos públicos sem avaliação de resultados qualitativos e financeiros – como no caso do Financiamento Estudantil-; excessos em gastos públicos desnecessários, como a profusão de ministérios e cargos oferecidos como barganha política, tornando a gestão do governo ainda mais ineficiente. No caso destas medidas há que corrigir rumos, sem dúvida, assim como faz sentido algum ajuste em relação a pensões de viúvas muito jovens, sem filhos, em casamento de ocasião. Porém, ao combinar aperto fiscal com aumento nos juros públicos, todo este esforço terá sido em vão.

A realidade que assistimos hoje é de uma presidente desmoralizada e imobilizada, refém dos próprios desarranjos econômicos e quebra da relação de confiança com seus eleitores. Ao sucumbir definitivamente a uma política econômica monetarista e ortodoxa, tal qual tem levado outros países à bancarrota, o governo estará conduzindo o país a uma espiral econômica negativa que pode durar o resto da década. E, ao final, só terá imposto mais sacrifícios, tristeza e desesperança.

Mas este caminho não é inevitável, há outro. Ocorre que falta coragem, compromisso popular e clareza política. Lamentavelmente o PT e o governo se enredaram em seus próprios descaminhos e agora não tem força (e, talvez, nem vontade) para apresentar uma alternativa justa e esperançosa para os brasileiros.

Pontos para uma Nova Política Econômica, colocando o Estado a serviço do povo:

I – Reduzir a SELIC de 13,25% para 8%, no máximo;

II – Auditoria da Dívida Pública, conforme previsto (e nunca cumprido) na Constituição Brasileira;

III Direcionar empréstimos do BNDES (há mais de R$ 30 bilhões em caixa) para investimentos produtivos e inovação, principalmente para arranjos produtivos solidários e cooperativos, com alto impacto na geração de empregos;

IV Recompra das Ações da Petrobras e aporte de Capital Público na empresa, restabelecendo plano de investimentos, a partir de contratos honestos, agregando valor à atividade econômica do petróleo e energia;

V Redução da jornada de trabalho, inicialmente para 40 horas semanais, e reversão da precarização do trabalho através da Lei de Terceirização;

VI Reforma Agrária, com fortalecimento da agricultura familiar, produção de alimentos e cadeias produtivas locais;

VII Imposto sobre grandes Fortunas, Heranças, Transações Financeiras e transferências internacionais.

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Volkswagen coloca 8 mil funcionários em férias coletivas na fábrica do ABC em São Paulo

05/05/2015 at 16:22 (*Liberdade e Diversidade)

volksO Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que cerca de 8 mil funcionários da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) entraram em férias coletivas nesta segunda-feira (4) © Foto: Reuters 

5/5/2015

Camila Maciel / Agência Brasil

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que cerca de 8 mil funcionários da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) entraram em férias coletivas nesta segunda-feira (4). Por meio de nota, a montadora confirmou o uso da ferramenta de flexibilização para “adequar o volume de produção à demanda do mercado”, mas não forneceu mais detalhes da manobra.

De acordo com o sindicato, a linha de produção da unidade, que tem 13 mil funcionários, ficará parada por dez dias.

Na região do ABC, outras duas grandes montadoras adotaram a flexibilização para diminuir a produção. Segundo o sindicato, desde fevereiro a Ford colocou 424 metalúrgicos em banco de horas. Na Mercedes-Benz, após greve de cinco dias, 500 demissões foram suspensas e foi prorrogado o layoff (suspensão temporária dos contratos) até 15 de junho.

Além disso, foi aberto um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV). De acordo com a Mercedes, aproximadamente 750 trabalhadores estão no layoff na montadora.

O último balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revela que o setor registra queda de 16,2% no acumulado do primeiro trimestre do ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar do resultado negativo na comparação anual, o setor registrou alta de 22,9% entre fevereiro e março. Os cinco dias úteis a mais de março ajudam a explicar a elevação.

A Ford foi procurada para comentar os dados apresentados pelo sindicato, mas não houve retorno até a publicação da matéria.

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*Comentário do blog: Situação difícil, hein?

