Novos rumores de golpe, agora no Chile e na Grécia

10/04/2015 at 18:24 (*Liberdade e Diversidade)

Michelle Bachelet

Michelle Bachelet, presidente do Chile, no Palácio de la Moneda, na quarta-feira (8)

Imperialismo impulsiona golpes de Estado contra governos nacionalistas burgueses em todo o mundo

9/4/2015

Causa Operária

Em 2008, o fracasso das políticas neoliberais colocaram a crise capitalista em uma nova etapa. O parasitismo da especulação financeira foi para um novo patamar, com o repasse de um volume enorme de recursos públicos para o cassino do mercado financeiro. A ideia seria “gerar confiança” nos investidores.

Apesar dessa tentativa dos capitalistas de salvar os lucros, a crise econômica continua. Para que os grandes monopólios e especuladores possam continuar lucrando em um sistema que está caindo de podre, a única saída da burguesia imperialista (os grandes monopólios econômicos) é esfolar os trabalhadores e vender todo o patrimônio público a preço de banana.

Nacionalismo burguês, um obstáculo

Diante dessa necessidade da burguesia imperialista de atacar os salários e os direitos dos trabalhadores e de destruir o patrimônio público e a indústria nacional dos países atrasados em todo o mundo, os governos nacionalistas burgueses se tornaram um obstáculo que precisa ser removido.

Governos como o de Dilma Rousseff, no Brasil, Michelle Bachelet, no Chile ou Nicolás Maduro, na Venezuela, entre muitos outros, independentemente de suas diferenças, são um mesmo tipo de governo. São governos nacionalistas burgueses, que se apoiam na burguesia nacional e na classe trabalhadora para governar.

De um lado, esses governos são pressionados pelos trabalhadores, fazendo concessões sociais. De outro, são pressionados pela burguesia nacional, contra os trabalhadores. A própria burguesia nacional, por sua vez, é uma burguesia mais fraca do que a burguesia imperialista, e entra em contradição com essa burguesia.

Contradições entre o imperialismo e a burguesia nacional no Brasil

A disputa pelo pré-sal, maior descoberta de petróleo no mundo em 30 anos, é exemplar. A política de conteúdo nacional do PT tenta desenvolver a indústria nacional do setor, gerando empregos e tecnologia nacional. Ao mesmo tempo, o regime de partilha que agora está sendo atacado, cede terreno para o imperialismo explorar o petróleo nacional.

É uma tentativa de conciliar os interesses da burguesia nacional e os interesses do imperialismo. Para o imperialismo, no entanto, isso não é o suficiente diante da atual crise econômica. Seu objetivo é explorar ao máximo os recursos dos países atrasados, além de sua mão de obra.

Embora tímida, a política do PT de impulsionar o desenvolvimento da indústria nacional na exploração do petróleo tornou-se intolerável para o imperialismo. Alguns números ilustram por quê. O lucro líquido médio anual da Petrobras durante o governo FHC foi de R$ 4,2 bilhões, enquanto nos governos do PT foi de R$ 25,6 bilhões. O investimento da empresa no Brasil, no quadro da política de conteúdo nacional, passou de US$ 2 bilhões por ano para US$ 3,5 bilhões por mês, cerca de US$ 120 milhões, todos os dias, investidos na indústria nacional. A cadeia produtiva nacional do petróleo passou de representar 5% da indústria em 2000 para 11,2% em 2010.

Além disso, a Petrobras desenvolveu tecnologia própria para explorar petróleo em águas profundas. Esses fatos e números mostram a contradição entre os interesses da burguesia nacional e os interesses da burguesia imperialista. É por isso que o imperialismo precisa passar por cima de governos nacionalistas burgueses, contra os interesses das burguesias nacionais e dos trabalhadores, em que esses governos se apoiam.

No Brasil, para impor essa política, com a privatização de tudo e um ataque feroz aos direitos dos trabalhadores, o imperialismo precisa se livrar do governo do PT. Esse é o sentido das mobilizações da direita para derrubar o governo.

A aprovação em praticamente um dia (em 8 de abril) do projeto da terceirização na Câmara dos Deputados, por ampla vantagem, mostra ainda que o isolamento do PT dentro da Câmara dos Deputados é grande e já há condições para um possível processo de impeachment, o atual nome do golpe (como fizeram no Paraguai, quando derrubaram o governo nacionalista burguês de Fernando Lugo).

