BR-262 e a falência do Estado (Leitura vespertina)

22/01/2015 at 15:15 (*Liberdade e Diversidade) ()

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Três Lagoas - rodoviaBR-262 Campo Grande – Três Lagoas/MS: Falência do Estado

Gerson MartinsGerson Luiz Mello Martins*

A rodovia BR-262, no trecho que faz a ligação entre Campo Grande e Três Lagoas, está completamente abandonada. A rodovia é uma das três principais para a ligação do Estado com São Paulo. Depois da duplicação total da rodovia Marechal Rondon, a 262 se tornou a principal ligação de Campo Grande com as principais cidades paulistas.

Quem trafega pela rodovia nos últimos meses tem se deparado com o total abandono do trecho entre a Capital e Três Lagoas: não há conservação, as placas de sinalização, se não estão quebradas, têm a pintura apagada. As faixas de sinalização horizontal, aplicadas no pavimento, também desapareceram. No trecho entre Água Clara e Três Lagoas, o pavimento, há muito tempo, não recebe conservação e a pista está cheia de buracos. Em dezenas de quilômetros não há acostamento, o que implica em riscos constantes para os usuários em necessidade de uma saída de emergência. O mato cresceu e tomou todas as laterais da pista, encobrindo placas de sinalização e buracos.

A situação da rodovia sinaliza a falência do Estado brasileiro, que não faz a manutenção da infraestrutura, do sistema de saúde e das escolas. No caso das estradas, a situação coloca em risco, diariamente, centenas de vidas; prejudica, ainda, a atividade econômica do Estado que, pela situação atual, encarece o transporte dos mais diversos produtos. Viajar por rodovias nessa situação é sempre um risco muito alto, muito diferente da situação das rodovias paulistas, as principais duplicadas e as secundárias, sempre em excelente estado de conservação.

BR 262-2

Há um falso discurso de que a melhoria das condições das estradas não se traduz necessariamente em maior segurança para os usuários, o que não corresponde à verdade. Basta verificar o número de acidentes fatais nas estradas paulistas que estão duplicadas. A segurança dos usuários é garantida pela boa qualidade da via e por um sistema que monitora a velocidade limite dos veículos, e que garantem a preservação da vida das pessoas.

O usuário que chega ao Estado pela BR-262 tem problemas para se localizar. A sinalização que indica a direção e a distância das cidades também não existe. O usuário roda quilômetros e quilômetros sem saber exatamente em que ponto da rodovia está e a distância a percorrer ou percorrida. É um verdadeiro labirinto!

No caso da BR-262, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, há um estrangulamento grave. A passagem por dentro da Usina Hidrelétrica de Jupiá prejudica o trânsito e deprecia a edificação da usina, com a passagem frequente de veículos e caminhões pesados. Há uma ponte em construção, exatamente ao lado da ponte da estrada de ferro, mas sem previsão para conclusão.

Há mais casos de mortes envolvidas na falta de manutenção da rodovia. Dezenas de animais silvestres são vítimas. A falta de manutenção facilita o acesso dos animais para a pista de rolagem e, principalmente no período noturno, é morte certa para a fauna da região.

O risco imposto pela situação da rodovia se agrava com o trânsito contínuo dos caminhões que transportam madeira para as fábricas de celulose sediadas em Três Lagoas. Por se tratarem de caminhões tipo bitrem, quando carregados, levam peso extra para o pavimento, além de serem lentos e sem contar com faixas extras, a terceira faixa para esse tipo de tráfego e quando vazios, a carroceria desse tipo de caminhão fica “solta”, ou seja, não tem peso suficiente para um tráfego seguro na pista.

*Jornalista e pesquisador do Ciberjor e PPGCOM-UFMS

**Artigo publicado hoje (22/01) no jornal “O Estado MS”.

www.ciberjornalismo.net.br

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