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Da selva das cidades às ilusões do paraíso (Leitura do dia e da noite)

05/05/2015 at 15:32 (*Liberdade e Diversidade)

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selva

5/05/2015

Por Sylvia Debossan Moretzsohn* na edição 849

O que pode associar a notícia de um flagrante de violência urbana ao seu contrário – um programa especial sobre a decisão de ser feliz, em geral fora da cidade grande? A resposta imediata poderia apontar uma associação automática: a vida na cidade está insuportável, o negócio é cair fora. Uma resposta mais elaborada diria que esta associação é verdadeira, porém o principal não está no que se vê, mas no que se oculta: o contexto e, principalmente, o vínculo entre as situações apresentadas e o funcionamento do sistema, na cidade e fora dela.

No feriado de 1º de Maio, sexta-feira, o Jornal Nacional exibiu reportagem que mostra um homem de meia idade sendo atacado por três pivetes num ponto de ônibus, no início da noite, no Centro do Rio. Um deles desfere três facadas sobre o homem, que só depois sente o golpe, é amparado por duas pessoas e fica deitado aguardando atendimento. Por sorte se recupera bem: os golpes poderiam ter sido fatais, se tivessem atingido o pulmão ou o pescoço.

Na mesma sexta-feira, o Globo Repórter tratou do tema “trabalhar com prazer”, com exemplos de pessoas que, apesar de suas carreiras de sucesso, decidiram apostar numa vida melhor: o casal que largou um bom emprego para investir num sítio e produzir alimentos sem agrotóxicos, o advogado paulista que conheceu o amor de sua vida num paraíso turístico da Bahia e lá abriu uma pousada, o funcionário público que também trabalhava como taxista e acabou virando doceiro, a especialista em tecnologia da informação que resolveu seguir sua vocação de mecânica de automóveis para recuperar modelos antigos – incluindo um Maverick que é seu sonho de infância –, o francês que ganhava em euros, mas decidiu comprar uma casa no meio do mato para realizar seu desejo de virar mágico.

A história de sempre

Exibir cenas chocantes é recurso corriqueiro quando a audiência está em queda, mas o texto de abertura do Jornal Nacional, que mostrará o esfaqueamento, é mais sutil. Ao anunciar a reportagem (ver aqui), de quase sete minutos, William Bonner ao mesmo tempo presta uma espécie de homenagem aos trabalhadores naquela data tão significativa e lamenta a água mole impotente diante da dureza da pedra:

“O assunto que abre esta edição vai provocar espanto, mas não porque seja uma surpresa. A gente vai mostrar cidadãos brasileiros sendo atacados por delinquentes na rua. E você já viu isso outras vezes. O que espanta é que as cenas de violência contra trabalhadores foram registradas no mesmo lugar que o Jornal Nacional já mostrou muitas e muitas vezes: o Centro do Rio de Janeiro”.

Não, o que espanta não são as cenas corriqueiras de assaltos ou a repetição de denúncias que esbarram sempre no discurso monocórdio e protocolar da autoridade policial, mas o flagrante do ataque a facadas, que está longe de ser banal.

No entanto, a cena só é mostrada depois do retrospecto de reportagem feita em janeiro do ano passado, flagrando em três horas três roubos isolados a pedestres e “um arrastão que terminou em pancadaria”, próximo ao local onde o homem foi esfaqueado. Antes de exibir a cena que realmente importa um trecho de reportagem também do ano passado em que uma mulher dá entrevista em local bem mais distante – a região próxima à Central do Brasil – quando alguém tenta lhe roubar o cordão, e o repórter sai correndo atrás do ladrão. Logo depois de mostrar o homem ensanguentado após as facadas, uma entrevista com uma mulher que tem o rosto preservado e diz nervosa: “Eu não aguento mais ver assalto nesse Rio de Janeiro, tem que acabar isso, isso é uma gangue…”.

Se a Globo posicionou sua câmera para aquele ponto de ônibus, é porque sabia que algo poderia ocorrer ali. A polícia, com certeza, tampouco desconhece essa possibilidade. Por que não age para inibir a ação daqueles meninos que perambulam pelos pontos mais movimentados da cidade, aguardando a oportunidade de roubar um cordão de ouro ou um celular?

Ligar as pontas

Porém, o mais interessante é observar o que essa reportagem oculta. Pois também já vimos muitas e muitas vezes – menos no noticiário do que na nossa própria experiência ao andar pelas ruas – esses meninos dormindo nas calçadas, largados sobre a grama das praças, dopando-se com todo tipo de droga. Onde fica esse “outro lado” da reportagem que os exibe em ações violentas e oculta a violência que eles sofrem desde que nasceram?

