A filosofia Dogon e a origem do mundo (Leitura da noite)

30/04/2015 at 18:08 (*Liberdade e Diversidade)

filosofia dogonAninhado em falésia gigante ou habitando pequenos vilarejos, povo autóctone do Mali estuda Astronomia com o mesmo empenho que dedica à dança e máscaras

29/04/2015

Outras Palavres / Blog da Redação

No Afreaka

As falésias de Bandiagara carregam em seu ventre um pedaço de paraíso. O cenário contrasta o marrom avermelhado das rochas, o verde incisivo de árvores esparsas e das plantações familiares e o azul forte do céu sempre aberto. Ali, encaixados no cenário cru, espalham-se dezenas de vilarejos que dividem harmoniosamente o espaço com a natureza formando o País Dogon. Lembrando a origem do mundo, a região parece ter a resposta do equilíbrio entre homem e natureza que o futuro pede. Nos 150 quilômetros de falésia, antigas habitações encrustadas nas rochas, como cidades camaleões, se escondem na paisagem e dão um toque mágico à região.

Fugindo do processo de islamização na região sudoeste do Mali, os Dogon chegaram à região de Bandiagara no século XV, que antes era ocupada pelos ‘tellem’, responsáveis pelas construções das primeiras cavernas e casas incrustadas nas paredes da falésia. Dominando a região, posicionaram-se estrategicamente nas escarpas, construindo um refúgio natural contra possíveis invasores. Entrincheirada nas rochas e pendurada entre pedras, com vilas de difícil acesso no ambiente hostil, a população se protegeu por meio da arquitetura. O saldo, além da vitória contra as pressões históricas, foi a preservação de culturas e tradições seculares, que hoje tornam o povo Dogon uma das mais complexas e originais sociedades do mundo.

Com o fim do perigo de invasão e em razão de mudanças climáticas, no último século, a população começou a abandonar as habitações mais altas, ao longo das paredes da escarpa, instalando-se às bordas das montanhas e delineando os novos vilarejos. O resultado é uma paisagem excepcional onde passado e presente formam um coesivo encontro entre as duas disposições. Hoje, entre as três regiões que formam o País Dogon, planalto arenito, escarpa e planícies, existem 289 aldeias espalhadas, que abrigam aproximadamente 500 mil habitantes. As realizações arquitetônicas de cada vilarejo compõem estruturas únicas de casas, celeiros, altares e santuários, formando uma importante paisagem cultural, que reflete a engenhosidade e a filosofia da população local.

O povo Dogon carrega uma relação estreita com o meio ambiente, que é expressa em seus rituais e tradições sagrados, considerados pela Unesco entre os mais bem preservados da África subsaariana. Apesar do cristianismo e islamismo terem se espalhado pela região ao longo do último século, os valores ancestrais e a integração harmoniosa de elementos culturais permanecem autênticos e únicos. A população mantém uma série de tradições sociais como festivais, cerimônias e o culto dos antepassados. Entre os mais impressionantes patrimônios imateriais, está a Dança das Máscaras, um rito com alto grau de codificação, que para os Dogon experimenta em sua concretização a formação do mundo, a organização do sistema solar, o culto às divindades e os mistérios da morte.

A coreografia e a música que seguem a Dança das Máscaras são atribuídas a uma sociedade chamada Awa, palavra que pertence à linguagem secreta dos Dogon. Executada por um conjunto de mais de 20 dançarinos mascarados vestidos de roupas de fibras amarelas e vermelhas, a dança é também acompanhada pelos líderes tradicionais, líderes religiosos e pelos membros da sociedade de caçadores. Com mascarados em perna de pau, máscaras gêmeas e máscaras escadas, que chegam até seis metros de altura, a coreografia exige grande técnica dos bailarinos, cada um com vocabulário coreográfico específico conforme sua máscara. Os integrantes são todos homens, uma vez que apenas pessoas do sexo masculino e já iniciadas têm permissão para participar do ritual, apesar de que muitas máscaras homenageiam figuras femininas, evocando a importância da mulher na sociedade. Um por um, os membros da sociedade Awa vão entrando no palco, situado em um platô considerado sagrado. Aparecem usando máscaras de madeira pintadas em cores brilhantes, capuzes de tecido e roupas decoradas detalhadamente com búzios e palha. Cada máscara possui um significado que serve para conectar o mundo do Sol e da Terra, onde a vida e a morte se encontram.

