A cada quatro indianos, um admite discriminar intocáveis

30/11/2014 at 18:20 (*Liberdade e Diversidade)

Intocáveis na India

Intocáveis limpam latrinas na Índia

 

29 de novembro de 2014

EFE

Nova Délhi, 29 nov (EFE). – Depois de seis décadas da abolição do sistema de castas, um quarto dos indianos admite que discrimina os intocáveis, o grupo social mais baixo, número que se eleva à metade no caso dos brâmanes, revelou o maior estudo deste tipo já feito na Índia.

Participaram do levantamento realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisa de Economia Aplicada, em Nova Délhi, e pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, 42 mil famílias, e o resultado foi publicados neste sábado pelo jornal “The Indian Express”.

O milenar e religioso sistema de castas hindu divide desde o nascimento à sociedade em quatro grandes grupos: brâmanes (sacerdotes), kshatriyas (guerreiros), vaishyas (comerciantes) e sudras (trabalhadores braçais), que, por sua vez, se subdividem em centenas de subcastas. No nível mais baixo do sistema social estão os intocáveis, consideradas pessoas impuras e que realizam os trabalhos mais difíceis.

Em todo o país de 1,252 bilhões de habitantes, 27% dos entrevistados admitiram que não deixam um intocável entrar na sua cozinha ou utilizar seus talheres, número que aumenta para 52% no caso dos brâmanes.

A segregação acontece por membros de várias religiões no país, e 35% de seguidores do jainismo, 30% de hindus, 23% de siques, 18% de muçulmanos e 5% de cristãos admitiram discriminar.

Na Constituição de 1947, a Índia proibiu a divisão por castas e promove um movimento positivo em favor das mais baixas, contudo a marginalização continua. EFE

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A mídia e as tarefas democráticas do Maranhão (Entrevista com Flávio Dino)

30/11/2014 at 17:29 (*Liberdade e Diversidade) ()

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27/11/2014 na edição 826

Editorial do Observatório da Imprensa na TV nº 760, exibido em 25/11/2014

Além de vitoriosos e vencidos, eleições costumam produzir estrelas, campeões e também apressar aposentadorias tanto no âmbito parlamentar como nos executivos estaduais. E uma das surpresas do primeiro turno que mais chamaram a atenção foi a espetacular vitória de Flávio Dino de Castro e Costa, candidato do PCdoB ao governo do Maranhão.

Com a garra dos seus 46 anos e a experiência de ex-juiz federal, ex-deputado e ex-presidente da Embratur, apoiado por um pequeno partido, o Partido Comunista do Brasil, e uma incrível coligação de ex-adversários do campo socialdemocrata, Flávio Dino desmantelou uma das oligarquias políticas e midiáticas mais longevas do Nordeste – o clã Sarney, no poder há meio século, que atravessou incólume a ditadura, a distensão e a redemocratização.

Para entrevistar o comunista que promete uma revolução democrática burguesa num dos estados mais pobres do país, pedi a ajuda de outro nordestino arretado, fera do jornalismo político, Ancelmo Gois, do Globo, a quem dirijo a primeira pergunta:

Anselmo: Flávio Dino conseguirá cumprir tudo o que promete? (Alberto Dines)

A mídia na semana

>> Quando a fonte reconhece seu erro, será que o veículo que o noticiou também não deveria admitir sua parte no equívoco? Na quarta-feira passada [19/11], a Polícia Federal admitiu que os indícios contra o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Cosenza, basearam-se em “erro material”. Parte da imprensa reproduziu a admissão do erro, mas houve quem sequer tocou no assunto. Ora, erro da fonte só se materializa com a ajuda da imprensa. Quando ela se cala não há erro, mas também não há informação. Quando divulga o dado errado, a responsabilidade deveria ser compartilhada. Sobretudo quando acrescenta à falha inicial seus vacilos. A Folha de S.Paulo fica nos devendo este “Erramos”.

>> Fundada há 23 anos, a PBI – Public Broadcasters International, associação internacional de redes públicas de rádio-TV, reúne-se anualmente para trocar experiências, elaborar estratégias comuns e desenvolver parcerias em todas as esferas. A reunião deste ano começa amanhã [quarta, 26/11], aqui no Rio, a primeira a realizar-se na América Latina, com a nossa EBC como anfitriã. Convidadas, as mais importantes redes públicas do mundo, entre elas a inglesa BBC, a americana PBS, a canadense CBC, a portuguesa RTP, a argentina RTA, a japonesa NHK e outras, todas comprometidas com a ideia de oferecer alternativas às redes comerciais e com a democratização da cultura.

