Sinais de um país democrático (Leitura vespertina)

19/03/2015 at 15:17 (*Liberdade e Diversidade)

manifestações populares2

gerson_luiz_martinsGerson Luiz Mello Martins*

19/03/2015

O Estado MS

As manifestações populares ocorridas em todo o país mostram que a população, quando quer, sabe fazer valer a sua opinião. É imperativo que a sociedade mostre e demonstre ao governo em geral, não somente ao Executivo (presidente, governador, prefeito), mas também ao Legislativo (senadores, deputados federais, estaduais e vereadores) e ao Judiciário que há uma insatisfação generalizada com os rumos da política e da economia no país.

Infraestrutura obsoleta, ruas esburacadas, calçadas precárias, estradas também esburacadas, serviços de comunicação caros, transporte público deficiente, entre outros fatores. Sistema de saúde que não consegue atender satisfatoriamente a população. Sistema educacional que não promove o desenvolvimento pessoal e não tem condições de infraestrutura adequada. Uma série de problemas sociais que a carga pesada de impostos que o brasileiro paga todos os dias não resolve.

De outro lado, milhões de reais do dinheiro público vão para interesses privados, pessoais, que nada contribuem para a sociedade, somente para o sujeito corruptor e corrompido.

Independente dos tons partidários, as manifestações no país demonstram, novamente, que a população não é mais passiva. Os meios de comunicação – e aqui não se refere à TV, ao rádio e jornais, mas à internet e sua capilaridade de redes sociais– mostram que a sociedade brasileira é crítica e sabe se informar sobre o que acontece no país e os seus direitos como cidadão. A disseminação acentuada de informações pelas redes sociais democratiza os fatos e estão à frente do que apresenta, cotidianamente, jornais, TVs, emissoras de rádio, cibermeios e os jornais na internet.

As grandes empresas de mídia colaboram com uma injeção de informações contundentes sobre as mazelas provocadas pela corrupção, por uma economia que privilegia grandes capitais e sufoca o cidadão que paga impostos todos os dias. No entanto, a força mobilizadora para as manifestações ocorre pelas redes sociais, não somente no convite à participação, mas, principalmente, na difusão de informações muito mais capilares que subsidiam pessoas e as incentivam para “ir às ruas”!

Pesquisadores, sociólogos, antropólogos e psicólogos falam sobre a índole passiva do brasileiro. E isto pode ser fato. Neste raciocínio a participação nas manifestações de rua é resultado de um estado de sufoco em que as pessoas se encontram. Trata-se de uma crise muito grave de credibilidade. E, neste caso, não pensem os políticos de oposição, seja para que manifestação for que o cidadão faz o jogo do “bom mocinho e do mau caráter”!

A insatisfação, o descrédito, é generalizado para todas as esferas de estrutura de governo. Desde a falta do posto de saúde, de responsabilidade da prefeitura, até a falta de infraestrutura das universidades públicas, competência de governos estaduais e federal.

Portanto, não se deve creditar para a estrutura política de situação ou oposição o resultado das ruas. Se pessoas, famílias, grupos, foram para as ruas, é porque a insatisfação é muito grande. Cabe ao poder político instituído, em todas as esferas e níveis, ouvir e dar atenção às vozes das ruas. De forma imediata! Cabe aos meios de comunicação dar voz e atenção às reivindicações da população e fazer o seu papel como mediador entre a sociedade e o poder público.

*Jornalista e pesquisador do Ciberjor e PPGCOM-UFMS gerson.martins@ufms.br

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