A dança é recheada de mistérios cognitivos que representam os mitos e o pensamento simbólico local sobre o universo, que através da coreografia tece uma história paralela à tradição oral, transmitindo a cada geração os valores culturais da sociedade. Entre as estimas de mais importância está a cosmogonia Dogon, que abrange uma história complexa de lendas e crenças sobre as origens do universo e seus principais fenômenos. Com alto grau de conhecimento sobre astrologia, os Dogon acreditam que toda a criação está vinculada às estrelas. Antropólogos e sociólogos que estudaram a cultura revelam que a sociedade possui noções detalhadas sobre os quatro satélites de Júpiter, o satélite de Vênus, os anéis de Saturno e a o sistema binário da estrela Sirius. Alguns antropólogos e sociólogos como Germaine Dieterlen e Marcel Griaule, que viveram anos na região, acreditam também que o povo Dogon possui há séculos conhecimentos que a comunidade científica ocidental descobriu apenas recentemente.

dogon9O País Dogon, com seus mistérios e cenário deslumbrante é como um templo de um rico e complexo universo cultural. Uma região onde carros não existem, onde a natureza está intacta e onde o ciclo de vida é orgânico. Tombado como patrimônio mundial da Unesco, a falésia de Bandiagara e seus disfarçados vilarejos atraem turistas de todo o mundo em busca de uma experiência cultural única. A visita que pode demorar de 2 a 7 dias leva o visitante por caminhos virgens, passando por aldeias camufladas nas montanhas ou espalhadas nas planícies que rodeiam as escarpas. No caminho, entre as rochas, brotam jardins de cebola e alface, plantações familiares de milho, milhete e algodão. O contato com a população enriquece a estadia e poder dividir pequenos momentos do cotidiano Dogon transforma o viajante. Quilômetros de caminhada diária que abrem as portas para um mundo onde homem e natureza são intrínsecos e complementares.

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Dilma defende diálogo com trabalhadores e repudia violência

30/04/2015 at 16:05 (*Liberdade e Diversidade) (, )

dilmacentraissindicaisterceirizacaorobertostuckertfilhofotosDilma se reuniu com líderes de centrais sindicais nessa quinta-feira (Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação

Em clara referência à ação da Polícia Militar do Paraná, presidente disse que manifestações são legítimas

30 ABR 2015

Fernando Diniz / Brasília

Terra

Na véspera do Dia do Trabalhador, a presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quinta-feira, em encontro com centrais sindicais, a criação de um fórum de debate sobre políticas de emprego e renda. Em uma clara referência à repressão dos protestos de ontem no Paraná, a mandatária disse que as manifestações dos trabalhadores são legítimas e que é preciso estabelecer um diálogo “sem violência”.

“As manifestações dos trabalhadores são legitimas e temos de estabelecer esse diálogo sem violência. O princípio é respeito às manifestações democráticas, respeito ao diálogo, e repudio integral à violência”, afirmou a petista.

O fórum criado pela presidente, por meio de decreto, vai reunir as centrais sindicais, empresários, aposentados, pensionistas e representantes do governo. O grupo vai debater a sustentabilidade do sistema previdenciário, política de valorização do emprego e renda, medidas de redução da rotatividade do mercado de trabalho, aperfeiçoamento das relações trabalhistas e mecanismos para o aumento da produtividade.

“Para construir consenso e evitar violência, o único caminho que existe é o caminho do diálogo. E esse caminho do diálogo é saber conviver com diferenças”, disse a presidente. A presidente citou a violência em manifestações em outras ocasiões de seu discurso, um dia depois de a Polícia Militar do Paraná reprimir uma manifestação de professores em Curitiba. O Estado é governado por Beto Richa, do oposicionista PSDB.

Depois de decidir se pronunciar no 1º de Maio apenas nas redes sociais, a presidente fez uma defesa do ajuste fiscal promovido pelo governo federal no discurso inicial da reunião, transmitido pela TV oficial. Ela atribuiu a crise financeira a fatores externos e também internos, em razão da seca na região Sudeste. “Sugerimos uma série de medidas para evitar distorções e excessos. São essenciais para a atividade econômica e para a gente retomar o crescimento”, disse, em referência às mudanças no acesso do seguro desemprego e pensão por morte.