>> No próximo sábado, dia 29/11, vamos lembrar a histórica decisão da ONU que, se implementada em 1947, teria evitado a sucessão de guerras naquela que foi chamada de Terra Santa e hoje é uma terra empapada de sangue e impregnada de rancores. Sob a presidência do estadista brasileiro Oswaldo Aranha, a ONU decidiu partilhar a Palestina em dois estados, um árabe e outro judeu, este criado no ano seguinte, apesar do ataque simultâneo de cinco vizinhos que não aceitaram a decisão. Nos quase cinquenta anos seguintes, o Estado de Israel legitimou-se através da sua capacidade de defesa e da garantia dos seus direitos pela comunidade internacional. Hoje, quem não aceita o segundo Estado previsto na partilha é Israel, contrariando esta mesma comunidade internacional que permitiu a sua fundação. A solução dos dois Estados vizinhos e soberanos continua como a única capaz de desativar a dinâmica do confronto e criar um ambiente de negociações. Para lembrar a façanha da nossa diplomacia em 1947, nada melhor do que um novo e decisivo empurrão 67 anos depois.

>> Enquanto aguardamos o relatório final da Comissão Nacional da Verdade que investiga as violações dos direitos humanos durante a ditadura, e se discute o alcance da anistia promulgada em 1979, cabe à imprensa continuar a busca da verdade. No domingo [23/11], o Globo demonstrou que o papel do jornal é não se omitir; e graças aos repórteres Chico Otávio e Rafael Kapa revelou um relatório encontrado no sítio do coronel Malhães, um dos piores agentes da repressão, assassinado em abril. O relatório desvenda pela primeira vez – e de forma cabal – os detalhes do funcionamento da Operação Condor que reuniu militares do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. A busca da verdade não tem prazo de vencimento, é para sempre.

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Suíços não aprovam restrição na imigração

30/11/2014 at 16:54 (*Liberdade e Diversidade)

Zurique_SuicaZurique – Suécia. Votantes não aceitaram cotas para a entrada de estrangeiros

Agência ANSA

30/11/2014

Os suíços não aprovaram neste domingo (30) a medida que definia cotas para a entrada de imigrantes no país. O texto limitava em 0,2% o crescimento da população estrangeira residente na Suíça e alegava uma “limitação ecológica” no território. 50,3% dos votantes não quiseram impor as cotas.

Em fevereiro deste ano, os suíços tinham aprovado a “não imigração em massa” para o país. A vitória do “não” era esperada, já que a maioria dos políticos suíços considerava a lei excessiva. A Suíça também não aprovou o fim das vantagens fiscais para os residentes estrangeiros considerados ricos e para conservar 20% das reservas em ouro.

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Projeto Arara Azul estima nascimento de 50 filhotes até o fim de 2014

30/11/2014 at 11:13 (*Liberdade e Diversidade)

98b59441539d3cc3d7fec63f7985646b Foto: Reprodução/Casa dos Pássaros

 29 de Novembro de 2014

Jornal A Crítica / Campo Grande, MS /

Com aproximadamente um mês para o fim de 2014, o Projeto Arara Azul já contabiliza resultados positivos na reprodução da espécie considerada um dos ícones da fauna brasileira.

De 455 ninhos cadastrados no Pantanal, o número saltou para 599. Nos últimos quatro meses – de agosto a novembro – foram contabilizados 55 ovos de araras-azuis em 94 ninhos monitorados. Desses, 30 já eclodiram e estão no estágio de filhotes. Entre eles está a pequena arara-azul do ninho apadrinhado pela Anhanguera-Uniderp.

Segundo a coordenadora do curso de Ciências Biológicas e Pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação da Universidade, Luciana Paes de Andrade, a instituição reforçou mais uma vez a parceria de 20 anos com o Instituto Arara Azul dando suporte às pesquisas que combateram o risco de extinção, evidente na década de 1980.

“Além dos trabalhos no Projeto realizados desde 1994, a universidade adotou um ninho há alguns meses e já foram realizados cinco monitoramentos. Recentemente, recebemos a notícia do nascimento de uma arara-azul e estamos comemoramos os resultados positivos na preservação da espécie”, revela.

Geralmente o período reprodutivo da Arara Azul acontece entre julho e janeiro, mas este ano deve se estender até fevereiro ou março de 2015 por conta de um atraso de seis semanas -reflexo das condições climáticas no Pantanal.

“Existe a perspectiva de observarmos posturas até o mês de dezembro. Só após esse período poderemos avaliar os resultados em relação aos anos anteriores, mas estamos bastante confiantes e animados. Esperamos o nascimento de mais 20 indivíduos até o fim deste ano”, explica a bióloga, coordenadora do Projeto Arara Azul e professora doutora do Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade Anhanguera-Uniderp, Neiva Guedes.

