Crise hídrica, retrato de um divórcio com a natureza (Leitura noturna)

18/10/2014 at 21:41 (*Liberdade e Diversidade) ()

Rio São FranciscoPonte sobre o São Francisco em Bom Jesus da Lapa, sertão baiano. Nascente do rio secou pela primeira vez, e fluxo dos afluentes que chegam do Cerrado diminuiu drasticamente

Além de S.Paulo, Minas e Cerrado atingidos. Gravidade do problema, em país com imensas reservas d’água, exige rever por completo politica para rios e florestas

15 de outubro de 2014

Por Washington Novaes, na Envolverde/IPS  / Outras Mídias

É preocupante que a maior parte das discussões sobre a crise no abastecimento de água em várias regiões do País continue a admitir – explícita ou implicitamente – que a solução virá, neste fim de ano, apenas com a “normalização” do regime de chuvas, principalmente em São Paulo, Minas Gerais e no Cerrado. Será preciso muito mais.

Vai-se de susto em São Paulo. Pela primeira vez na história, a nascente do Rio São Francisco, na Serra da Canastra (MG), está “completamente seca” – e o rio também quase não recebe mais, ao longo de seus 2.700 quilômetros, água de seus tributários que nascem no Cerrado ou nele estão.

Há quase uma década o autor destas linhas registrava, em documentário para a TV Cultura, que o problema já estava presente no Verde Grande e outros afluentes do São Francisco, com o desmatamento no Cerrado; o então diretor de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, professor Bráulio S. Dias, dizia que uma avaliação no subsolo do Cerrado – que verte água para as três maiores bacias brasileiras – mostrava um estoque suficiente para sete anos. Mais alguns anos à frente, já secretário-geral da Convenção da Biodiversidade da ONU, o professor Bráulio mostrava sua preocupação com a queda do estoque para um fluxo de apenas três anos.

Ao que parece, em alguns lugares o estoque se esgotou, com o desmatamento (mais de 50% do Cerrado) e a impermeabilização do solo, que impedem a infiltração da água. E não se recomporá apenas de um ano para outro. É a tese, por exemplo, do professor João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco (Recife), para quem “a chegada de novas chuvas não garante, em absoluto, a infiltração da água no solo e tampouco a volta da normalidade nas nascentes” (remabrasil, 30/9).

O problema é grave também em outras áreas. Observa o jornalista científico Julio Ottoboni (Eco21, agosto de 2014), que parte do Sudeste brasileiro, do Centro do País e do Sul podem estar caminhando “para a desertificação”, com a situação atual agravada pela seca relacionada com a devastação da Floresta Amazônica e sua influência nos regimes do clima mais a sul, como “cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Instituto de Pesquisas da Amazônia alertam há uma década”. A Floresta Amazônica, lembra ele, só de 1970 para cá perdeu 600 mil quilômetros quadrados de mata (já há cálculos de que, no total, sejam 750 mil quilômetros quadrados , segundo a Folha de S.Paulo, 9/6). Com isso o fluxo para o Sul de nuvens de ar úmido que dali provinham vem sendo bloqueado progressivamente.

Também a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO-ONU) vem alertando (24/7) para a necessidade premente de deter o processo de degradação do solo, que já é de moderado a altamente preocupante em 33% das terras, onde está um quarto da biodiversidade e parcela importante da água. No nosso continente a degradação já está presente em 25% dos solos; desde o século 19, nada menos que 60% do carbono armazenado nos solos se perdeu, com mudanças no uso da terra, desmatamento para a agricultura e pecuária e outras atividades.

No Semiárido brasileiro – “o mais chuvoso do mundo”, segundo João Suassuna -, 90% da água da água se evapora sem se infiltrar no solo impermeabilizado. E faz lembrar o então ministro Celso Furtado quando dizia que a ocupação da faixa litorânea do Nordeste pela cana-de-açúcar deslocara a maior parte da população para as regiões mais áridas e impróprias para a agricultura, com água escassa (daí a criação, em pequena escala, de gado bovino e bodes). Faz lembrar também o escritor Ariano Suassuna, que ao ser perguntado por este escriba sobre o que achava dos programas de combate à seca no Nordeste, respondeu de pronto: “Tentar combater a seca no Nordeste é o mesmo que tentar impedir a neve na Sibéria”. O correto são programas de convivência, explicou. Como as cisternas de placa, as barragens subterrâneas – e não com transposição de água, pode-se acrescentar.