Entretanto, se esse “outro lado” aparecesse, a resposta previsível do público tenderia a ser o escárnio insultuoso da sugestão que virou moda – “Tá com pena? Leva pra casa” – e todo o monótono repertório sobre o pessoal dos “direitos dos manos”. Por isso é tão difícil fazer jornalismo: porque é preciso mostrar às pessoas o que elas não querem ver. E aqui não falo, naturalmente, do enfoque privilegiado pelo JN, que todos sabemos qual é. Falo da dificuldade de enfrentar o senso comum.

Diante da reportagem sobre os meninos delinquentes – que nem precisa aludir à recém-aprovada proposta de redução da maioridade penal, porque isto já está implícito nos discursos prevalecentes sobre o tema –, a consequência é tão óbvia quanto inútil: pode haver uma dessas “operações limpeza” típicas das políticas de “choque de ordem” – expressão, aliás, que sumiu do noticiário –, mas, sem uma política de assistência, os meninos acabam voltando. Não esses especificamente, que podem ser recolhidos para cumprir as tais “medidas socioeducativas”, quando não são simplesmente eliminados. Mas outros iguais a eles, produto da mesma situação de marginalidade social. E, com eles, mais reportagens indignadas, que não rompem o círculo vicioso porque não ligam as pontas que permitiriam apresentar a situação na sua complexidade. Porque não interessa ou, talvez, também, porque haja repórteres e editores convencidos de que basta reprimir os pivetes para acabar com o problema.

Chutar o balde?

Da mesma forma, o Globo Repórter que enaltece o “trabalho feliz” justamente no 1º de Maio repete várias outras edições que, ao longo dos anos, tentaram demonstrar que basta ter coragem de chutar o balde para mudar de vida e adotar um estilo próximo do ideal do bom selvagem – cuidando, entretanto, de não esquecer a luz elétrica.

Os cenários são sempre os mesmos: sítios verdejantes, praias paradisíacas, o cotidiano de paz e tranquilidade em comunhão com a natureza. E o sol: sempre faz sol, jamais chove nesses cenários deslumbrantes. Pode eventualmente fazer frio, mas aí estaremos todos num ambiente aconchegante de uma sala com lareira, em torno de um bom vinho e comidinhas fumegantes.

É claro que alguns indivíduos conseguem dar outro rumo às suas vidas. Especialmente se têm o chamado capital inicial: alguma herança ou os recursos que amealharam durante o tempo de trabalhos forçados. O problema é sugerir que esta é, de fato, uma opção para qualquer um. Como se força de vontade e iniciativa bastassem.

Isso para não mencionar a ausência de preocupação com os nativos desses paraísos: como vivem? o que comem?, como se reproduzem?, são também tão felizes quanto seus novos vizinhos?

Cultivando ilusões

Há, entretanto, algo que difere esta edição de tantas outras do mesmo programa: o contexto. Exatamente no momento em que o Congresso Nacional está para aprovar o projeto de terceirização que amplia a precarização do trabalho, aparece um programa que nos diz que dinheiro e carreira estável não trazem felicidade e nos convida a mudar de vida. Desde que, claro, sejamos “empreendedores”, isto é, desde que sejamos capazes de reproduzir, no microcosmo, as relações desse mesmo sistema que nos oprime e explora.

(Bem a propósito, reportagem do G1 na segunda-feira, 4/5, enaltece a educação das criancinhas para o “empreendedorismo”, que só fica feio quando o tal “empreendimento” envereda pelos caminhos.)

Estamos todos infelizes e acuados na selva das cidades, onde perambulam meninos maltrapilhos e ameaçadores. Não é difícil concluir que, se todos pudéssemos cair fora, só restariam nas cidades os prédios inabitados e os ansiados paraísos se transformariam num novo inferno. Mas enquanto estivermos convencidos de que o sistema em que vivemos é o único possível – e não é preciso ressaltar o papel da mídia hegemônica nesse convencimento –, vamos continuar nos alimentando de ilusões.