???????????????????????????????Atualmente, o Projeto Arara Azul acompanha cerca de três mil aves, que vivem em 599 ninhos cadastrados por 57 fazendas, situadas nas regiões de Miranda, Aquidauana e Bonito, no Mato Grosso do Sul, e nos arredores de Barão de Melgaço, no Mato Grosso.

Boa parte dos ninhos está localizada em regiões de difícil acesso, por isso o instituto conta com a ajuda da Fundação Toyota do Brasil, que cedeu picapes Hilux para que as equipes de biólogos transportem suprimentos e equipamentos necessários à realização dos trabalhos de campo.

Já são 25 anos de trabalho em estudos de biologia básica, reprodução, comportamento, habitat, manejo e educação ambiental para a conservação da espécie, que no fim da década de 1980 somava apenas 1.500 indivíduos no Pantanal.

Com o Projeto colocado em prática a realidade é outra. Acredita-se que exista mais de cinco mil indivíduos no Pantanal, na área que abrange os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, além da Bolívia. E, para se manter ativo, o Projeto Arara Azul ainda conta com o patrocínio e apoio da Universidade Anhanguera-Uniderp, Fundação Toyota do Brasil, Toyota, Refúgio Ecológico Caiman, Bradesco Capitalização, entre outros.

Adote um Ninho

No dia 19 de novembro, o Instituto Arara Azul iniciou uma nova fase com o lançamento da Campanha “Adote um Ninho”, ação que tem o objetivo de fortalecer o projeto em prol da preservação da espécie por meio das pesquisas e do monitoramento de ninhos naturais e artificiais.

O apadrinhamento também proporciona o apoio à manutenção da biodiversidade do Pantanal: tanto as araras-azuis como várias outras espécies que ocupam as mesmas cavidades. A iniciativa comemora 25 anos e, desde 1994, conta com o apoio da Universidade Anhanguera-Uniderp.

A primeira edição do “Adote Um Ninho” funcionou como projeto piloto e, com grande sucesso, reunindo padrinhos famosos como Ziraldo, Carlos Saldanha, Luan Santana, Gabriel Sater, Michel Teló, Chitãozinho e Xororó e vários empresários.

“Estou bastante satisfeita e feliz por ver o quanto as pessoas se importam com nosso trabalho. O reconhecimento pela credibilidade ao projeto dá uma sensação de dever cumprido. Já colhemos muitos resultados positivos, mas ainda há muito a ser feito e, para isso, precisamos do engajamento da sociedade”, destaca Neiva Guedes.

Para adotar um ninho, o interessado deve ler o regulamento, preencher a ficha de inscrição e assinar o contrato de doação, bem como o termo de compromisso e responsabilidade.

O padrinho, ou madrinha, também passará por um Curso de Preparação para Adoção onde aprenderá sobre o monitoramento dos ninhos e como serão enviadas as informações, além de explicar a importância deste trabalho e qual a diferença entre ninhos naturais e artificiais.

O padrinho também poderá batizar o filhote com um nome. A ave será acompanhada até o momento de seu voo e receberá uma anilha com numeração exclusiva e um microchip. Todas as informações serão encaminhadas ao adotante, em seu relatório final, junto com um Certificado de Adoção.

Curiosidades da arara-azul

– As araras pertencem à mesma família dos papagaios, periquitos e maracanãs, chamados Psitacídeos

– A arara-azul é uma ave monogâmica, ou seja, formam um par/casal constante até a morte de um dos indivíduos

– A espécie não tem dimorfismo sexual externo. Ou seja, só é possível diferir o gênero a partir da análise de uma amostra de sangue ou laparoscopia

– No Pantanal, as araras-azuis alimentam-se da castanha de duas palmeiras, o Acuri e a Bocaiúva

– 95% dos ninhos da espécie são encontrados em uma única espécie arbórea, o Manduvi

– Após o nascimento, o filhote permanece sob os cuidados dos pais por mais de 100 dias até que ele esteja pronto para voar

– A arara azul tem baixa taxa reprodutiva. A cada dois anos nasce um filhote

– As principais ameaças da espécie na década de 1990: descaracterização do habitat, tráfico ilegal e caça para uso em artesanatos e adornos indígenas

Serviço

Mais informações podem ser obtidas pelo site, ou e-mail projetoararaazul@gmail.com.

O Instituto Arara Azul está situado na Rua Klaus Sthurk, 106 – Jardim Mansur, em Campo Grande (MS). Telefone: 67 3222-1205.  