Então, não se avançará sem forte apoio à substituição da lenha na matriz energética do Semiárido (30% do total). Não se avançará sem programas federais, estaduais e municipais de combate drástico ao desmatamento (o desmatamento recente na Amazônia voltou a crescer). Sem repressão implacável a queimadas ali e no Cerrado, onde no período janeiro/julho último foram quase 20 mil, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Onde as novas áreas de pastagens respondem por 46% da área desmatada, segundo o Inpe e Embrapa (Valor, 22/9).

E é preciso partir imediatamente, em todo o país, e mais especialmente no caso paulista, para fortes programas de redução de perdas nas redes de distribuição de água. No País, a perda média é de 40%. Mesmo em São Paulo, que as reduziu para pouco mais de 25%, não faz sentido admitir um futuro muito sombrio se é possível eliminar essa perda – desde que se impeça a influência das grandes empreiteiras de obras, que não as querem nas redes, por se tratar de pequenas intervenções ao longo de toda a cidade, e não de obras milionárias (como as de transposição ou de captação de água a grandes distâncias).

Numa cidade como São Paulo – já se escreveu tantas vezes neste espaço – não faz sentido igualmente arrancar os cabelos e, ao mesmo tempo, não poder usar um litro de água como a dos Rios Tietê e Pinheiros, altamente poluídos por deposição de esgotos, lixo, sedimentos, etc. Nem pensar, passivamente, que mais de 30 afluentes do primeiro rio continuam sepultados sob o asfalto, sem possibilidade de intervenção.

Soluções há. Mas é preciso deixar de lado velhas crenças de que a natureza, sozinha, tudo fará, e num prazo curto – basta que retornem as chuvas, esquecendo-se as situações mencionadas neste artigo e outras. O Brasil tem jeito. Mas é preciso querer buscar caminhos adequados – que precisam ser o foco das discussões no segundo turno da votação.

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DATAmax: Aécio amplia vantagem sobre Dilma e abre 23 pontos percentuais em MS

18/10/2014 at 17:18 (*Liberdade e Diversidade)

1º GRÁFICO - INTENÇÃO ESTIMULADA PRESIDENTE - 2º TURNO - 12

DataMax

18/10/2014

Waldemar Gonçalves / MidiamaxNews

Vencedor no primeiro turno em Mato Grosso do Sul, o candidato Aécio Neves (PSDB) ampliou a vantagem sobre a adversária, Dilma Rousseff (PT), neste segundo turno da corrida à Presidência.

Levantamento feito pelo DATAmax coloca Aécio 23 pontos percentuais à frente de Dilma, com 61,55% das intenções de voto, diante de 38,45% da petista. Neste caso, considerando-se apenas os votos válidos.

No resultado geral, Aécio lidera em Mato Grosso do Sul com 55,08%, enquanto Dilma soma 34,42%. Outros 5% dos entrevistados disseram que anularão ou votarão em branco, e mais 5,5% não souberam responder.

No primeiro turno, a diferença entre ambos nas urnas sul-mato-grossenses foi de 3,8 pontos percentuais, ou 51,3 mil votos. Aécio foi votado 558.331 vezes e Dilma foi escolhida por 506.951 eleitores.

Para este levantamento, o DATAmax ouviu 1,2 mil pessoas em 38 municípios, entre os dias 12 e 16 de outubro. O nível de confiança estimado é de 95% e a margem de erro é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os números MS-00066/2014 e BR-01114/2014.

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ELEIÇÕES 2014: Pegando fogo – literalmente

18/10/2014 at 16:56 (*Liberdade e Diversidade)

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queimadas

Por Alberto Dines em 18/10/2014 na edição 820

Reproduzido do El País, 17/10/2014; intertítulo do OI

Arde o circo eleitoral montado pelas televisoras, flechas incendiárias são desferidas pelos candidatos sem qualquer escrúpulo e respeito à verdade, a civilidade foi para o brejo e o brejo secou.

A pior estiagem de todos os tempos provoca perigosas queimadas na Mata Atlântica (teoricamente úmida), no cerrado, nos canaviais recém-colhidos e pastagens ressecadas por um inverno rigoroso.

