Professora se muda para favela Cidade de Deus em Campo Grande, MS, e dá aulas de reforço e cuida de alunos

05/03/2015 at 10:04 (*Liberdade e Diversidade)

escola cidade de deusDelair Coelho quis ‘fazer a diferença’ e adotou 40 crianças no local (Foto: Cleber Gellio)

05 de março de 2015

Por Jones Mário / O Estado MS

Ela deixou para trás 17 anos de trabalho em salas de aula para se dedicar a 40 crianças da favela Cidade de Deus – região sul de Campo Grande. Professora de Língua Portuguesa por formação, Delair Coelho, 43, conta que encontrou a felicidade em meio aos sorrisos acanhados daqueles a quem chama de filhos.

A escolinha de reforço que começou a funcionar em agosto de 2013 aos fins de semana é hoje um lar, que oferece banho, comida e afeto aos pequenos desassistidos da comunidade.

Religiosa, Delair atribui a iniciativa a um chamado divino e descarta assumir qualquer mérito pelo projeto. A professora resolveu se mudar em definitivo para a Cidade de Deus há pouco mais de uma semana e mantém apenas o emprego na Escola Estadual Teotônio Vilela, onde leciona durante a noite.

Ela mantém a rotina na escola da favela, de segunda a sexta-feira, onde serve até cinco refeições diárias às crianças, dá aulas de religião e reforço. “Eles chegam às 8h e vão para a capela, onde rezam e depois voltam para tomar o café. Às 9h30 começa o reforço, em que os mais velhos ensinam os mais novos. Às 11h, eles almoçam e quando acabam vão para casa para ir à escola, porque a maioria estuda à tarde”, detalhou Delair.

Filhos da educadora também se mudaram para a favela com ela

A turma do período vespertino que frequenta o local é composta, em maioria, por crianças que não estão matriculadas em escolas. Segundo Delair, elas chegam e lancham às 14h, jantam às 16h30, rezam e se despedem. Aos sábados, os atendidos ficam até 11h no local e recebem aulas de educação física e de teatro.

Sobre deixar uma carreira estável, Delair não esboça arrependimento. “Eu dava aula em sete escolas particulares, mas larguei tudo para vir para cá. Aqui eu me encontrei, sou muito mais feliz do que era antes”, revela.

Seus quatro filhos de sangue não foram morar com ela na Cidade de Deus, mas o apoio dos mais novos já lhe serve de alento. Quanto aos mais velhos, eles “não entendem muito”, lamenta a professora.

E é de pés humildes no chão que ela faz a diferença e busca refletir a esperança de dias mais justos e melhores nos olhos de seus 40 filhos. A professora Delair é a primeira reportagem da série que O Estado preparou em homenagem às mulheres, que no domingo, 8 de março, recebem homenagem.

Serviço – Quem quiser fazer doações ao lar pode entrar em contato pelos telefones (67) 9322-0600 e (67) 9277-5939.

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