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Uruguai: 2,6 milhões votam em novo presidente neste domingo

29/11/2014 at 21:03 (*Liberdade e Diversidade)

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Inspeção de cédulas no Uruguai; país deve ter seu terceiro governo consecutivo de esquerda

Foto: Reuters

Em todo o país, 2,62 milhões de eleitores estão habilitados para a votação, que irá das 8h às 19h30

29 de novembro de 2014

Agência Brasil

Neste domingo (30), mais de 2,5 milhões de uruguaios deverão comparecer às urnas para eleger, em segundo turno, o sucessor do atual presidente José Mujica.

Estão na disputa o socialista Tabaré Vázquez, candidato da Frente Ampla, um médico oncologista de 74 anos, que presidiu o país entre 2005 e 2010, e o deputado federal Luis Lacalle Pou, de 41 anos, que concorre pelo Partido Nacional e tem, na segunda rodada de votação, o apoio do Partido Colorado.

Pelas últimas pesquisas, Vazquez é franco favorito, com ampla margem sobre o oponente. Ele ficou com 47.8% dos votos no primeiro turno e, conforme os mais recentes levantamentos, deve obter amanhã entre 53% e 55% da preferência do eleitorado. O atual chefe do governo uruguaio teve 54.63% dos votos no segundo turno de 2009, vencendo u o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, pai do candidato nacionalista.

Em todo o país, 2,62 milhões de eleitores estão habilitados para a votação, que irá das 8h às 19h30. Há possibilidade de que os locais de votação permanecerem abertos por mais uma hora, se, ao fim do prazo, ainda houver eleitores dentro das seções.

Segundo a Justiça Eleitoral, os primeiros resultados oficiais serão conhecidos rapidamente, porque serão apurados votos apenas para presidente e vice-presidente.

O novo presidente assumirá suas funções no dia 1º de março do ano que vem. Se Vázquez for o vencedor, receberá o governo de José Mujica, a quem entregou o cargo em 2010.

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Mudança oceânica, a outra grande ameaça ambiental (Leitura da tarde)

29/11/2014 at 14:48 (*Liberdade e Diversidade)

coraisRecifes de coral, um dos ecossistemas marinhos mais fragilizados: ocupam 0,1% da área, mas abrigam 25% das espécies dos mares. Acidificação oceânica, provocada por excesso de CO², pode destruí-los

Poluição, pesca industrial predatória e acidificação estão devastando vida marinha. Há saída: deixar de ver oceanos como “terra de ninguém”, sujeita à exploração dos mais fortes

29/11/2014

Por Christophe Ventura, no Mémoire des luttes | Tradução: Inês Castilho

Blog Outras Palavras

Em 21 de setembro de 2014, centenas de milhares de pessoas mobilizaram-se em 158 países numa “Marcha dos povos pelo clima”. Convocado para dois dias antes do início dos trabalhos da Cúpula sobre o Clima da ONU, em Nova York, este foi o maior evento pela justiça climática já organizado no mundo. Integrantes deste poderoso movimento irão expandir suas atividades ao longo dos próximos meses, até a organização, em Paris, entre 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015, da 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Cop21).

Agora, a questão das mudanças climáticas entrou – finalmente – na agenda política e da mídia global. Talvez tarde demais, mas enfim… Em torno deste tema crucial, espalha-se, em nossas sociedades, um amplo e saudável debate sobre a espinhosa questão do nosso modelo de desenvolvimento.

Mas outra ameaça, infelizmente menos percebida, paira perigosamente sobre o planeta: a mudança oceânica. Lembremo-nos, os oceanos produzem metade do oxigênio que respiramos, graças especialmente aos fitoplânctons. Eles absorvem mais de um quarto do dióxido de carbono que emitimos na atmosfera. Em 2013, essas emissões de CO² atingiram um novo e trágico recorde. Três bilhões de pessoas dependem, para sua existência, dos mares, e 350 milhões de postos de trabalho estão diretamente ligados a eles. Os litorais são nossos principais centros populacionais e abrigam a maior parte da infraestrutura necessária às atividades humanas. Mais de um terço do petróleo consumido pela humanidade, e um quarto do gás natural, proveem das zonas submarinas.

Como lembra um relatório recente publicado pela Comissão Oceânica Mundial (Global Ocean Comission), intitulado “Do declínio à restauração – Um plano de resgate para o oceano mundial” [1], “não é exagero afirmar que todas as formas de vida sobre a Terra, aí compreendida a nossa própria sobrevivência, dependem do bom estado e das riquezas do oceano”. A diversidade biológica que ele contém é praticamente inestimável. Assim, somos bilhões a necessitar dele como fonte de alimento, oxigênio, estabilidade climática, chuvas e água potável, de transporte e energia, de lazer e meio de subsistência. “Nossa dívida vital para com o oceano é enorme”. Mas nosso maior ecossistema – os oceanos cobrem cerca de três quartos do globo – corre agora um grande risco.

