Sacolas de “dinheiro” na Esplanada marcam ato pela reforma política

24/03/2015 at 20:33 (*Liberdade e Diversidade)

Sacolas e reforma políticaAs organizações pretendem reunir 1,5 milhão de assinaturas no projeto de iniciativa popular para a reforma política.  Foto:   Bruno Gonçalves

24 de março de 2015

Portal Vermelho

A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, amanheceu repleta de sacolas de dinheiro falso fazendo alusão aos recursos de empresas que financiam campanhas eleitorais. O ato, promovido nesta terça-feira (24) pelo conjunto de 110 entidades da sociedade civil, denominado Coalizão Política, é mais um passo no sentido de mobilizar a sociedade por uma reforma política ampla e democrática.

O ato também denuncia a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que serviu de base para a criação da comissão especial da reforma política que discute o assunto na Câmara dos Deputados. A proposta pretende tornar constitucional a doação eleitoral de empresas privadas e públicas nas campanhas.

Para a líder do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali, o texto é um retrocesso: “Empresa não é eleitor, ela não vota. Não tem motivo dela participar das campanhas eleitorais, porque isso cria uma distorção no processo democrático e vai contra o conjunto da população”, destacou a parlamentar.

Ainda segundo Jandira, este tipo de financiamento contribui para a péssima representatividade parlamentar: “As empresas financiam candidatos com visões similares às deles, por isso elegem-se ruralistas, pessoas ligadas ao poder econômico e grupos religiosos. Enquanto isso, as minorias vão sendo isoladas pelo atual modelo eleitoral”, aponta a deputado.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) confirma que as PECs discutidas na Comissão Especial sobre Reforma Política “não traduzem os anseios da população e não tratam do que é mais importante: o financiamento público de campanhas eleitorais. Mais cedo ou mais tarde, empresas que financiam políticos cobram o favor e quem paga a conta é o povo brasileiro.”

O diretor do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Carlos Alves Moura, anunciou  que as organizações pretendem reunir 1,5 milhão de assinaturas no projeto de iniciativa popular para a reforma política, número mínimo exigido por lei. Até o momento, elas contabilizam mais de 500 mil assinaturas de eleitores.

“Hoje estamos aqui especificamente pela questão do financiamento eleitoral feito por empresas, mas o projeto é mais amplo. Estamos promovendo essas manifestações em várias capitais e queremos sensibilizar os parlamentares e a sociedade em geral para essa proposta que surge da vontade popular”, resumiu Moura.

Além da proibição do financiamento, as organizações da Coalizão Política defendem a realização de eleições em dois turnos (o primeiro com voto em lista de partidos e o segundo nos candidatos) e maior participação popular por meio de plebiscitos e referendos, que seriam convocados para questões nacionais. Entre essas questões o grupo destaca concessões de serviços públicos, privatizações, construção de obras de grande impacto ambiental, alienação de bens públicos e outros.

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