A inesquecível visita ao Engenho de Zé Lins (Leitura da manhã)

29/03/2015 at 13:55 (*Liberdade e Diversidade)

PORTAL PILARfoto de Rubenio Marcelo-Rubenio Marcelo*

Quinta-feira passada (26/3), por ocasião do evento ‘Chá Acadêmico’ da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, assistimos a uma interessante palestra ministrada pelo jornalista/escritor/acadêmico Hermano de Melo, que tratou do tema “O regionalismo de José Lins do Rego”. Titular da cadeira nº 14 da ASL e residente em Campo Grande, Hermano – nascido no estado da Paraíba, que também foi o berço natal de Zé Lins – teceu relevantes detalhes acerca da obra do eterno “Menino do Engenho”.

Em face da pauta supracitada, não tive como não me lembrar de visita que fiz – em janeiro de 2010 (juntamente com o poeta Fernando Cunha Lima) – àquela região, a convite oficial do então secretário adjunto de Cultura de Itabaiana, cidade paraibana situada a 70 km de João Pessoa e que doou [ao mundo das artes] filhos brilhantes, como o poeta popular Zé da Luz (1904 – 1965), o músico Sivuca (1930 – 2006) e o escritor Reginaldo Alves de Araújo (atual presidente da ASL).

Pilar-PB

Pilar-PB

Vizinhando Itabaiana, com cerca de 11.500 habitantes, viceja a pacata Pilar, terra do romancista José Lins do Rego (1901- 1957), ícone fecundo da literatura regionalista do nosso país. O seu livro pioneiro, Menino de Engenho (publicado em 1932), já demonstrava o grande talento do autor. A esta obra de sucesso seguiram-se outros destacados livros de Zé Lins, como: “Doidinho” (1933), “Banguê” (1934), “O Moleque Ricardo” (1935), “Usina” (1936), “Pureza” (1937), “Pedra Bonita” (1938), “Riacho Doce” (1939), “Fogo Morto” (1943), “Eurídice” (1947); “Cangaceiros” (1953), e “Meus Verdes Anos” (1956), ano em que foi empossado na Academia Brasileira de Letras).

Mas voltando aos aspectos da visita, o nosso Dia Cultural teve início cedinho, quando fomos recepcionados por autoridades locais, com expressivo calor fraterno, no “Sivuca Cultural Café” (Praça Epitácio Pessoa, Centro, Itabaiana). Lá, tudo já estava diligentemente preparado, inclusive exposições de obras. Assim, permutamos informações com os presentes e recebemos vários materiais de artistas do município, ao tempo em que apresentamos a nossa obra autoral.

Após isto, estivemos em vários pontos turísticos itabaianenses. Já por volta das 13h, dirigimo-nos em caravana cultural  para a vizinha cidade de Pilar, onde fomos recebidos pelo secretário executivo de Cultura e pela presidente da Fundação Menino de Engenho, que nos acompanharam (sempre detalhando informações valiosas) em pontos turísticos e culturais do município.

Na Terra de Zé Lins, visitamos – conforme programação preestabelecida – a Fundação Menino de Engenho [um casarão reformado, de dois andares, que foi a antiga Cadeia e Casa de Câmara de Pilar – local este onde, no ano de 1859, o Imperador D. Pedro II concedeu beija-mão (comenda tradicional da época) à sociedade paraibana].

sivucaEstivemos na Praça José Lins do Rego, conhecendo o seu Busto – que foi inaugurado em 1951, pelo próprio Zé Lins (acompanhado de Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre e outros. Este monumento foi reinaugurado em 2001, nas comemorações do Centenário de Nascimento do escritor, com as presenças das suas três filhas: Maria Elisabeth, Maria da Glória e Maria Christina). Conhecemos, também de perto, a ‘casa da Tia Naninha’, onde Zé Lins viveu parte de sua infância (esta casa é citada pelo autor no seu livro “Meus Verdes Anos”). Tia Naninha foi considerada a sua ‘segunda mãe’, vez que ele logo ficou órfão de mãe.

Engenho de Zé LinsE finalmente fomos ao emblemático Engenho Corredor – onde nasceu José Lins do Rego e que a ele serviu de inspiração para vários livros – e ali visitamos a famosa Casa-Grande, uma típica construção da época (séc. XIX), com suas pilastras e alpendres e cômodos transbordantes de magia e reminiscências. Registramos tudo (em lentes objetivas e fibras da memória). Somente à noitinha deixamos as dependências do Engenho de Zé Lins e retornamos à capital João Pessoa, matutando envolto nas imagens e estesias divinais daquela significativa e inesquecível visita.

*Poeta – Secretário Geral da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.

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2 Comentários

  1. Medeiros Braga said,

    Magnífico relato. Resgate fantástico.

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