Num artigo de título eloquente – “Se Chang: The Ecológica Desastre Thar Brody Seis” (“Mudança oceânica: o desastre ecológico que ninguém vê”) [2], o jornalista norte-americano Richard Schiffman observa que “nos mantemos muito bem informados sobre o fato de que nossa civilização industrial desestabiliza o clima terrestre, mas pouca se sabe sobre a existência de outro desastre ambiental em curso: a crise mundial dos oceanos”. Baseando-se também nas conclusões alarmantes do relatório da Comissão Mundial do Oceano, ele soa o alarme: “Especialistas dizem que já estamos diante de um processo de extinção de espécies nos oceanos que poderia rivalizar com o da “Grande extinção” do Permiano (há 250 milhões de anos), quando 95% das espécies marinhas desapareceram devido aos efeitos combinados de elevação da temperatura, acidificação, perda de oxigênio e destruição do habitat – todas elas condições que enfrentamos hoje”.

A situação é grave. Mas desta vez, algumas décadas de atividade humana serão suficientes para nos conduzir direto ao abismo. Como sublinha a Comissão, “nosso oceano está em declínio. A destruição dos habitats, a perda da biodiversidade, a sobrepesca [3], a poluição, as mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos levam o sistema oceânico à ruína. A governança é totalmente inadequada e, em alto mar, a anarquia reina sobre as ondas.” Acrescenta-se: “O progresso tecnológico e a regulação inexistente alargam o fosso entre ricos e pobres: certos países são capazes de explorar os recursos, que diminuem, enquanto os que não têm meios sofrem a consequências. A estabilidade regional, a segurança alimentar, a resiliência climática e o futuro dos nossos filhos encontram-se todos em risco.”

O documento identifica cinco fatores principais que, agindo de modo combinado, prometem, pelo andar da carruagem, colocar o oceano mundial em declínio irreversível. Trata-se de: a) explosão da demanda de recursos; b) desenvolvimento de meios técnicos de operação e exploração que são usados em uma lógica exclusivamente movida pela busca de lucro sem limites; c) redução dos estoques de peixes; d) alterações climáticas e e) falta de regulamentação das zonas de alto mar, que representam 64% da superfície marítima do mundo. Mantido fora de todas as jurisdições nacionais, esse espaço – que “desempenha (…) função essencial à manutenção da vida em áreas localizadas dentro dos limites da jurisdição nacional dos Estados costeiros” – está sujeita a todo tipo de saque: excesso de extração de recursos, sobrepesca [4], poluição – particularmente pelos plásticos [5] – etc. Conforme os autores do relatório, “se o princípio da ‘liberdade no alto mar’ evocou em outros tempos imagens de aventura e oportunidade, ele hoje transmite a imagem da implacável ‘tragédia dos bens comuns’ caracterizada pela destruição dos estoques de peixes e outros preciosos recursos marinhos. A liberdade é explorada por aqueles que têm os meios financeiros e oportunidade, protagonizando a falta de prestação de contas e de justiça social”.

Nesse contexto, as mudanças climáticas produzem fenômenos perigosos e incontroláveis. Elas estimulam um processo de acidificação das águas. A elevação dos níveis de CO² na atmosfera intensifica sua presença no mar, mecanicamente, para em consequência modificar, pouco a pouco, o equilíbrio do carbono. Esta acidificação, cuja taxa nunca foi tão elevada em 300 milhões de anos, já afeta o equilíbrio vital de grande quantidade de espécies vivas (corais, moluscos e plânctons que produzem nosso oxigênio), destruindo seus esqueletos e conchas, constituídos de carbonato de cálcio. Eventualmente, uma grande elevação da temperatura global devastará a vida marinha. Assim, segundo a Comissão, “é a própria vida do oceano mundial, do menor fitoplâncton às grandes baleias, que é afetada” por essas “mudanças sem precedentes nas condições químicas e físicas [que] já afetam a distribuição e abundância de organismos e ecossistemas marinhos”. E Richard Schiffman resume, criteriosamente: “Menos plâncton significa menos oxigênio e mais dióxido de carbono na atmosfera, o que reforça o ‘ciclo vicioso das mudanças climáticas’”.

O aquecimento da atmosfera acelera, igualmente, o aquecimento dos oceanos. Tendo armazenado cerca de 90% da energia devida ao aquecimento da temperatura terrestre no decorrer das últimas décadas, eles viram a temperatura média de sua superfície aumentar 0,7°C em um século. Estima-se que, em algumas áreas, este aumento atingirá mais de 3° C até o final do século 21. Este fenômeno perturba diretamente o equilíbrio alimentar nas profundezas do oceano e afetará gravemente a segurança alimentar proveniente da pesca. Para a Comissão “isso tem (…) consequências alarmantes sobre a vida dos oceanos e constitui, provavelmente, o maior desastre ambiental invisível do nosso tempo.”