Terceirização

Cobrada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para se posicionar sobre o projeto de lei da terceirização, Dilma disse aos sindicalistas que a regulamentação é essencial, mas fez ressalvas. A Câmara aprovou a terceirização para todas as atividades de uma empresa, mas a petista acredita que deve haver uma diferenciação entre “atividade meio” e “atividade fim”.

“A regulamentação precisa manter, do nosso ponto de vista, a diferenciação entre atividades fim e atividades meio, nos mais diversos ramos da atividade econômica. E para nós é necessário para assegurar que trabalhador que tenha a garantia dos direitos conquistados nas negociações salariais”, disse.

SAIBA MAIS:

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Após panelaços, Dilma não fará pronunciamento no 1º de Maio

Renan diz que é “ridículo” Dilma não falar no 1º de Maio

Confusão entre público e privado no Brasil tem mesma idade da escravidão, diz Dilma 

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Renan diz que é “ridículo” Dilma não falar no 1º de Maio

30/04/2015 at 15:34 (*Liberdade e Diversidade)

renanRenan defendeu pacto pela geração de emprego durante crise financeira (Foto: Jane de Araújo / Agência Senado)

Para presidente do Senado, governo sofre paralisia e a presidente não tem o que falar para trabalhadores

30 ABR 2015

Fernando Diniz / Brasília

TERRA

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chamou de “coisa ridícula” a decisão da presidente Dilma Rousseff de não falar em cadeia de rádio e televisão no Dia do Trabalhador, em 1º de maio. Em entrevista nesta quinta-feira, o peemedebista não poupou palavras contra a petista ao considerar que ela “não tem o que dizer” nas políticas em defesa ao emprego.

“O governo tem que sair da paralisia, da falta de iniciativa, essa coisa da presidente não falar no dia 1º de outubro por não ter o que dizer é uma coisa ridícula, ridícula. Isso enfraquece o governo”, disse Renan.

O senador defendeu um pacto para assegurar a meta de geração de emprego durante a crise, assim como possui metas de inflação e superávit fiscal. Em referência as manifestações durante o pronunciamento no Dia da Mulher, em março, Renan disse que não se pode temer panelaços.

“Precisamos todos ouvir o que as panelas dizem. O que não podemos deixar de ter no Brasil é a falta de iniciativa, é falta de ter o que dizer. Certamente a presidente Dilma não vai falar por que não tem o que dizer”, disse.

Aliado do governo, Renan disse que o ajuste fiscal promovido pelo Palácio do Planalto é, na verdade, um “ajuste trabalhista”, por não cortar ministérios e cargos. “Esse ajuste sequer pode ser considerado ajuste fiscal, o ajuste tinha que cortar na carne, diminuir o número de ministérios. Sem fazer isso, é um ajuste trabalhista”, disse.

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*Comentário do blog: O duro é reconhecer pela primeira vez que Renan Calheiros está certo.

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Charge do Nicoliello: O discurso de Dilma via redes sociais

30/04/2015 at 15:07 (*Liberdade e Diversidade)

AUTO_nicolielo (1)*Charge do Nicoliello para o Jornal de Bauru (30/04). Um primor!

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Plantio de eucalipto aumenta chuva em regiões altas das Serras do Mar e Mantiqueira

30/04/2015 at 13:14 (*Liberdade e Diversidade)

eucalipto nas encostas aumenta chuvas

A substituição da vegetação natural das encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira pelo plantio de eucalipto aumenta o volume de chuva sobre as áreas mais altas e, consequentemente, os riscos de deslizamentos de terra nessas regiões serranas durante a estação chuvosa – entre dezembro e fevereiro.

30 de abril de 2015*

Elton Alisson | Agência FAPESP

A constatação é de uma pesquisa de doutorado realizada pela tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Viviane Regina Algarve, no âmbito do Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, apoiado pela FAPESP.

“Observamos que a mudança da vegetação natural por eucalipto nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira altera as trocas de energia entre a superfície e a atmosfera, modificando o padrão de circulação de vento que ocorre entre o vale e a montanha e, em razão disto, o transporte de calor e umidade para o topo das serras”, disse Regina Alvalá, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e orientadora do estudo, à Agência FAPESP.

