De 17 nomeações em 2015 no TCE-MS, 11 são suspeitas de apadrinhamento político

12/04/2015 at 12:41 (*Liberdade e Diversidade)

waldirWaldir Neves – Presidente do TCE/MS

MP recebeu denúncia e promete investigar

12/04/2015

Evelin Araujo / Midiamax

A corte que serve de órgão auxiliar para Assembleia Legislativa cuidar do uso do dinheiro público em Mato Grosso do Sul é alvo de denúncia que o Ministério Público do Estado deve investigar. De 17 nomeações feitas em 2015 no TCE (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul), 11 contratações levantam suspeitas de apadrinhamento político e de nepotismo. O MPE-MS promete abrir inquérito na próxima semana para investigação.

Um dos casos que mais chamam a atenção é o aumento no salário da servidora Alessandra Larréia Ximenes, que saltou de R$ 9.847,34 para R$ 14.705,36. Ela é ex-mulher de Waldir Neves, ex-deputado que virou conselheiro e ocupa a presidência do Tribunal desde o começo do ano.

Muitos dos nomeados não aparecem nas listas de funcionários do TCE nos anos anteriores, disponíveis na sessão de transparência do site da instituição. Isso porque alguns dos nomeados deste ano seriam funcionários há tempos da Casa, mas que eram terceirizados.

Este é o caso da filha da Secretária de Educação da atual gestão estadual, Maria Cecilia Amêndola da Motta. Viviane Amêndola da Motta foi nomeada no dia 9 de fevereiro deste ano como assessora de inspetoria.

Além deles, outras nove nomeações sugerem apadrinhamento político. Samuel Antônio Figueira Ferreira, filho da Diretora de Pessoal da Assembleia Legislativa do Estado, Marlene Ferreira, foi nomeado no dia 3 de fevereiro como assessor de conselheiro.

Thie Higuchi, ex-secretária de Estado na gestão de André Puccinelli, também tem cargo no órgão atualmente como diretora de controle externo, assumido no dia 2 de fevereiro. Antes, ela atuava como assessora de conselheiro.

Félix Jayme Nunes da Cunha, que atuou como advogado de Osmar Jeronymo (atualmente conselheiro do TCE) em uma denúncia ao MPE por suposta lavagem de dinheiro, foi nomeado em 4 de fevereiro deste ano como assessor de gabinete, logo após o ex-chefe da Casa Civil de Puccinelli também virar conselheiro.

Jorge Eduardo Celeri, que foi Coordenador de Políticas para a Juventude em 2008 durante a gestão de Puccinelli, é assessor administrativo e foi nomeado no dia 2 de janeiro.

Rovena Ceccon, mulher do ex-procurador-Geral do Estado, Rafael Coldibelli, atua como assessora de conselheiro desde o dia 3 de fevereiro. No ano passado, ambos atuaram para agilizar a nomeação do então deputado Arroyo no Tribunal, como noticiado pelo próprio TCE. Ela era assessora jurídica do ex-deputado.

Ubaldo Ribeiro Lopes, ex-prefeito de Corguinho eleito em 2008, é nomeado desde o dia 3 de fevereiro. Ele foi condenado em 1999 por transporte de eleitores, mas pediu a nulidade alegando que o processo estava cheio de vícios, podendo participar das eleições graças a uma liminar.

George Washington Ramos foi nomeado também no dia 3 de fevereiro como coordenador de inspetoria. Ele é ex-presidente da Câmara Municipal de Rio Negro, em 2010.

Juliana Ferrari Cunha é assessora de gabinete, nomeada em 3 de fevereiro no Tribunal de Contas. Ela já havia sido nomeada no gabinete do então deputado estadual e atual conselheiro do TCE, Jerson Domingos, como assessora de gabinete, no dia 1º de junho de 2014.

Casos de família

Além da acomodação de pessoas ligadas a partidos políticos, algumas coincidências também sugerem o ‘loteamento’ de cargos entre familiares. É o caso, de Fernanda Grezi Urt Dittmar, assessora administrativa, que foi nomeada no dia 9 de fevereiro, mesmo dia quando sua sogra, Maria Elisa Hindo Dittmar, membro do PSDB Mulher, foi exonerada. Ela ocupa o mesmo cargo da sogra.

Não é deste ano que parentes e pessoas ligadas a grupos políticos são nomeados no Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul.  O filho do secretário de Fazenda Marcio Monteiro, Fabio Monteiro, ocupa cargo de chefe de gabinete da conselheira Marisa Serrano desde junho de 2011.

O MPE afirmou, por meio da assessoria, que vai investigar as nomeações. Uma denúncia de nepotismo sobre o caso chegou a 30ª Promotoria do Patrimônio Público nesta semana, mas o inquérito só deverá ser instaurado na semana que vem porque outros procedimentos chegaram primeiro e o órgão abre as investigações por ordem de chegada. Corre na 31ª Promotoria, chefiada por Henrique Cândia, uma notícia de fato (31/2015) eu investiga a nomeação da filha do deputado estadual Rinaldo Modesto e a contratação da empresa do seu filho. Apesar da investigação, o caso já foi resolvido e a filha do parlamentar foi exonerada, assim como o contrato revogado.

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