Um segundo relatório, este publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) [6], confirma as sombrias previsões da Comissão Oceânica Mundial. Ele também afirma que “é provável que o aquecimento do oceano tenha efeitos diretos sobre a fisiologia dos organismos marítimos”, e aponta uma terceira consequência negativa do aquecimento global: a desoxigenação dos oceanos. O efeito combinado de elevação da temperatura e acidificação altera a presença do oxigênio na água. Sua quantidade deveria, assim, conforme o lugar, baixar de 1% a 7% no decorrer do século.

Reduzir as emissões de gases de efeito estufa não é, portanto, apenas um imperativo para o clima. É também urgente para salvar o principal ecossistema, indissoluvelmente ligado às condições de nossa própria sobrevivência. Para preservar os oceanos, devemos ao mesmo tempo lutar contra o aquecimento global, a poluição, a superexploração selvagem de seus imensos recursos, regulamentar a pesca mundial, as zonas de alto mar etc. Mas, sobretudo, pode-se dizer algo, tanto em relação aos oceanos quanto ao clima. Para salvá-los, e fazer deles “a nova fronteira da humanidade”, necessária a um desenvolvimento futuro, num contexto de expansão planejada, e “uma roda motriz para a recuperação de [suas] atividades” [7], há apenas uma solução: mudar o sistema.

NOTAS

[1] Este relatório foi publicado em junho de 2014. Para baixá-lo em sete línguas, acesse http://www.globaloceancommission.org/le-rapport-final-de-la-commission-ocean-mondial-est-enfin-disponible/

[2] Ler no site Truthout: http://www.truth-out.org/sea-change-the-ecological-disaster-that-nobody-sees

[3] En 1950, 1% das espécies eram vitimadas pela sobrepesca. Essa taxa já atingiu 87%.

[4] Esta é praticada por um número limitados de países, tais como o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan, Espanha, Estados Unidos. Um segundo grupo de países é constituído pelo Chile, a China, a Indonésia, as Filipinas e a França.

[5] Conforme o relatório, 80% da poluição marítima provêm de fontes terrestres. Impulsionadas pelos ventos e pelas correntes marítimas, 15% dos detritos produzidos por nossas sociedades mantêm-se à tona, 15% estão suspensos na coluna de água e 70% encontram-se no fundo. Por sua vez, a produção mundial de plásticos aumentou de 63 milhões de toneladas em 1980 para 270 milhões em 2010 (540 milhões de toneladas estimadas em 2020). Estes resíduos plásticos – incluindo micropartículas, que terminam entrando na cadeia alimentar humana – são parte substancial da poluição global.

[6] Ler “Tempo e clima: mobilização dos jovens”, Boletim da Organização Meteorológica Mundial, volume 63 (1) 2014 (http://library.wmo.int/opac/id=3099#.VCPnRoVjkiZ).

[7] Segundo as fórmulas do deputado europeu Jean-Luc Mélenchon. Em artigo intitulado «La France, puissance maritime qui s’ignore» [França, potência marítima ignorada] (RIS — La revue internationale et stratégique, n° 95, outono 2014, http://www.iris-france.org/Archives/revue/numero_95.php3), o dirigente político expõe como “fazer com que a política entre no mar” e construir uma “economia do mar” respeitosa desse “bem comum ameaçado” para transformá-lo em “laboratório do ecossocialismo”.

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Operação Lava Jato e ética suíça (Leitura do dia)

29/11/2014 at 11:06 (*Liberdade e Diversidade)

Berna_Suiça_Rio_Aare1Berna – Capital da Suíça

hermano-de-melo-esta3Hermano de Melo*

29 de Novembro de 2014

Na última segunda-feira (24/11), procuradores que atuam na Operação Lava Jato da Polícia Federal viajaram para a Suíça para tentar a liberação de US$ 23 milhões depositados em cinco contas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Sob delação premiada, ele confessou que o dinheiro teve origem em propinas que recebeu de empreiteiras e fornecedores da estatal e autorizou a repatriação do dinheiro, que deverá ser depositado em contas do governo brasileiro.

Na terça (25), o Ministério Público suíço confirmou que estava disposto a colaborar nas investigações de suposto desvio de dinheiro da Petrobras para contas naquele país europeu. Em nota à imprensa, a autoridade suíça explicou que se reunirá com os procuradores brasileiros “com objetivo de discutir a colaboração entre os dois países no contexto do caso Petrobras”. Ainda na nota, os suíços informaram que será discutido, na reunião, como facilitar o acesso de brasileiros às movimentações bancárias realizadas pelos investigados pela polícia.