“O aumento da convergência de umidade sobre os topos das montanhas facilita a formação e alimentação de nuvens, nevoeiros e tempestades”, explicou.

De acordo com dados do Anuário Estatístico da Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas, há mais de 6 milhões de hectares de florestas de eucalipto no Brasil, em regiões com diferentes topografias e padrões de chuva.

Em São Paulo, as plantações de eucalipto estão concentradas em cidades situadas próximas das Serras do Mar e da Mantiqueira, à exceção de Ribeirão Preto.

Com o aumento da demanda por celulose e madeira, as plantações de eucalipto têm sido expandidas para encostas íngremes em municípios próximos a essas duas regiões serranas do estado.

Em razão dessa e de outras mudanças no uso e cobertura da terra – como a conversão para área de pastagem –, que têm ocorrido nas últimas décadas nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira, está aumentando o volume de chuvas sobre as áreas mais altas dessas regiões serranas, o que pode resultar em riscos de deslizamentos, apontam os autores do estudo.

“Como o eucalipto é uma vegetação de porte alto, absorve muita radiação e, com isso, altera os balanços de energia e de água entre a superfície e a atmosfera. Isso acaba culminando em um aumento do volume de chuvas”, disse Alvalá.

Os pesquisadores analisaram séries históricas de dados de chuvas, referentes ao período de 1961 a 1990, de 25 estações meteorológicas distribuídas por municípios localizados próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.

“Observamos que, embora as alterações mais significativas no volume de chuvas tenham ocorrido sobre as áreas mais elevadas das Serras do Mar e da Mantiqueira, também houve um aumento do número de episódios de chuvas em algumas áreas na região do Vale do Paraíba”, afirmou Alvalá.

Projeções

A fim de avaliar os impactos da conversão de áreas de floresta para plantio de eucalipto ou para pastagem no regime de chuva das Serras do Mar e da Mantiqueira, os pesquisadores fizeram projeções usando o modelo climático regional ETA-CPTEC, com resolução espacial de 10 quilômetros, desenvolvido pelo Inpe.

As projeções indicaram que tanto a troca da vegetação natural por plantio de eucalipto como para área de pastagem levam ao aumento no volume diário de chuvas durante o verão, principalmente sobre as áreas mais elevadas das regiões serranas.

“A análise dos dados observacionais do período entre 1941 e 2012 e as simulações com o modelo meteorológico ETA para o período entre 1981 e 1990 indicam que as mudanças no uso e cobertura da terra observadas nas Serras do Mar e da Mantiqueira causaram o aumento no volume de chuvas em algumas áreas dessas regiões serranas”, avaliou Alvalá.

“Esse tipo de diagnóstico da evolução da mudança de uso da terra e suas implicações climáticas são essenciais para orientar tomadores de decisão de órgãos governamentais e da Defesa Civil na identificação de áreas de risco”, afirmou.

Em outro estudo, publicado no International Journal of Geo-Information, os pesquisadores avaliaram a suscetibilidade ao deslizamento de terra em áreas ocupadas por plantações de eucalipto em diferentes fases de desenvolvimento, ou convertidas em áreas de pastagem, em 16 municípios próximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.

Os resultados do estudo indicaram que as áreas convertidas para pastagem apresentam os maiores níveis de suscetibilidade, seguidas pelas que receberam novas plantações de eucalipto e as ocupadas por moradias.

“Há uma preocupação sobre a área crescente de plantações de eucalipto em encostas íngremes no Estado de São Paulo uma vez que não há estudos específicos sobre o impacto do reflorestamento em processos de movimento de massa”, ressaltam os autores do estudo.

De acordo com os pesquisadores, o eucalipto tem diferentes fases de desenvolvimento, que podem contribuir em maior ou menor escala para a ocorrência de deslizamentos de terra.

No estágio inicial de desenvolvimento – que dura entre dois e três anos –, as árvores de eucalipto possuem uma grande quantidade de folhas, que bloqueiam a exposição do solo à luz solar, tornando-o mais úmido e vulnerável a deslizamentos.

Já na fase adulta, diminui a quantidade de folhas das árvores de eucalipto, permitindo que a luz solar atinja e reduza a vulnerabilidade do solo.