O golpismo no mundo

Como acontece no Brasil, outros governos estão na mira da direita golpista ligada ao imperialismo. No Chile, havia rumores de que a presidente Michelle Bachelet renunciaria ao governo. Os boatos golpistas, espalhados pela direita, foram desmentidos pela presidente.

Chile

Na quarta-feira, 8 de abril, Michelle Bachelet, em uma reunião com correspondentes estrangeiros no Palácio de la Moneda, foi incisiva: “Não pensei em renunciar nem penso em fazê-lo. De modo algum”.

Os rumores de sua renúncia surgiram no meio de um escândalo de corrupção envolvendo o filho da presidente. Ele é acusado de utilizar informações privilegiadas do governo para fazer negócios privados.

Como no Brasil, a direita acusa o governo de corrupção para promover o golpismo. Embora no Chile todos os setores da política burguesa, da direita à esquerda, estejam implicados em um escândalo de financiamento ilegal de campanha, envolvendo a empresa de mineração Soquimich, lá também a corrupção está sendo usada em uma política golpista para derrubar o nacionalismo burguês.

A Soquimich pertence a um ex-genro do ditador Augusto Pinochet, Julio Ponce Lerou. Ele se tornou um magnata da mineração no Chile com a política de privatizações do general Pinochet.

Em 2013, as manifestações estudantis foram ponta de lança para o desgaste do  governo de direita de Piñera, acompanhados das lutas pela terra dos indígenas mapuche no sul do país, que sofreram com a militarização de suas terras devido os interesses sobre a mineração e o agronegócio. E no último ano de seu governo sofreu também devido às grandes greves dos portuários e dos mineiros.

Essas lutas são lutas contra a herança neoliberal da ditadura pinochetista. Bachelet mantém grande parte dessa herança de pé, mas tenta fazer reformas para tentar conter os diversos setores que se levantaram. Essas mínimas reformas já não são toleradas pelo imperialismo, que impulsiona o golpismo também no Chile.

Grécia

Desde que o Syriza assumiu o governo na Grécia, em 25 de janeiro, o governo grego também está na mira do golpismo. Nesse caso, os rumores vêm dos funcionários da União Europeia (UE), que discutem abertamente uma nova composição para o governo do País.

Conforme mostra uma matéria do Financial Times, o que se diz nos corredores da UE são coisas como:“Tsipras deve decidir se ele quer ser o primeiro-ministro ou o líder do Syriza”. Outro funcionário citado pela matéria (todos não identificados) diz: “Esse governo não pode sobreviver”.

A UE quer se livrar ou da esquerda do Syriza, empurrando o primeiro-ministro Alexis Tsipras para uma aliança de centro-esquerda com o Pasok e o To Potami, ou se livrar do Syriza no poder, expulsando-o do governo.

Para derrubar o governo grego ou obrigá-lo a aceitar a manutenção, intacta, das políticas de “austeridade”, a UE pressiona o País economicamente. Em fevereiro, o Banco Central Europeu (BCE deixou de aceitar títulos da dívida grega como garantia para a banca). Na prática, a instituição presidida por Mario Draghi estava inviabilizando os mecanismos de financiamento da dívida grega. A medida levou a uma queda imediata da bolsa de Atenas, e deixa como única alternativa para a Grécia linhas de financiamento de emergência, mais caras.

A tentativa é de desgastar o governo do Syriza e tirar o apoio popular que o partido ainda tem. Por outro lado, o Syriza é um governo de frente popular. Apesar da farta demagogia, as principais bandeiras de campanha foram logo abandonadas. A saída da UE e a moratória da dívida grega ficaram no papel.

De qualquer forma, o Syriza não conseguirá implantar a política de austeridade exigida pelo imperialismo e se manter no poder por muito tempo.

O aprofundamento da crise capitalista na Grécia fragilizou os mecanismos de contenção dos trabalhadores gregos que os ultrapassaram em várias ocasiões nas várias greves gerais e protestos que têm acontecido nos últimos anos, e poderão ainda vir a ser quebrados no próximo período.

Conforme for aumentando o confronto com os vários setores que compõem a esquerda da frente popular, que não conseguirão suportar abertamente as políticas impostas pelas potências imperialistas sem atacar ainda mais as massas trabalhadoras gregas, ficará colocado à ordem do dia o confronto aberto entre a classe operária e a burguesia de conjunto.

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