Comentários sobre a crise** (Leitura da matina)

28/04/2015 at 11:41 (*Liberdade e Diversidade)

crise

angelo arrudaÂngelo Arruda*

Meus amigos. No dia a dia, viver nunca foi fácil. Criar filhos, ter renda para comprar o que se quer e precisa. Lembro-me de muitas passagens difíceis na minha vida, sempre lutando para que pudesse ter e dar segurança familiar. Você também deve se lembrar de muitas conquistas difíceis e custosas que teve. Pois bem. Existe uma camada do povo brasileiro que, durante séculos, não teve acesso a quase nada. Hoje conhecemos essa camada como a nova classe média, que tem rendimentos muito melhores que no passado, consome, compra, mas que também sofre muito com a inflação, com o aumento de diversas coisas que fazem parte do seu dia a dia.

Existem camadas de renda que estão acima da nova classe média que reivindicam melhoria de suas altas condições de vida. Querem ganhar mais, passear mais, comprar mais, viajar mais. Estão certos. Afinal, durante séculos foi assim, e por que mudar?

Por que escrevo isso? Porque vejo que há uma crise sendo fabricada pela grande imprensa e pelas redes sociais, com postagens falsas o tempo inteiro. Semana passada, flagrei várias postagens de amigos. Odiosas e falsas.

A crise é política, de natureza congressual e vem de Brasília patrocinada por todos os partidos que não têm agenda para o país. A crise é localizada e tem origem na corrupção que assola nosso país há quase 500 anos. Mas a sensação que o Judiciário nos passa é que ela foi criada há quatro ou cinco anos. A crise é moral, do ser humano, que corrompe o poder. A crise é empresarial, que luta para vender e prestar serviços para o Estado, dando até 30% de taxa de corrupção, mas que não denuncia nada.

A crise, ora, mas estamos em crise? Dependendo de quem lê, sim ou não. Se você for escutar e ler Diogo Mainardi, sim. Se você ler e ver Leonardo Sakamoto, ainda não temos crise. Ou seja, a crise tem lado, na imprensa, na política e na sociedade.

Escrevo isso para refletir. O dólar baixou de R$ 3 e voltou ao que era dois meses atrás, baixando semana após semana; a gasolina, já a encontramos mais baixa em vários postos. As agências internacionais não rebaixaram as notas do Brasil. Apesar disso, o Congresso não quer discutir o ajuste fiscal e não quer pactuar para o desenvolvimento. Quer o quanto pior, melhor. Até ratos, um dia desses, foram colocados no Plenário de uma CPI. Tudo leva a crer que a ideia de colocar ratos tenha sido dos próprios ratos que habitam aquele lugar e que consome bilhões por ano para mantê-los.

Meus amigos e leitores. Não sou cego, nem surdo, nem mudo. Leio muito. Tudo. Toda hora, todo dia. Adoro a política e, como ser humano que sou, vejo que há um clima de crise se desenhando a cada momento.

O clima de crise é sempre bom para acordarmos, irmos para a rua, debater com os amigos, nos sindicatos, em sala de aula.

Mas também tenho o que comemorar além da crise. O aperto de mão de Obama ao presidente Raul Castro, de Cuba, mostra-me que o capitalismo cede sempre quando necessário. Embora, de orelha em pé, fique pensando o que as grandes empresas americanas querem ao olhar para Cuba.

Vamos comemorar a democracia que temos. Vamos comemorar os indicadores de educação que temos, afinal, em 2013, investimos mais que o Japão. Vamos comemorar a pesquisadora brasileira que descobriu que um exame de sangue pode detectar se você tem ou não câncer em seu corpo. Vamos comemorar tudo que é bom.

Mas também vamos gritar e ficar alertas para os desmandos dos governos, todos. O federal, o estadual e o municipal. A corrupção está dentro de todos eles, não se esqueçam disso. Vamos gritar quando alguém bater numa mulher; vamos gritar contra o preconceito, seja qual for; vamos gritar para acabar com a bebedeira dos adolescentes; vamos gritar para que sejamos ouvidos e nossas reivindicações sejam acatadas e implantadas. Pois o que tenho visto é que nossas reivindicações não duram mais de 24 horas nas mesas dos políticos.

O governo federal anda muito mal. Muitos ministros batendo cabeça, projetos que não andam. Uma desordem. O Congresso Nacional se aproveita disso, retirando da gaveta projetos antigos para aprovar como o PL 4330 da terceirização do trabalho.

Ainda existe uma enorme sensação de desmandos que são realizados e não julgados. A nossa falha é achar que os desmandos não duram.

*É arquiteto e urbanista e professor da UFMS.

**Artigo publicado hoje (28) no jornal “O Estado MS”.

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