Durante a fase da colheita do eucalipto, contudo, o solo fica completamente exposto à chuva e aumenta sua taxa de erosão, o que pode deflagrar deslizamentos de terra, apontam os autores do estudo.

“A taxa de erosão de uma área de colheita de eucalipto pode ser até quatro vezes maior do que a de uma região com vegetação preservada”, destacam.

*Pesquisa publicada originalmente em 7 de abril de 2015

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Vídeo MS: Inscrições abertas para o concurso Soy Loco Por Ti América

30/04/2015 at 12:27 (*Liberdade e Diversidade)

soy loco por te

Estão abertas, até 20/5, as inscrições para o concurso cultural Soy Loco Por Ti América, uma ação do Festival América do Sul Pantanal que pretende revelar o talento dos jovens a partir do 8º ano do ensino fundamental, do ensino médio e universitário de Mato Grosso do Sul.

30/04/2015

Informe MARCO

O objetivo é produzir um vídeo de curtíssima-metragem, com, no máximo, dois minutos, que mostre o Estado sob outro ângulo, outro ponto de vista.

Os três melhores vídeos serão premiados com câmeras de vídeo, tablets e celulares.

Informações e regulamento disponíveis no site:

www.festivalamericadosulpantanal.com/soyloco

Ou pelo e-mail: soylocoportiamerica2015@gmail.com.

Festival América do Sul Pantanal

Em sua 12ª edição, o festival agrega ao seu nome o Pantanal, uma das maiores riquezas da região.

O evento é realizado pelo Governo do Estado todos os anos em Corumbá.

A programação é composta por seminário, debates, exposições de artes plásticas, fotografia, artesanato, espetáculos de teatro, dança, shows musicais e outras manifestações artísticas que revelam a identidade dos povos sul-americanos.

MARCO – Museu de Arte Contemporânea de MS –  (67) 3326-7449
Aberto de ter. à sex. das 12h às 18h / sáb., dom. e feriados das 14h às 18h

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Comunicação sem limites* (Leitura matinal)

30/04/2015 at 11:27 (*Liberdade e Diversidade)

marcos borges 2

Charge de Marcos Borges

Editorial*

Jornal “O Estado MS”

30/04/2015

Mato Grosso do Sul é o segundo Estado do Brasil em número de habitantes que possuem uma linha de telefonia celular. A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indica que 83,5% de seus entrevistados no Estado se utilizam da tecnologia. E ainda conforme o estudo, 63,7% dos sul-mato-grossenses com idade entre 10 e 14 anos têm telefone celular. Isto é, entre nossas crianças e adolescentes, dois em cada três já se usam do aparelho com frequência.

Os números chamam a atenção. De um lado, mostram que as facilidades para acesso a essa tecnologia – que em muitos aspectos substituiu de uma tacada só o telefone fixo e o acesso à internet– estão à mão da população. Porém, também inseriu um novo elemento no cotidiano de crianças e adolescentes, usado em um primeiro momento para facilitar o contato entre pais e filhos, mas que também abre janelas perigosas com o mundo virtual.

Relatos sobre a exposição dos jovens a situações impróprias por meio da internet – como a divulgação de fotos e vídeos íntimos (que abre brechas para questões como corrupção de menores ou exploração sexual infantil)– são cada vez mais frequentes.

Curiosamente, a situação se faz presente em um momento em que os jovens sinalizam estar cada vez mais distantes. Se antes, o perigo para as crianças estava “na rua” ou em uma amizade não recomendada pelos pais, hoje a situação de risco pode estar presente nas próprias casas, até mesmo à mesa durante as refeições. Os avanços nas comunicações viabilizaram ferramentas antes inimagináveis.

Há 30 ou 40 anos, realizar uma ligação telefônica sem a linha física era algo considerado impossível. Hoje, todo um sistema de informação está “nas nuvens”, isto é, acessível ao se apertar uma tecla, ou melhor, com um simples deslizar de dedos na tela do smartphone. Algo que ajuda a aproximar aqueles que estão distantes, mas que também tem potencial para suprimir consideravelmente o contato entre as pessoas.

