Crise política e desequilíbrio econômico (Leitura matutina)

16/03/2015 at 11:16 (*Liberdade e Diversidade)

Charge-Crise-EconomicaLandes PereiraLandes Pereira*

Quando ocorre recessão econômica e, simultaneamente, inflação, tem-se a “estagflação”. As autoridades não sabem o que fazer de imediato, porque os “remédios”, todos monetaristas, são antagônicos entre si: para a inflação é forçar o recuo da demanda, e para a recessão é aumentar a demanda.

O Brasil tende a um processo “estagflacionário”, a não ser que rompa a crise política a tempo de se redirecionar o aparelho produtivo. No primeiro mandato, a presidente construiu uma situação econômica e social desequilibrada, represando importantes itens da conjuntura para garantir a reeleição. Passadas as eleições, essas variáveis foram liberadas de supetão. Depois, lançou um “pacote neoliberal” na tentativa de reequilibrar as contas públicas.

O presidente do Senado devolveu a MP para o Planalto, que a retornou como projeto de lei. O veto à MP que reajustava a tabela do IRPF em 6,5% foi aprovado pelo Congresso, mas, ato contínuo, nova MP foi encaminhada, fazendo um reescalonamento das alíquotas da tabela por faixa salarial (6,5%, 5,5%, 5%, 4,5%).

Isso significa uma “garfada” linear (mais de 2% mensal, de janeiro de 2014 a março de 2015) e outra escalonada (de abril a dezembro deste ano) na renda dos assalariados. É uma redução salarial. Ocorre que o esquema de corrupção que assola o país criou um fosso entre Executivo e Legislativo, com a mediação do Judiciário. As coisas se complicaram e agora está difícil desconstruir erros do passado recente. Mas como está não pode ficar.

Pedro Barusco, ex-gerente executivo de Abastecimento da Petrobras, em depoimento na CPI da Câmara, detalhou o esquema de corrupção na estatal, anteriormente delineado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa. De maneira coloquial, assustou os parlamentares, alguns denunciados como beneficiários das propinas. Cinicamente, mostrou os percentuais da distribuição – ele recebia 0,5%, que totalizou US$ 100 milhões, e João Vaccari, tesoureiro do PT, recebia 1% (sem considerar as demais diretorias envolvidas no esquema).

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A crise (de gestão, econômica, de valores e política), é de inegáveis proporções. A economia recessiva e inflacionada é consequência de uma gestão administrativa mal direcionada. A crise política é consequência da corrupção quase generalizada que destrói valores morais e instaura o descrédito do poder constituído junto à população.

O presidente do Senado e o presidente da Câmara foram incluídos na lista dos possíveis políticos a serem investigados em decorrência da operação Lava Jato. No STF o ministro Dias Toffoli (que foi advogado do PT, assessor na Casa Civil e advogado-geral da União) foi transferido da Primeira Turma para a Segunda, a qual será responsável pela maioria dos processos da Operação Lava Jato. Já esteve com a presidente Dilma, em reunião reservada.

A manifestação “Fora Dilma” foi interessante porque mostrou o povo nas ruas. Para lá, foram os que querem uma intervenção militar, outros que querem uma nova eleição, e aqueles que votaram em Dilma e sentem-se traídos porque as promessas eleitorais não foram cumpridas. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) expressa o pensamento dos oposicionistas: “Não quero que ela saia, quero sangrar a Dilma, não quero que o Brasil seja presidido pelo Michel Temer”. E poderia completar: nem que o Lula vença em 2018. A manifestação de apoio à Dilma Rousseff foi pífia. Mas nem tudo está perdido para o Brasil, considerando que “Deus é brasileiro”. É esperar para ver o que acontecerá nos próximos dois anos.

*Economista com mestrado e doutorado. É professor de Economia Política

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