São Paulo, a maior metrópole da América Latina, está calcinada, acalorada, suada, reservatórios no limite, indignação idem, o calor prestes a completar um ano e a lata d’agua na cabeça convertida em ícone do retrocesso.

Desidratados, sufocados pela poluição, abatidos pelas previsões meteorológicas e conjunturais, olhamos súplices para Brasília e Brasília está “fora de área”, encoberta pela poeira e cinzas. Tuitamos para a Presidência da República, ninguém atende, estão todos na rua batalhando por votos. Nem o vice candidato a vice – sempre pronto para participar de eventos chatos – está disponível.

Algumas regiões estão em estado de calamidade, mas não há ninguém para garantir que as providências estão sendo tomadas, mesmo que se contentem em colocar São Pedro no banco dos réus. O governo parece prestes a desmaiar, aparentemente solidário com a crise hipoglicêmica que acometeu a presidente da República ao fim do debate no SBT. Pior: todos aqueles capazes de dar murros na mesa em defesa da população foram convocados para esmurrar a oposição.

Veemência e agressão

Esta é a grande calamidade para a qual candidatos, seus parceiros e mentores não estão dedicando a necessária atenção: uma democracia prestes a completar trinta anos – idade que Balzac considerava ideal para a mulher – mostra-se incapaz de manter um mínimo de estabilidade e governabilidade enquanto se envolve com gosto e prazer numa campanha belicosa, vitriólica, em níveis jamais vistos.

Não por acaso na mesma quinta-feira (16/10), o presidente do TSE, ministro Antonio Dias Toffoli, decidiu intervir e acolher reclamações do candidato da oposição. Ao mesmo tempo, advertiu que o tribunal não tolerará abusos no horário da propaganda eleitoral e proporá modificações substantivas para enxugar a duração da campanha no primeiro e segundo turnos. “Uma campanha mais enxuta fica mais barata e mais eficiente para o eleitor. Ao descambar para acusações prova-se que há muito tempo livre.”

É evidente que tem faltado pulso aos jornalistas que conduzem os debates televisivos. O público espera deles algo mais consistente do que a atuação como mestres de cerimônia. As emissoras são responsáveis pelo conteúdo que transmitem, mesmo quando as manifestações partem das altas autoridades. No espaço e durante o tempo de um programa ao vivo, o verdadeiro presidente é o jornalista encarregado de manter o decoro, a civilidade e gerir o espetáculo até os letreiros do encerramento. Sobretudo no caso de eventos na esfera cívica.

O (jornalista) âncora é como a âncora, capaz de segurar a embarcação, mantê-la firme, sob controle. Obviamente não lhe cabe julgar a validade ou veracidade de acusações e denúncias pronunciadas à sua frente pelos candidatos, mas compete-lhe identificar onde a veemência pode transformar-se em agressão e a eloquência descambar para o vale-tudo.

O país está pegando fogo – literalmente. Precisamos urgentemente de bombeiros e, principalmente, de cidadãos dispostos a apagar incêndios e evitar rupturas.

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Charge do Spacca no Observatório da Imprensa

18/10/2014 at 16:42 (*Liberdade e Diversidade)

Spacca*Charge do Spacca no Observatório da Imprensa – haja coração!

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Obama pede à população para não ceder à histeria e ao medo do ebola

18/10/2014 at 16:23 (*Liberdade e Diversidade)

obama

Barak Obama teme a histeria e o medo do povo norte-americano 

18/10/2014

Brasília

Da Agência Lusa Edição: Alberto Mendonça Coura

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu hoje (18) à população norte-americana para não ceder à “histeria ou ao medo” por causa do vírus ebola. Obama considerou que o país e o mundo enfrentam uma “doença grave”, mas que “não se pode ceder à histeria ou ao medo, porque isso só torna mais difícil transmitir às pessoas as informações necessárias”. Com mais de 4,5 mil vítimas fatais, a crise provocada pelo vírus tem atingido, sobretudo, os países africanos da Guiné, Libéria e Serra Leoa.

“Temos de ser guiados pela ciência”, comentou o presidente no discurso semanal ao país. Informou que tem enfrentado falsos alarmes, incluindo no Pentágono, onde uma entrada foi fechada depois de uma mulher ter vomitado em um estacionamento. Mais tarde foi divulgado que não havia provas de contágio da mulher.

