‘Impeachment’, ‘intervenção militar’, ‘basta de Paulo Freire’… o que querem os manifestantes? (Leitura vespertina)

16/03/2015 at 18:42 (*Liberdade e Diversidade)

folha 1Capa da ‘Folha’ desmente números oficiais, que afirmavam haver 1 milhão nas ruas, em SP

Um milhão virou 210 mil, com uma pauta onde não se via a luta pelos menos privilegiados

16/03/2015

Jornal do Brasil / Opinião

Nos protestos de domingo (15) contra a presidenta Dilma Rousseff, na Avenida Paulista, os 1 milhão de participantes que, segundo a PM, estavam nas ruas, num passe de mágica se transformaram em 210 mil, segundo o Datafolha.

Levando em consideração de que havia muitas famílias na passeata, com pais, mães e filhos, podemos chegar à conclusão de que havia em torno de 140 mil pessoas com idade para votar. Ora, em São Paulo Aécio Neves contou com 4,1 milhões de votos na capital e com 15 milhões de votos em todo o estado.

Podemos chegar à conclusão de que boa parte das pessoas que votaram em Aécio não aderiu aos protestos. Aliás, nem Aécio foi para as ruas. Assistiu pela janela, em Ipanema.

Com relação às manifestações, ficam perguntas no ar: havia faixas pedindo aumento do salário mínimo? Defendendo o direito das mulheres? Dos negros? Havia cartazes defendendo os direitos humanos?

Não. O que se viu foi “fora Dilma”, “fora PT”, “intervenção militar, já”, e “Impeachment”. E os pedidos de impeachment durante o protesto se sucederam mesmo após os mais renomados juristas, a CNBB e a própria adversária de Dilma nas eleições, Marina Silva, terem afirmado exaustivamente que, além de não ter base jurídica e constitucional, o impeachment só seria mais prejudicial ao país.

O que se viu nas ruas foi um processo radical contra o PT e Dilma. E o governo, ao reagir, passou o recibo que, a juízo de especialistas, não tinha a necessidade de passar. Acusou o golpe que era contra o governo e contra as instituições, por razões individuais, em função das recentes eleições.

Os cerca de 20 criminosos flagrados armados – se realmente estavam armados – que supostamente tinham o objetivo de causar confrontos na passeata, são a comprovação triste de que tais fatos podem se repetir, talvez em maiores proporções, em novos protestos, com uma população mais raivosa.

folha 2No cartaz durante protesto de domingo, em Brasília, ‘Basta de Paulo Freire’

Num dos flagrantes do protesto, manifestantes, em Brasília, mostravam cartaz onde de lia “Basta de Paulo Freire”, um dos mais brilhantes educadores, pedagogos e filósofos da história do Brasil, sendo considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. Basta, não é de Paulo Freire. Basta é com as provocações em que só perdem os que têm o que perder.

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2 Comentários

  1. marielfernandes said,

    Ainda sem saber o que as pessoas querem? Talvez, é só um palpite, um pouco de decência no governo, nos governantes e no modo de governar.

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