Promessas de campanha e realidade governamental (Leitura matutina)

26/01/2015 at 10:24 (*Liberdade e Diversidade) (, , , , , , )

20141109071338603259ulandes pereiraLandes Pereira*

O neoliberalismo é uma triste realidade brasileira desde os anos 1990, mas agora a presidente está ansiosa para agradar o mercado financeiro. As consequências serão desastrosas do ponto de vista do interesse público, mas como não tem eleição em 2015, dá-lhe “chumbo grosso” no lombo do povo, sabendo que em 2018 essas “maldades” terão caído no esquecimento.

Um grupo de amigos reuniu-se sob a sombra de frondosas árvores de uma praça da cidade para analisar a conjuntura nacional, sem qualquer compromisso. A pauta incluía as novas regras para pagamentos de seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte, auxílio-doença, seguro-defeso, aumento da taxa Selic, aumento dos combustíveis e da energia elétrica, corrupção, aumento salarial dos políticos e do Judiciário, restrição aos repasses do programa de empréstimos estudantis, veto da correção da tabela do IR e suas consequências no cotidiano dos cidadãos.

Um bem instrumentalizado militante governista, pressionado pelos companheiros de conversa que cobravam as promessas de campanha da presidente (não vai haver tarifaço, não terá aumento de juros, não haverá mudanças nos direitos trabalhistas, a educação será prioridade), desabafou: “Reconheço que está difícil ser brasileiro na atual conjuntura e que nos próximos dois anos vamos ter que apertar o cinto, mas em 2018 a prosperidade terá voltado”.

O valente dilmista ainda tentou justificar dizendo que o objetivo do governo é economizar R$ 18 bilhões para os cofres públicos, em 2015. Entretanto, calou-se frente à lembrança das “bondades” do governo, via BNDES e Banco do Brasil, para empresários amigos, incluindo as empreiteiras da Petrobras. Ficou acabrunhado quando perguntaram sobre ao aumento dos juros da CEF para os financiamentos da casa própria. Alegou que está difícil sim, mas que a oposição faria a mesma coisa, talvez pior, se estivesse no poder.

landes 2Essa conversa aconteceu no sábado anterior ao “pacotaço de maldades” anunciado na segunda-feira, antes do apagão nacional de energia elétrica e antes que Joaquim Levy (Fazenda), em Davos, admitisse que haverá recessão no país. Sem considerar que a inflação continua alta e que o desemprego é uma realidade cruel, o arrocho econômico veio na forma de aumento da arrecadação, sem diminuição das despesas de custeio.

As quatro medidas que constituem o núcleo do ajustamento econômico da gestão Dilma 2.0 são as seguintes: aumento da alíquota do PIS/COFINS sobre produtos importados de 9,25% para 11,75%; cobrança do IPI não só das fábricas, mas também das empresas distribuidoras dos produtos cosméticos; retorno da cobrança da Cide (contribuição para regular os preços dos combustíveis) de R$ 0,22 por litro de gasolina e R$ 0,15 por litro de diesel; aumento do IOF no crédito pessoa física de 1,5% para 3,0% ao ano. O senador José Serra (PSDB) elogiou as medidas.

Não está descartado outro “pacotinho” para os próximos dias, dependendo das repercussões da reunião de Davos e da economia sul-americana. É aguardar com coragem, porque o brasileiro é um forte.

Por outro lado, os ministros são religiosos e apelam para a Divindade Maior nos momentos em que não têm explicações plausíveis e aceitáveis. O ministro de Minas e Energia, explicando os apagões, afirmou que Deus é Brasileiro e por isso não faltará energia; o ministro da Saúde, em São Paulo, frente ao caos do sistema disse que é preciso ter fé porque o Brasil é a pátria do Evangelho; o ministro da Pesca, que é bispo da IURD, inicia o expediente fazendo orações. Aleluia!

*Economista com mestrado e doutorado. É professor de Economia Política

**Artigo publicado hoje no jornal “O Estado MS”

*****

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: