Nossa luta deve continuar sendo por vida, justiça e sociedade mais igual (Leitura vespertina)

19/04/2015 at 16:52 (*Liberdade e Diversidade)

passeios_no_rio_de_janeiro_-_complexo_do_alemaoComplexo do Alemão – Rio de Janeiro (RJ)

monica-franciscoMônica Francisco*

19/04/2015

Jornal do Brasil

Na última sexta-feira, se deu a reconstituição das situações em que ocorreram as mortes no morro do Alemão. Uma dolorosa volta aos acontecimentos que nos deixaram a todos um pouco mais em falta com a responsabilidade pela vida.

É impressionante como somos consumidos rapidamente  por tantas e tantas notícias de tragédias (agora, uma senhora na Maré, também dentro de sua residência) que nos distanciam cada vez mais da reflexão de como gastamos vidas aqui por estas paragens.

Em busca de uma solução para minimizar o sofrimento coletivo, os grupos organizados do Complexo do Alemão estão buscando juntos um caminho de construção de ações integradas e permanentes onde a luta principal seja a luta pela vida.

Interessante que aqueles que sentem de maneira potencializada o desprezo pelas suas vidas, estão na vanguarda de uma luta que é de todos nós, ou pelo menos deveria ser.

Neste momento também, quando se trava nas áreas mais vulneráveis da cidade uma luta por sobrevivência, e se busca uma efetividade na diminuição do morticínio dos jovens negros em todo país, se trave paralelamente uma vingança de homens brancos e ricos contra jovens pobres e negros.

O que está em questão não é se um jovem que não atingiu a maioridade é capaz de responder por erros cometidos, já que é capaz de cometê-los. O que se deveria discutir é em que modelo de sociedade este jovem é impelido a cometer os erros que comete, e o que esta mesma sociedade faz para mudar esse quadro.

Em uma sociedade como a nossa, é possível cobrar tão caro dos jovens negros e pobres, mais do que já pagaram até aqui, como vítimas indiretas de uma política pública que permitiu uma longeva escravização de seus antepassados?

Ou teremos uma punição equitativa entre aqueles ou aquelas que possivelmente cometerem erros? É assim que funciona em nossa sociedade atualmente?

Há uma sensação de retrocesso nos caminhos que o nosso país vem tomando na construção das políticas, que vão incidir de maneira brutal nos mais pobres e consequentemente mais vulneráveis.

Não amadurecemos ainda nossa democracia, essa é a sensação que se tem ao ouvirmos as notícias sobre os rumos que querem dar ao país. A luta pela radicalização da democracia, que mobilizou tanta gente e durante tanto tempo, com episódios tão dolorosos e marcantes, parece estar sendo encoberta por uma bruma densa e difícil de dissipar.

Nossa luta deve continuar sendo pela vida, pela justiça e por uma sociedade mais igual e que nos possibilite compartilhar o país de maneira mais democrática possível.

“A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!”

* Membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE. (Twitter/@ MncaSFrancisco)

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