Mas a pergunta que se faz nesse tipo de caso envolvendo o Brasil e outro país que é admirado por todos por sua riqueza, alegria e alto índice de desenvolvimento humano e material, é: Por que a Suíça “faz de conta que não vê” esses tipos de depósitos suspeitos que são feitos há muito tempo em contas bancárias de lá, que, no frigir dos ovos, são a razão maior de sua FIB (Felicidade Interna Bruta)?

Segundo o Ministério Público suíço, porém pelo menos no caso da Operação Lava Jato, foi “o escritório do Procurador-Geral da Suíça que iniciou a investigação criminal relacionada a ofensas de lavagem de dinheiro no dia 11 de abril de 2014 e as movimentações bancárias suspeitas foram localizadas pelas autoridades em Berna”.

E mais: Segundo os suíços, não foi a Justiça brasileira que pediu ajuda a eles neste caso, mas ao contrário. “Durante as investigações o escritório do Procurador-Geral suíço pediu ajuda às autoridades brasileiras, submetendo a eles pedido de assistência mútua legal em assuntos criminais”, explicou o Ministério Público suíço.

Independente, porém, do desfecho do caso em pauta, a pergunta feita acima continua válida: Por que a Suíça age de forma tão antiética em casos de depósitos suspeitos feitos por pessoas físicas e jurídicas de outros países em seus bancos nacionais?

Suica

A resposta pode estar em texto escrito por Gabriel Leite Mota em fevereiro deste ano e intitulado “Suíça: Ladrões de felicidade?” Depois de elogiar aquele país como um dos mais democráticos e de desenvolvimento humano mais aprimorado, além de ser um dos povos mais ricos e felizes do mundo, ele diz: “Os suíços, conhecidos pelo seu fabrico minucioso de relógios e chocolates, não devem, no entanto, a sua boa sorte a essas indústrias “gourmet”. Se pensarmos bem, a verdadeira especialização da Suíça tem sido a neutralidade e a amoralidade, materializada no seu sistema bancário, que absorveu dinheiro de todo o mundo, viesse de onde viesse”.

O que se espera, porém, é que pelo menos neste episódio da Operação Lava Jato o dinheiro sujo depositado por Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e outros bandidos da mesma laia, que esteja depositado em sólidos e “insuspeitos” bancos suíços, seja recambiado para o Brasil, pois que aqui certamente ele fará muito mais falta do que lá nos magníficos Alpes. Tomara!

*Jornalista e escritor

**Artigo publicado hoje (29/11/2014) no jornal Correio do Estado.

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Imagem do dia: Morre aos 85 anos o ator mexicano Roberto Bolaños, o famoso Chaves

29/11/2014 at 10:27 (*Liberdade e Diversidade) (, )

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chaves 3FOI SEM QUERER QUERENDO…

Morreu nesta sexta-feira (28) o ator mexicano Roberto Bolaños, conhecido por criar e interpretar os personagens Chaves e Chapolin Colorado.

Ator, escritor e produtor de televisão, ele sofria de problemas respiratórios havia anos por ter fumado durante muito tempo. Em março de 2012, foi internado em hospital na Cidade do México devida a uma insuficiência respiratória.

A série “Chaves”, criada e protagonizada por ela na década de 1970, tornou-se um fenômenos, sendo exibida no Brasil, Tailândia e Rússia, além de ser o programa mais visto na televisão mexicana.

Nascido em 1929, Bolaños escreveu e adaptou mais de 50 roteiros de cinema e atuou em 11 filmes. Matéria completa publicada hoje (29/11) na edição do jornal Correio do Estado.

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*Comentário do blog: Adeus, Chaves!

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Charge do Jarbas: Joaquim Levy e Dilma

28/11/2014 at 21:29 (*Liberdade e Diversidade)

AUTO_jarbas*Charge do Jarbas no Diário de Pernambuco de ontem (27/11). Super!

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‘The Economist’: Dilma muda o curso (Leitura do dia)

28/11/2014 at 15:39 (*Liberdade e Diversidade) ()

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tombini-nelson-barbosa-e-joaquim-levy_1Tombini, Nelson Barbosa e Joaquim Levy

‘Reuters’: Levy promete crescimento equilibrado e disciplina fiscal

Indicação de equipe econômica hábil é boa para o Brasil, mas sinaliza fragilidade da presidenta

28/11/2014

Jornal do Brasil

A revista britânica The Economist  publicou nesta sexta-feira (28/11) um artigo onde analisa a escolha da nova equipe econômica brasileira. “Em 2005 houve um debate fervoroso entre as duas figuras mais poderosas no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antonio Palocci, o ministro da Economia, propôs aproveitar o crescimento econômico acelerado para eliminar o persistente déficit fiscal — e assim baixar suas exorbitantes taxas de juros — ao segurar o aumento nos gastos do governo. Mas Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil de Lula, achou o plano de Palocci “rudimentar” e o vetou. Em 2011, ela se tornou a sucessora de Lula, implementando um “novo modelo econômico” que colocou o emprego pleno e os aumentos salariais à frente do rigor macroeconômico”, diz a matéria.