Nessa situação, a família deve estar presente. Não para privar crianças e jovens das facilidades das telecomunicações, mas para deixar claro que os riscos existem, para orientar e, acima de tudo, fazer-se presente. Muito mais do que uma foto e uma “carinha” no Whatsapp ou uma “curtida” em redes sociais.

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Projeto pantaneiro de preservação do tatu-canastra leva o ‘Oscar Verde’

30/04/2015 at 10:42 (*Liberdade e Diversidade)

oscar verde

Pesquisador recebeu prêmio das mãos da princesa Anne (Foto: Divulgação/WFN)

30 de Abril de 2015

ALINY MARY DIAS / Correio do Estado  

O projeto desenvolvido em solo sul-mato-grossense pelo pesquisador francês Arnaud Desbiez foi o grande vencedor do prêmio Whitley Award, conhecido em todo o mundo como o Oscar Verde. O projeto Tatu-Canastra Pantanal concorreu com mais de 200 pesquisas de todo o mundo e levou o prêmio na noite de ontem (29), em Londres, na Inglaterra.

Pela conquista, o pesquisador recebeu das mãos da princesa Anne, filha da rainha Elizabeth II, um troféu e 35 mil libras esterlinas (R$ 160 mil), que poderão ser investidas no projeto.

O prêmio é organizado pela Whitley Fund for Nature – WFN (Fundo Whitley pela Natureza). Durante o evento, um vídeo sobre o projeto desenvolvido em solo sul-mato-grossense foi apresentado. Você pode conferir a produção clicando aqui.

TATU-CANASTRA

Tatu-canastraO Tatu-Canastra é a maior espécie de tatu existente. Devido ao seu comportamento de viver embaixo da terra e em baixas densidades populacionais, contribuem para que esta espécie ameaçada seja muito pouco conhecida.

Hoje o Projeto Tatu-Canastra – Pantanal é o primeiro projeto de pesquisa em longo prazo dedicado a conhecer sua ecologia neste bioma utilizando radiotransmissores, armadilhas fotográficas, levantamento e pesquisa de suas tocas, monitoramento de indivíduos e mapeamento de sua área de uso e entrevistas com a comunidade local.

Recentemente, o projeto expandiu seus estudos a outras espécies de Xenarthras, como tamanduás e os tatus como, por exemplo, o tatu-de-rabo-mole (Cabassous unicinctus). O tatu-canastra junto com outras espécies de Xenarthras são considerados embaixadores da nossa biodiversidade, servindo como excelentes modelos para a educação ambiental e programas para iniciativas de conservação de espécies ou preservação de biomas nacionais e internacionais.

 Saiba Mais

Projeto pantaneiro de preservação do tatu-canastra é finalista do ‘Oscar Verde’

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‘Tem uma anta na Sesau’: polícia tem trabalho para retirar animal de órgão público em Campo Grande, MS

30/04/2015 at 10:13 (*Liberdade e Diversidade) ()

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Onda conservadora: nem tsunami, nem marolinha (Leitura da noite)

29/04/2015 at 21:48 (*Liberdade e Diversidade)

marolina e tsunamis

28/04

marcus-ianoni-66x63Marcus Ianoni / Jornal do Brasil

A mudança social pode ser progressiva ou regressiva. É progressiva quando a revolução democrática avança, criando e ampliando direitos e conquistas da cidadania em várias esferas, como a civil, a política, a social, a econômica, a cultural, a ambiental, a de gênero, a racial etc. E é regressiva quando a roda da conjuntura – que pode abranger um tempo histórico menor ou maior –, movida pela ação das forças sociais contextualmente determinadas, que se relacionam politicamente através de lutas, disputas, acordos, alianças, composições e oposições, gira para contrapor-se às tendências igualitárias. Mas, além das forças sociopolíticas, o Estado, a elas articulado, também desempenha um papel-chave na mudança social.

A conjuntura brasileira atual caracteriza-se pela emergência do conservadorismo, que surge como uma reação de classes, frações e estratos sociais às transformações progressistas implementadas no país a partir da vitória eleitoral de Lula, em 2003. A conquista do governo pelo principal líder do PT, em contexto de crise das políticas neoliberais na América Latina, alterou a relação de forças e propiciou a conformação, ainda que limitada, de um bloco sociopolítico e político-institucional de corte social-desenvolvimentista, que impactou na emergência de uma nova safra de políticas públicas. Seguiram-se uma série de mudanças institucionais e socioeconômicas, que produziram inclusão social, através do mercado e das políticas sociais, ampliação de direitos e o fortalecimento de mecanismos de interação democrática entre Estado e sociedade.

