Coisas antigas (Crônica da noite)

05/02/2015 at 20:57 (*Liberdade e Diversidade)

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Oswaldo Barbosa De Almeida*

5 de Fevereiro de 2015

O avanço da ciência e da tecnologia, especialmente a partir da segunda metade do  século 20, tem trazido a rápida obsolescência para uma infinidade de produtos que,  até recentemente, eram considerados modernos.

Tenho uma pequena enciclopédia de ciência e técnica, edição de 1979, que  explica o funcionamento de alguns equipamentos e máquinas que atualmente estão  completamente obsoletos. Há alguns dias, passando por uma dessas lojas de livros  usados, resolvi entrar e oferecer a coleção, pois necessito de espaço na estante para  novos livros que chegam. O gerente disse não ter interesse, uma vez que, com a internet,  ninguém mais compra enciclopédias. De fato, na rede mundial encontramos resposta a qualquer pesquisa que realizemos.

Bem antes dessa, já havia descartado a famosa “Delta Larousse”, vendida a um  “sebo” a preço de banana (ainda é válida essa expressão?), quando a internet ainda não dominava tudo (ao menos por aqui) e os filhos já haviam concluído os estudos  regulares.

O objeto do primeiro verbete dessa coletânea é a fita cassete. Vejam só: algo  que, há poucos anos, era considerado moderno e de avançada tecnologia, desapareceu, varrido pelos sistemas de gravação e reprodução digital, a permitir que um dispositivo  do tamanho de uma unha seja capaz de armazenar e tocar milhares de músicas. Qual o  jovem que, vaidoso, não curtia o seu“walkman” até recentemente? Hoje ele dispõe dos  “players” de ouvido, sem fio (“wireless”), alto-falantes que cabem nas aurículas do  ouvido, conectados ao celular ou a outro dispositivo de bolso, etc.

máquina de datilografia

Conheço pessoas que não conseguiram se adaptar ao computador e ainda fazem uso da velha máquina de escrever, equipamento que, por gerações, agilizou a escrita  como hoje a conhecemos, ora relegada aos museus. É claro que, no trabalho, é inviável  sua utilização atualmente, pois, além de se poder escrever com muito mais facilidade e  rapidez com os recursos do computador, geralmente se trabalha conectado de alguma  forma: os textos, depois de produzidos, são enviados por e-mail para publicação,  quando é o caso, ou para sistemas de automação como os do Poder Judiciário, com o  denominado processo eletrônico ou digital. E ficam arquivados no próprio computador.

Por longos anos batalhei em máquinas de escrever, mas confesso que não tenho  nenhuma saudade delas. Relembro o sofrimento que era datilografar um texto enorme e, ao conferi-lo, constatar a existência de erros que exigiam refazer todo ou grandes partes  do trabalho. Quando participamos da instalação do nosso Tribunal Regional do  Trabalho (e não faz tanto tempo assim!), não dispúnhamos de nenhum computador. Todo o trabalho era realizado em máquinas de escrever e de calcular, elétricas ou  manuais, e muitos registros eram processados manualmente.

Outros ícones devorados pela máquina do tempo: o filme fotográfico, o disco fonográfico de vinil, o vídeo cassete, o mimeógrafo (aparelho copiador) e mais uma  infinidade que não dá para enumerar por falta de espaço.

*Advogado e escritor (coxim.oba@gmail.com)

**Crônica publicada hoje (05/02) no jornal Correio do Estado.

*****

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2 Comentários

  1. Oswaldo Barbosa de Almeida said,

    *Obrigado pela divulgação, caro amigo Hermano! Grande abraço!!!*

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