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*Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

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PT defende combate à corrupção e luta contra terceirização

05/05/2015 at 15:08 (*Liberdade e Diversidade)

lula-faz-pronunciamento-no-programa-do-pt

Lula faz pronunciamento no programa do PT

Em propaganda partidária, Lula critica projeto de lei: “Brasil do começo do século passado”

5/5/2015

Jornal do Brasil

A propaganda partidária do Partido dos Trabalhadores vai ao ar em rede nacional, nesta terça-feira (5), com a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente nacional da legenda, Rui Falcão.

A peça, divulgada nas redes sociais nesta terça-feira, afirma que o partido vai adotar a prática de expulsar integrantes que forem condenados na Justiça.

>> Veja aqui

Na peça, a sigla volta a se posicionar contra a redução da maioridade penal, contra a terceirização e a favor do combate sem tréguas à corrupção. Para Lula, o Brasil não pode permitir que a história dos trabalhadores brasileiros sofra retrocesso com a aprovação do Projeto de Lei 4330, que permite a terceirização da atividade-fim.

“Esse projeto faz o Brasil retornar ao que era no começo do século passado”, critica o ex-presidente.

Além disso, a propaganda relembra as conquistas dos brasileiros nos últimos anos, diz lutar para manter as conquistas, conquistar ainda mais e corrigir o que for preciso. “Hoje o Brasil se tornou um País mais justo, com mais oportunidades e mais direitos para todos”.

A peça também conta com depoimentos de pessoas beneficiadas por programas sociais criados pelos governos do PT como Programa Universidade Para Todos (Prouni), Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), Mais Médicos, Minha Casa, Minha Vida.

Sobre o combate à corrupção, Rui Falcão voltou a garantir que qualquer petista que cometer malfeitos e ilegalidades, será expulso da legenda.

“O PT não aceita que alguns setores da mídia queiram criminalizar todo o partido por erros graves de alguns filiados”, critica Falcão.

Ao fim da propaganda, o PT volta a defender o fim do financiamento empresarial de campanhas e convida as outras legendas a seguirem o mesmo exemplo.

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Charge do Paixão: Dengue

05/05/2015 at 11:30 (*Liberdade e Diversidade)

dengue

Charge do Paixão na Gazeta do Povo (PR). Super!

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Após 40 km de viagem, trabalhadores fazem marcha no Centro de Campo Grande, MS

05/05/2015 at 11:23 (*Liberdade e Diversidade)

marchaMarcha percorreu a rua 14 de Julho no Centro de Campo Grande, MS (Foto: Nyelder Rodrigues)

05 de maio de 2015

Nyelder Rodrigues

Vários trabalhadores do campo marcham pelo Centro de Campo Grande em direção à Praça Ary Coelho, onde a classe promete reunir até 1 mil pessoas a partir das 9h. O objetivo da marcha é pedir reestruturação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Além dos trabalhadores rurais, indígenas também participaram do movimento, cobrando mais agilidade na demarcação de terras. A caminhada começou no Distrito de Anhanduí no dia 1º de maio, percorrendo 40 km até a cidade de Campo Grande a pé. A ‘PEC da Terceirização’ também é alvo dos manifestantes

O movimento é organizado pelo MST-MS (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), a CUT-MS (Central Única dos Trabalhadores) e líderes indígenas. Ontem, parte dos manifestantes chegou à UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), onde ficariam acampados.

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Ex-diretor da Petrobrás diz que Dilma é responsável por compra de refinaria

05/05/2015 at 11:03 (*Liberdade e Diversidade)

dilmaDilma Rousseff © Fornecido por Notícias ao Minuto…

5/5/2015

MSN Brasil

Em defesa apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU), o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que depõe hoje à CPI que investiga esquema de corrupção na estatal, responsabilizou a presidente Dilma Rousseff pela compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, em 2006.

O documento entregue pelos advogados do ex-executivo, que é um dos delatores da Operação Lava Jato, lembrou que coube a então chefe da Casa Civil do governo Lula e presidente do Conselho de Administração da estatal assinar, em 2006, a aquisição da planta de refino. “É claro e evidente que a decisão de compra dos 50% da PRSI (Refinaria de Pasadena, na sigla em inglês) foi tomada pelo Conselho de Administração de 2006, da Petrobras, assinada pela então presidente do conselho, Dilma Vana Rousseff”, afirma a defesa.