A posição de Obama surge um dia após o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, ter avisado que a batalha contra a doença estava sendo perdida. Segundo Kim, isso se deve à falta de solidariedade internacional nos esforços para conter a epidemia, já que alguns países estão preocupados apenas com as suas fronteiras.

Porta-voz das Nações Unidas, Jens Laerke, informou que o dinheiro para combater a crise tem chegado diariamente, na sequência do apelo, feito há um mês, para reunir US$ 1 bilhão.

Saiba Mais

Dallas: profissionais de saúde sob risco de ebola ficam sujeitos a restrições

Fundo das Nações Unidas só tem US$ 100 mil para combater ebola

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Evo Morales e a vitória do “Socialismo Comunitário”

18/10/2014 at 13:41 (*Liberdade e Diversidade)

Evo MoralesPor que e como garantir propriedade para os povos originários e cooperativas. A proibição dos transgênicos, cultivados por brasileiros. Bolívia, possível polo energético sul-americano?

18 de outubro de 2014

Por André Takahashi, direto de La Paz, em Carta Capital

Outras Palavras

Na véspera das eleições bolivianas que garantiram seu terceiro mandato à frente da Bolívia, o presidente e candidato Evo Morales recebeu Carta Capital para uma entrevista em Cochabamba, no palácio do governo departamental. Ali, uma comitiva de mídias nacionais e internacionais aguardava o ônibus que os levaria para acompanhar a votação de Evo em Villa 14 de Setembro, no Chapare.

O presidente chegou cedo ao palácio, às sete da manhã, dirigindo seu próprio carro e aparentemente sem seguranças. No momento de sua chegada, apenas os repórteres de CartaCapital e Bolivia TV aguardavam na calçada. Ao nos ver, o presidente veio em nossa direção e nos cumprimentou “Hola, compañeros”, dando um leve soco no punho de cada um, como quem encontra velhos amigos.

Com seu jeito informal e carismático, Evo recebeu cada mídia para uma entrevista exclusiva de 10 minutos, com perguntas livres. Seguem abaixo os principais trechos da conversa para CartaCapital onde Evo falou sobre socialismo comunitário, transgênicos e integração latino-americana.

Por que o senhor estava tão bem posicionado nas pesquisas?

Sinto que durante os nove anos de governo temos trabalhado pelo povo sem descuidar da luta contra o império. É outra a imagem que temos da Bolívia, depois de tomar as decisões políticas mediante a Assembleia Constituinte, depois da nacionalização, a nova situação econômica com redução da pobreza sob a política de redistribuição de riqueza. Isso tem sido a base do modelo econômico boliviano. Porém, além disso, quando se trabalha para o povo, você se fortalece e não se desgasta. Essa é a experiência dessa gestão como presidente.

Em todos os comícios você falava em obter mais de 70% dos votos. Por que essa meta?

Começamos com 20%, chegamos a 54%, 58%, depois 64%. Agora vai ser 70%, mas isso vai depender do povo. Há ambições de seguir melhorando nossas votações. Não sei com que estratégia, mas vamos bater nosso recorde. (Até o fechamento deste texto, Evo havia conseguido 60%, de acordo com a apuração oficial.)

Na Bolívia, vive-se um governo socialista?

Aqui temos o socialismo comunitário, onde fundamentalmente se respeita a propriedade privada. E todos merecem uma propriedade privada, segundo a Constituição, que é resultado da refundação da Bolívia e precisa obrigatoriamente ser respeitada. O mais importante, porém, é que no setor mais empobrecido o que se aplica é o socialismo comunitário.

E o que é o socialismo comunitário?

É um trabalho conjunto. É respeitar as terras dos povos originários (indígenas). Há propriedade privada, há associações econômicas como as cooperativas, há empresas comunais e empresas familiares. Isso é a base do socialismo comunitário.

Atualmente, como está o processo de integração latino-americana?

