Esquerda primitiva e direita truculenta (Leitura da manhã)

23/03/2015 at 10:55 (*Liberdade e Diversidade)

esquerda-direita

Landes PereiraLandes Pereira*

 

23/03/2015

 

O povo nas ruas mostrou insatisfações e idiossincrasias partidárias, tendo por detrás um diversificado jogo de interesses de grupos e facções ideológicas que tentavam, subjetivamente, manipular as manifestações espontâneas. Espetáculo bonito e destacado pela imprensa mundial. Despertou a atenção dos observadores independentes, em dois momentos históricos.

Na sexta-feira, 13, quando a “esquerda” e seu primitivismo ideológico saiu às ruas “em apoio ao governo”, ao mesmo tempo em que protestava contra a política neoliberal adotada por Dilma. A CUT e o MST, no tradicional imobilismo ideológico, foram incapazes de avançar em novas propostas. Nada acrescentaram, mesmo assim, foi bom vê-los em campo aberto.

No domingo, 15, manifestantes se agruparam, aleatoriamente, em blocos que alegremente cantavam e dançavam. Verdadeira “catarse patriótica” alimentando a esperança de um possível reencaminhamento político do país. Uma festa.

A “extrema direita” se infiltrou entre os populares nas ruas. Trouxeram propostas, entre as quais a “intervenção militar” e o endurecimento do regime político. Não foi levada a sério, apenas mostrou que está viva. Antipetistas enraivecidos, incluindo organizações ligadas aos esquemas filosófico-religiosas tradicionais, acreditando na possibilidade de impeachment, comandaram a evolução.

Os desiludidos, os que acreditaram nas promessas da candidata à reeleição e foram “traídos” em suas expectativas, também estavam lá. Não querem o “fora Dilma”, mas não perdoam o estelionato eleitoral.

A grande massa popular entoava slogans, partindo e voltando ao “fora Dilma”. O surpreendente é que nesse clamor livraram a “cara” dos parlamentares e dos empresários corruptos. Nas calçadas, os que apoiam o governo a tudo assistiam, calados.

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Na segunda-feira, 16, a presidente, em rede nacional, jogou a culpa “na crise internacional”, não reconhecendo nenhuma falha interna. Afirmou que a corrupção não nasceu em seu governo e relembrou à nação que ela lutou contra a “ditadura militar”. Assim, a crise continua, o povo voltará para as ruas e o Congresso continuará obstruindo qualquer ação conciliatória. Nesse cenário, quais alternativas podem ser vislumbradas?

A primeira seria uma saída pela esquerda, ignorando os protestos e se impondo ao desgastado Congresso. Significaria um aprofundamento do “populismo assistencialista”, o aumento dos gastos públicos e a fuga dos investimentos.

A segunda seria a renúncia da presidente, quando então assumiria o vice-presidente Michel Temer, caso não houvesse impedimento. A entrega do poder ao Congresso (renúncia branca) seria a terceira. Uma reforma ministerial entregaria a escolha dos novos ministros para as lideranças assentadas no comando de Congresso Nacional.

O impeachment é a terceira opção. No primeiro momento, levaria o vice Michel Temer ao poder. Caso também ele seja impedido, o deputado e pastor evangélico Eduardo Cunha, presidente da Câmara, assumiria a presidência da República e convocaria eleições gerais.

A adoção de um “ministério de notáveis”, com mínima participação partidária, também é alternativa. Agradaria o povo, mas desagradaria aos partidos e aos políticos. Fernando Collor tentou essa manobra em 1992.

Finalmente, a desgastada hipótese do “Pacto Político, Econômico e Social” para na desconfiança popular que veria nela a construção de ampla impunidade para corruptos, em nome de uma indulgente união nacional. Saída tem e será encontrada. É aguardar os acontecimentos.

*Economista com mestrado e doutorado. É professor de Economia Política

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