Enquanto o 1% janta em Davos, a América Latina combate a pobreza

24/01/2015 at 18:08 (*Liberdade e Diversidade)

20141219-mercosur-atos-2014-890x395Enquanto a elite político-econômica mundial se reúne nos Alpes suíços a fim de “discutir soluções para os problemas mais urgentes do planeta”, inúmeros governos da América Latina colocam a mão na massa e fazem o trabalho eles mesmos. Assim sendo, quer soluções? Olhe para o Sul e, principalmente, para a esquerda

Janeiro 24, 2015

Por Vinicius Gomes, Revista Fórum com informações de teleSur

Nessa semana, cerca de 1.700 jatinhos particulares pousaram na Suíça para que seus passageiros pudessem se dirigir até a cidade-resort de Davos, com alguns deles pagando no mínimo 70 mil dólares, para assistirem palestras, fazer newtwork e estarem entre os maiores bilionários e elites políticas – tudo com o suposto objetivo de resolverem os problemas mais urgentes do planeta. Assim como disse Klaush Schwab, o fundador e presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial, “compartilhar e se importar deve ser o lema dessa reunião”, que teve início na quarta-feira e se encerra nesse domingo (24). Porém, de acordo com um artigo publicado pela teleSur, algumas pessoas não estão exatamente convencidas com a ideia do 1% hiper-rico do planeta discutindo, de maneira preocupada, os problemas do mundo enquanto bebem seus coquetéis.

“Davos serve apenas para pintar os super- ricos de bonzinhos, como heróis. É sobre perpetuar o mito de que os ricos podem salvar o mundo com sua bondade e filantropia”, disse Alex Scrivener, oficial político na organização britânica Global Justice Now. Para ele, os encontros de Davos são uma afirmação da perversidade do mercado e o motivo pela qual a economia global continua a servir apenas os interesses desse 1%. “A realidade é que aquelas pessoas só estão nessas posições de poder por causa de um sistema econômico injusto”, argumentou. “Nós somos dependentes de pessoas como Bill Gates para ajudar a combater a pobreza global porque vivemos em um sistema que lhes permitem ter muito dinheiro, enquanto a maioria não tem nada”.

Dois dias antes desses “donos do mundo” se encontrar novamente em suas reuniões anuais no Alpes, a organização sem fins lucrativos Oxfam, publicou um relatório afirmando que, em 2016, a riqueza acumulada desse 1% será maior que a dos 99% restante da população mundial. Todavia, o estudo ainda aponta dois outros fatos preocupantes: nos últimos quatro anos, esses mais ricos têm aumentado seu patrimônio em uma velocidade cada vez maior e que a concentração de renda também tem se mostrado presente entre o 99%. Tais dados ecoariam o relatório de Scrivener, chamado “Os pobres estão ficando mais ricos, e outras ilusões perigosas” (em inglês), onde ele desmonta os diversos mitos que esses “líderes mundiais” estão tentando vender ao mundo e desmascara as falácias do livre comércio e privatização como meios de combater a pobreza, ou o crescimento econômico como solução para os problemas sociais.

Ou seja, o fim da pobreza deveria, primeiramente, passar pelo combate à desigualdade socioeconômica, por isso, como se lê no artigo da TeleSur, a solução não virá olhando-se para o Norte, mas sim para o Sul e, principalmente, para a esquerda.

“A América Latina é um exemplo de lugar onde a igualdade está sendo produzida. Isso está tendo um efeito positivo contra a pobreza e isso é inegável”, afirma Scrivener, que usa como base o relatório da ONU, de agosto de 2014, onde se lê que a América Latina cortou sua taxa de pobreza quase pela metade (41,7% para 25,3% da população) entre os anos 2000 e 2012. Um período que, não coincidentemente, foi marcado por diversos governos de esquerda eleitos na região, e onde muitos deles deram suas costas ao Consenso de Washington – a infame receita de políticas neoliberais promovidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial para “salvar” a região da década perdida de 1980. Todas essas medidas – desregulação de mercado, privatização, corte em benefícios sociais, entre outras – “foram amplamente apoiadas por grande parte das elites que se reúne todos os anos em Davos”, afirma Mark Weisbrot, codiretor do Center for Economic and Policy Research.

“A América Latina é uma região que foi forçada a passar por uma severa adaptação para não apenas pagar suas dívidas, mas também, uma vez que o FMI estava envolvido com os países credores, a passar por reformas estruturais que o Fundo e seus patrocinadores em Washington desejavam”, afirma Weisbrot, que cita a situação atual da zona do euro, semelhante à América Latina dos anos 1980. “É o fracasso no crescimento econômico que explica, em grande parte, as eleições de governos esquerdistas em muitos países latino-americanos nos últimos 16 anos – fazendo com que a América Latina conquistasse sua ‘segunda independência’”.

Uma sequencia de governos iniciadas com Hugo Chávez, eleito presidente da Venezuela em 1998, e que se espalhou para Brasil, Bolívia, Uruguai, Equador, Chile, Argentina, El Salvador e Nicarágua.

“Ocorreram consideráveis conquistas econômicas e sociais no país, incluindo redução da pobreza (uma redução maciça, em alguns casos), diminuição da desigualdade, aumento nos gastos com saúde e educação, queda no desemprego, aumento nos salários e muitas outras”, conclui Weisbrot.

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