“Esta é a hora de calar”, diz Duque à CPI da Petrobras

19/03/2015 at 11:40 (*Liberdade e Diversidade) ()

duqueO ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque (Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados / Divulgação)

Ex-diretor é mencionado como destinatário do pagamento de propinas por pelo menos cinco delatores da Operação Lava Jato

19 MAR 2015

Débora Melo / Terra

Direto de Brasília

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, convocado para depor nesta quinta-feira à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, se reservou o direito constitucional de ficar calado. Duque foi apontado por delatores como um dos chefes do esquema de corrupção na estatal.

“Existe uma hora de falar e uma hora de calar. Esta é a hora de calar”, disse Duque à CPI. “Me encontro preso, então, por esse motivo é que estou exercendo o meu direito constitucional ao silêncio”, continuou.

Duque é mencionado como destinatário do pagamento de propinas por pelo menos cinco delatores da Operação Lava Jato: o ex-gerente de Tecnologia da estatal Pedro Barusco, o ex-diretor Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e os empresários Júlio Camargo e Augusto Mendonça Neto. Ele nega todas as acusações.

O ex-diretor também foi apontado por Barusco como o responsável por tratar o pagamento de propinas com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

A prisão de Duque foi determinada pelo juiz Sérgio Moro. Segundo ele, mesmo após a deflagração da Operação Lava Jato, no ano passado, Duque continuou cometendo o crime de lavagem de dinheiro, ocultando valores de propina em contas secretas no exterior, por meio de empresas offshore (localizadas em paraísos fiscais).

Segundo os investigadores da Lava Jato, os 20 milhões de euros (aproximadamente R$ 70 milhões) bloqueados em bancos na Suíça e em Mônaco, não são compatíveis com a renda de Duque, que também é acusado de corrupção e fraude em licitação.

A Operação Lava Jato, que começou em março de 2014, investiga um esquema bilionário de desvio de recursos na Petrobras. A última fase da operação, deflagrada no início desta semana e que resultou na prisão de Duque, foi batizada de “Que País é esse?”, frase que teria sido dita pelo ex-diretor ao seu advogado, quando foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado.

Câmara suspende regra

O depoimento de Duque à CPI da Petrobras só é possível graças à suspensão temporária de um ato da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, de 2006, que “veda a realização de oitivas de presos nas dependências” da Casa. Ontem, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu abrir uma exceção e suspendeu a proibição para que Duque seja ouvido. A decisão de Cunha foi uma resposta a um pedido do presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB).

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