É sempre importante a integração da América Latina e do Caribe. Temos a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), por exemplo, que é outra forma de libertação da América do Norte, do Canadá e, especialmente, dos Estados Unidos. A CELAC é como outra OEA (Organização dos Estados Americanos), mas sem os EUA. Temos algumas diferenças ideológicas com alguns presidentes, mas a ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) é uma instância de integração que não é usada por ninguém para seus próprios interesses, como fazem os EUA. Agora, a ALBA é todo o contrário da Aliança do Pacífico. As políticas norte-americanas usam os países da Aliança do Pacífico para romper esse sistema de integração, caso da UNASUL (União de Nações Sulamericanas) e da CELAC. Enquanto na ALBA há decisões políticas e ideológicas bem definidas de que somos de um pensamento anti-imperialista e de um sistema anticapitalista, os países da Aliança do Pacífico se juntam pró-capitalistas e pró-imperialistas para frear o sistema de integração. Essa é a profunda diferença que temos neste momento.

Existem muitos empresários brasileiros na Bolívia trabalhando com agricultura, e alguns analistas dizem que eles estão realizando plantios de transgênicos. Como o senhor vê a questão dos transgênicos ilegais na Bolívia?

São dois temas: um é o da propriedade de terras. Se são legalmente registradas no nome dos brasileiros que as compraram, são respeitadas. Esperamos que não estejam ilegais, porque aí vamos tomar providências. Segundo: estrangeiros não têm porque plantar transgênicos ilegais – o que também não vamos permitir, é claro! É uma política do estado fomentar produtos orgânicos e ecológicos para o bem da vida e para o bem da saúde.

Um dos objetivos do seu governo é converter a Bolívia no coração energético da América do Sul, inclusive com o uso de energia nuclear. Pode falar um pouco dessa escolha?

Energia nuclear com fins pacíficos requer muito tempo para se desenvolver. Decidimos que a Bolívia vai ser um centro energético da América do Sul com as plantas hidrelétricas, estamos começando a incorporar energia solar, a eólica, a geotérmica e a termoelétrica será para o mercado interno. Estamos também considerando a energia nuclear com fins pacíficos. Isso requer tempo e investimentos. Mas, desde que os fins sejam pacíficos, temos direitos. Não é possível que somente alguns países chamados desenvolvidos ou altamente industrializados tenham direito à energia atômica, mesmo que nem sequer com fins pacíficos, mas com fins de acabar com vidas. Por que nós não? Temos todo o direito e vamos desenvolvê-la.

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Horário de verão: relógios devem ser adiantados uma hora

18/10/2014 at 13:11 (*Liberdade e Diversidade)

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18/10/2014

Agência Brasil

Sabrina Craide – Repórter da Agência Brasil

A partir da 0h deste domingo (19) os moradores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste deverão adiantar seus relógios em uma hora. A edição 2014/2015 do horário brasileiro de verão terá uma semana a mais, para não coincidir com o carnaval, e terminará no dia 22 de fevereiro do ano que vem.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, mesmo com uma duração maior, a medida deverá resultar em uma economia menor do que no ano passado. A estimativa é que sejam poupados R$ 278 milhões com geração de energia térmica. Na edição anterior a economia foi R$ 405 milhões.

O valor é menor devido à escassez de chuvas que elevou o uso da energia gerada pelas usinas térmicas. A estimativa é reduzir 4,5% na demanda de energia no horário de pico, entre 18h e 21h, o que representa 2.595 megawatts.

Instituído pela primeira vez em 1931, o horário de verão é adotado sempre nesta época do ano para aproveitar melhor a luminosidade natural do dia e reduzir o consumo de energia, que cresce naturalmente por causa do calor e do aumento da produção industrial às vésperas do Natal.

Com a mudança de horário é possível reduzir a demanda por energia no período de suprimento mais crítico do dia, entre as 18h e as 21h, quando a coincidência da utilização de energia elétrica por toda a população provoca um pico de consumo. Com a redução, o uso de energia gerada por termelétricas pode ser evitado, reduzindo o custo da geração de eletricidade.

O horário de verão só é aplicado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porque nesses estados o consumo é maior e é onde os melhores resultados são alcançados. A aplicação no Norte e no Nordeste não foi recomendada, porque teria poucos benefícios em termos de economia de energia. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aproveitamento da luz natural ao longo do dia no verão é maior em locais mais próximos aos trópicos. Nos locais mais próximos à Linha do Equador o aproveitamento é reduzido, porque há uma menor intensificação da luz natural ao longo do dia.