“O rigor orçamental voltou a assombrar Dilma, que ganhou o direito a governar por um segundo mandato no mês passado, com a menor das margens. Ela anunciou Joaquim Levy, um dos representantes de Palocci em 2005, como seu novo ministro da Fazenda. Nelson Barbosa, o economista mais competente no PT assume o Ministério do Planejamento. Levy é um economista que estudou em Chicago e nos últimos tempos era diretor-superintendente do Bradesco Asset Management; sua indicação foi bem recebida pelos investidores. Parece que Dilma finalmente admitiu seu erro cometido até há pouco na escolha dos caminhos econômicos”, continua o artigo.

“Ela ganhou a eleição apontando o emprego pleno no Brasil e o aumento contínuo nos rendimentos reais”. Mas essas proezas foram conseguidas ao hipotecar o futuro. Apesar do crescimento medíocre, a maioria dos indicadores econômicos do Brasil se moveu para a direção errada com Dilma. A inflação supera 6%, bem acima da meta de 4,5% do Banco Central, mesmo apesar do governo ter segurado os preços da energia. A confiança do consumidor é a mais baixa dos últimos seis anos. O déficit das contas correntes cresceu a 3,7% do PIB e o real tem se enfraquecido.

A maior preocupação é a de que a situação fiscal se deteriorou em 3 a 4% do PIB nos últimos três anos.

Tendo errado por um quilômetro seu alvo para um superávit primário (antes dos pagamentos de juros) de 1,6% do PIB e assim violado a Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo estava cinicamente tentando persuadir o Congresso a mudar as regras para fingir que as cumpriu. Agências de classificação se queixam que se o Brasil continuar assim perderá sua classificação de crédito em grau de investimento.

Então a primeira tarefa da nova equipe é a de restaurar a credibilidade da política econômica. Isso significa reafirmar o compromisso do Brasil ao “tripé” de antes de 2010 — com política monetária independente, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante. Também significa apertar o orçamento. Para minimizar o impacto nos empregos, Barbosa disse que isso deve acontecer gradualmente e deve focar no controle do contínuo aumento nos gastos sociais.

Mas quanto tempo terá a nova equipe? Observadores do mercado esperam que o Banco Central, cujo presidente, Alexandre Tombini, está inclinado a mostrar sua independência, defenda a meta de inflação aumentando a taxa de juros de referência, que já está em 11.25%. Esse aperto monetário virá quando uma política fiscal se tornar contracenaria e o governo restringir empréstimos excessivos dos bancos estatais. O principal trabalho de Barbosa deve ser o de implementar um programa de choque visando atrair investimento privado para a infraestrutura. “Ainda assim, o crescimento cairá no início e poderá não se recuperar por um ano ou dois”, alerta a The Economist.

“Se a nova equipe terá êxito, Dilma não só terá que deixar que ela faça seu trabalho sem a interferência que houve em seu primeiro mandato”. Ela também terá que defender um programa econômico que será impopular em curto prazo— especialmente em seu próprio partido. De fato, o programa está mais próximo daquele de seu adversário derrotado, Aécio Neves, do que o programa que apresentou em sua campanha. (Aécio comparou a indicação de Levy a um homem da CIA assumindo a KGB.) A presidenta terá o apoio de uma maioria menor e mais flexível no novo Congresso do que aquela a que foi acostumada. Congressistas brasileiros costumam pedir verbas para gastos com assistencialismo em troca de seus votos, e isso pode dificultar o trabalho da nova equipe econômica.

Há uma nuvem política ainda mais escura em seu horizonte. Promotores brasileiros e reguladores americanos estão apresentando acusações de que propinas de bilhões de dólares foram dadas ao PT e a políticos aliados vindos de contratos estabelecidos pela estatal Petrobras. O que faz isso ser tão nocivo a Dilma Rousseff é que ela presidiu Conselho de Administração da Petrobras durante a maior parte do tempo. Que ninguém acredite que ela seja pessoalmente envolvida em corrupção talvez não impeça que se tente um pedido de impeachment contra ela, apesar disso parecer improvável.

Nenhum presidente moderno brasileiro enfrentou um ponto de partida tão fraco. Ela tentou afastar isso ao escolher a equipe econômica mais forte que os brasileiros poderiam razoavelmente esperar. “Já é pelo menos um começo”, conclui o artigo.

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