MANEIRA DE EDUCAR NAS COLÔNIAS ALEMÃS (Leitura noturna)

12/04/2015 at 20:25 (*Liberdade e Diversidade)

imigracao-alema-parana(CARAS E MODOS DOS MIGRANTES E IMIGRANTES)

imagesCarlos Frederico Corrêa da Costa*

O cooperativismo desenvolvido entre os imigrantes manifestou-se no plano econômico, aqui entendido como expressão da vida privada pelo simples fato de os colonos terem sido entregues à própria sorte depois de instalados em seus lotes de terra antes de falar em educação propriamente dita, vou falar sobre cooperativismo, uma forma de educação no plano econômico.

Para atender as necessidades dos colonos Hermann Blumenau e os líderes locais criaram os (Agri) Kulturvereine, associações agrícolas, muito peculiares às colônias alemãs, para a discussão de problemas relativos ao setor produtivo da comunidade.

Normalmente os Kulturvereine costumavam repassar as informações aos seus sócios em palestras realizadas aos domingos, após o culto na igreja protestante, quando os temas eram a situação das plantações, da pequena indústria, dos transportes, da flora e até dos hábitos da população luso-brasileira.

Em sua busca de integração ao Império os sócios do Kulturverein programaram a assembleia do final do ano de 1866 para o dia do aniversário do Imperador, 2 de dezembro. Soa pitoresco o registro feito no livro de atas: ”Após a reunião os presentes se dirigiram ao jardim do Sr. Keiner e aí, ao ar livre, debaixo das laranjeiras, festejaram com música e palestras, o aniversário de sua Majestade, o Imperador do Brasil”.

Agora, falando da educação propriamente dita, começo dizendo que o segundo pilar em que repousavam as colônias alemãs era a escola. O livro, portanto, a escrita, era uma maneira de manter viva a unidade cultural germânica.

Isso aparecia no lar da forma mais ingênua, quando a mãe repetia os contos de fadas alemãs ao pé da cama, à noite, para as crianças, um modo de também educa-las; na reza, antes de dormir; nos hinários eclesiásticos, e na Bíblia, em cujas páginas elaborava-se um tipo de diário da família que era transmitido de geração em geração.

Poucas escolas haviam sido instaladas no Brasil pelos luso-brasileiros, principalmente por causa da religião: o catolicismo lusitano contava com o padre para ler e interpretar a Bíblia, desobrigando os fiéis de aprender a ler, enquanto o protestantismo, professado por dois terços dos imigrantes alemães, exigia a alfabetização para a leitura do texto sagrado. Esse aspecto valorizou a educação.

Os imigrantes implantaram a escola em casa, daí nascendo as escolas comunitárias, nas quais em geral o professor era escolhido entre os próprios colonos, que cuidava da roça e criava porcos paralelamente à sua atividade de professor.

As escolas católicas, ao contrário das protestantes, que valorizavam sobretudo a educação alemã, obedeciam a supremacia da formação religiosa, por isso, as escolas paroquiais do Sul, geralmente dirigidas por religiosos, pouco se distinguiam das públicas, entretanto, as comunidades católicas teuto-brasileiras estiveram na origem de muitas vocações religiosas, numerosos padres e bispos do Brasil contemporâneo nasceram e cresceram no seio dessas comunidades.

As cartilhas escolares, por sua vez, deixam claro que o que se queria promover nas escolas era a consciência de uma comunidade nacional alemã (a unidade da Alemanha não era política, mas cultural, determinada pela língua e pelas tradições em comum), ao mesmo tempo que da cidadania brasileira, afirmando-se com isso a inclusão da população de origem alemã no Estado brasileiro.

Os valores reproduzidos nos livros didáticos nas colônias alemãs eram “amor à nova pátria e fidelidade à velha mãe pátria”.

Referência Bibliográfica

COSTA, Carlos Frederico Corrêa da (pela transcrição e adaptação) de: ALENCASTRO, Luiz Felipe de; RENAUX, Maria Luiza. Caras e modos dos migrantes e imigrantes In: NOVAIS, Fernando A. (org.), História da vida privada no Brasil 2. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p.331-333.

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*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social pela USP-SP, historiador de empresas, famílias e biografias.

**Professor aposentado da Graduação, Pós-Graduação e Pesquisador do Departamento de História, campus de Aquidauana/UFMS. 

E-mail cfccosta@terra.com.br

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