O TCU apontou prejuízo de US$ 792 milhões no negócio, feito em duas etapas, entre 2006 e 2012. A corte bloqueou bens de 10 dirigentes e ex-dirigentes da empresa, entre eles Costa.

O ex-diretor é responsabilizado por parte das perdas, no valor de US$ 580 milhões, por ter aprovado em valor superior ao que seria justo e desconsiderando riscos. Nos depoimentos prestados ao Ministério Público Federal, em regime de delação premiada, ele admitiu ter recebido propina para “não atrapalhar o negócio”.

A indisponibilidade patrimonial determinada pelo TCU não alcança integrantes do Conselho de Administração, responsável por aprovar, em última instância, os investimentos da estatal. Mas o tribunal ressalvou que, a depender das provas apuradas no decorrer do processo, eles ainda podem ser implicados.

Saiba mais:

Rejeição ao governo Dilma dispara 37 pontos em três meses

Executivos de empreiteiras são interrogados por juiz da Lava Jato

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Um voo pelos céus da poesia com Manoel de Barros** (Crônica da manhã)

05/05/2015 at 10:40 (*Liberdade e Diversidade)

maria-da-gloria-sa-rosa-esta1Maria da Glória Sá Rosa*

05/5/2015

Ao contemplar na TV a figura do poeta Manoel de Barros, lembrei-me de um encontro que tivemos há 23 anos, numa viagem pelos céus desse Brasil cada vez mais carente de artistas do sonho e da arte de sobreviver à perda das ilusões.

Numa manhã de domingo de 1988, preparava-me para regressar a Campo Grande, MS, quando avistei de longe o poeta retirando a mala na entrada do Galeão.

manoel e eu

Aos 74 anos, cabelos prateados, mais longos, soltos ao vento, terninho cinza quadriculado, o poeta respirava o prazer das alegrias com a família, livros, música, filmes, como alguém que não perdeu o olhar curioso de eterna criança.

Registro aqui algumas de suas observações. “Não gosto dos que tentam explicar demais minha poesia. O trabalho com a palavra constitui o universo de minhas invenções. Desprezo os apressados, ansiosos de publicar com a sofreguidão de um desempenho a ser mostrado. Concordo com os que afirmam que retirei minha poesia das Um voo pelos céus da poesia com Manoel de Barros alturas para impregná-la das coisas do chão, do caramujo, do lixo do entulho.”

manoel 2“Alegra-me o interesse dos estudantes pelo que publico, principalmente nas universidades. Há pouco tempo, uma professora comentou que minha poesia causava nela o choque de um fenemê freando.”

A conversa girou depois em torno dos filmes a que assistira nos dois meses que ficara no Rio de Janeiro. Viu todo um ciclo de Truffaut e outro de Fassbinder, diretores que admira.

Confessou-me ter chorado assistindo ao filme “Au Revoir les Enfants”, de Louis Malle, pelas lembranças que lhe vieram dos tempos de internato. Gostou das peças “Quatro Beckett”, dirigida por Gerald Thomas, e de ”Noel”, por Domingos de Oliveira.

Concorda comigo que não se deve transpor a linguagem do cinema ou da pintura para análises poéticas, acrescentando: “Cada arte deve ser vista através do signo com que foi construída”.

“Ser poeta é uma maldição que precisa ser cumprida a cada renovar-se do minuto. Por isso, sou admirador de Augusto dos Anjos, cuja poesia quebrou todos os tabus semânticos e linguísticos.”

Essa conversa foi entremeada de risos e muitas doses de humor. Cada palavra vinha impregnada da ironia sutil que nos atinge como a doçura agridoce do morango e ficou ressoando nas cordas da memória, depois de atravessar as paredes do tempo. O poeta, excelente “causeur”, extraiu de cada pequeno acontecimento o encantamento a quem teve, como eu, a dádiva de partilhar de suas preferências intelectuais e artísticas. Como esquecer momentos assim?

*Escritora e membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

**Crônica publicada hoje (5) no jornal Correio do Estado. A charge é do Éder.

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Imagem do dia: Frente fria vai embora e sol reaparece em Campo Grande, MS

05/05/2015 at 09:59 (*Liberdade e Diversidade)

tempoMatéria de Gildo Tavares e foto de Álvaro Rezende na edição de hoje (5)  do jornal Correio do Estado.

http://www.correiodoestado.com.br

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*Comentário do blog: Supimpa!

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