No governo Dilma 1, houve um relativo desarranjo dos nexos democrático-institucionais que suportavam a aliança social-desenvolvimentista. Além disso, outros três problemas ocorreram: os escândalos de corrupção (julgamento da Ação Penal 470 no STF e Operação Lava Jato), o baixo crescimento e o acirramento do conflito distributivo, cujas primeiras expressões públicas mais claras foram as manifestações de junho de 2013 e os rolezinhos de janeiro de 2014. Apesar das quatro vitórias sucessivas nas eleições presidenciais, o PT e o governo da presidenta Dilma, mandatária reeleita em um contexto de acirrada disputa contra a coalizão neoliberal liderada pela grande mídia, foram acossados pela direita liberal-conservadora, que, como não é novidade, possui bases sociopolíticas e político-institucionais na sociedade brasileira. Apesar da reeleição de Dilma, o Congresso eleito em outubro de 2014 e empossado em fevereiro desse ano tem, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), o perfil mais conservador de todo o período pós-1964. Aumentou o número de parlamentares militares, religiosos e ruralistas, por exemplo, grupos com perfil político predominantemente conservador. No caso dos religiosos, o conservadorismo abriga-se, sobretudo, na bancada evangélica. E o número de deputados federais comprometidos com as causas sociais caiu.

Os conservadores têm apego às instituições sociais e políticas tradicionais e resistem às mudanças. Na história contemporânea, ocorreram várias reações conservadoras, como, por exemplo, na Europa, a partir do fim das Guerras Napoleônicas, com um conteúdo monárquico, antiliberal e antinacionalista e nos EUA, no século XX, contra as reformas progressistas e o New Deal. O referido conservadorismo europeu, aberto pelo Congresso de Viena, foi um tsunami continental.

No Brasil, a onda conservadora, que tem no presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma importante alavanca institucional, entre outras façanhas, se opôs à Política Nacional de Participação Social e está dando asas a projetos de lei como o Estatuto da Família, que vai de encontro aos direitos dos casais homossexuais, o Estatuto do Nascituro, que questiona pesquisas com células tronco, quer incluir o aborto na categoria de crime hediondo e aprovar a proposta do Dia do Orgulho Hetero, reduzir a maioridade penal, constitucionalizar o financiamento empresarial eleitoral e instituir o chamado distritão, um sistema eleitoral ainda mais personalista e nocivo ao fortalecimento dos partidos que o atual. Uma agressiva frente conservadora se observa no modo como a grande mídia e setores da oposição estão abordando os problemas de corrupção, especialmente a Operação Lava Jato. Enquanto os holofotes deixam em segundo plano a Operação Zelotes, que envolve bilionárias quantias de sonegação e fraude feitas por empresas e elites da burocracia pública, toda uma ofensiva é feita para associar a corrupção ao partido e aos governos que introduziram as mudanças progressistas que hoje estão em risco, ou seja, ao PT, Lula e Dilma. Como se não bastasse, o conservadorismo avança em duas frentes estratégicas, de grande impacto na economia: por um lado, na macroeconomia, com a retomada das altas na taxa básica de juros e o ajuste fiscal na gestão pública, por outro, na terceirização nas relações de trabalho.

Se hoje ainda não há um tsunami por aqui, também não se trata de mera marolinha. O conservadorismo representa uma coalizão de diversos interesses, incluindo o rentismo e a financeirização, nacional e internacional, a ofensiva do capital globalizado contra a força de trabalho regulamentada, a cobiça pela gestão neoliberal da Petrobras, à qual o modelo de partilha se opõe, a manutenção do status quo da desigualdade que alguns estratos das classes médias tradicionais não querem contribuir para alterar, certa fé obscurantista de lideranças religiosas etc. O que fazer para enfrentar essa onda conservadora é a grande questão a ser debatida e respondida pelas forças progressistas, que alavancam a revolução democrática.

Marcus Ianoni é cientista político, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador das relações entre Política e Economia.

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