Editor Beto Coura

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Aos médicos, com carinho (Crônica do dia)

18/10/2014 at 11:25 (*Liberdade e Diversidade)

Doctor

Fábio Augusto*

18/10/2014

Quando eu cursava o Ensino Médio, fiquei doente e fui com o meu pai procurar um médico. Na época, já sonhava em ser doutor. Meu pai, orgulhoso com o empenho e esforço do filho nos estudos, comentou com ele sobre minhas intenções e meus objetivos. Tomamos um banho de água fria ao ouvir suas palavras, aconselhando-me a abandonar a ideia e tentar outra coisa, pois, segundo ele, “medicina não dava futuro”. Quase caímos da cadeira, ouvindo-o acrescentar que o agradecimento de um paciente resumia-se na pura gratificação. Dizia que não esperasse reconhecimento pelo esforço e trabalho, a não ser o dinheiro pago, pois na vida real era assim.

Sem título

Meu pai, vendo-me sair do consultório cabisbaixo e desiludido, disse, sorrindo, que não me abatesse, pois em todas as profissões havia pessoas insatisfeitas e infelizes por não perceberem que, com o seu trabalho, poderiam fazer o bem aos que mais necessitavam.

Já na faculdade, assumi a responsabilidade de provar para mim mesmo que aquele médico do passado estava enganado. E assim aconteceu. Hoje, sei que ser médico é partilhar de episódios das vidas dos meus pacientes, situações difíceis em que doenças ou acidentes surgem inesperadamente e, muitas vezes, limitam suas capacidades físicas, abalando também as estruturas emocionais e espirituais.

É diariamente enfrentar situações em que o “decidir” afeta diretamente a própria vida, assim como a dos que me cercam, sejam eles pacientes, amigos ou familiares, andando sobre a tênue linha entre o certo e o errado, o bem e o mal, a vida e a morte. Ser médico é difícil, porém, ser um médico cristão é um desafio. É colocar-se no lugar dos que o procuram sedentos de alívio para seus sofrimentos, mesmo quando, muitas vezes, o corpo do paciente não responde ao melhor tratamento que podemos lhe oferecer.

É olhar além das cruzadas pelos hospitais, preocupado em não errar, atender aos chamados, cumprir horários e oferecer o seu melhor no aspecto técnico. É abdicar de momentos junto à família, enfrentar a maratona dos estudos durante toda a vida, abraçando a cruz e o sofrimento das longas noites de plantão mal dormidas.

Ser médico cristão é ser convidado a não cruzar os braços e levantar a bandeira do direito à vida em qualquer situação, desde a concepção até a morte. É não deixar que o desespero domine atitudes e manipule convicções, prevalecendo o sentido de humanização, diálogo, espiritualidade, afetividade, respeito à dignidade humana e defesa da vida, pilares que sustentam a confiança no tratamento e mantêm o vínculo médico-paciente.

É compreender que a medicina não é soberana, que não possuímos superpoderes e nem somos senhores da vida e da morte. Tudo o que podemos fazer nestes momentos difíceis é oferecer o nosso melhor no aspecto técnico e humano, admitindo, então, o “seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu”.

Ser médico significa escolher a dualidade de uma vida regada de sentimentos intensos, alternando entre derrotas e vitórias, tristezas profundas e alegrias exultantes, ao se deparar com sorrisos iluminando semblantes antes tomados pela preocupação e pelo sofrimento, acolhendo, ouvindo, entendendo, aprendendo e partilhando com o outro as luzes do viver. Sou grão de areia na imensidão de médicos que trabalham no País. A maioria deles, assim como eu, pauta seus dias na dignidade e humildade. Por isso, clamo que os médicos do Brasil sejam respeitados por tudo o que estudaram e pela sua dedicação.

Que os médicos do nosso País não sejam colocados em um mesmo saco, marginalizados como mercenários, insensíveis à dor de quem os procura. Não maculemos essa nobre vocação que, em mãos preparadas, medica também com muito amor, carinho e compaixão.

Parabéns a todos os médicos da nossa nação.

*Médico, escritor, palestrante e compositor – http://www.fabioaugustooficial.com.br

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*Homenagem do blog “Liberdade,Liberdade” a todos os bons médicos do Planeta!

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Charge do Duke: Matrimônio e Eleições

18/10/2014 at 10:25 (*Liberdade e Diversidade)

imageCharge Super do Duke no jornal O Tempo de BH-MG de hoje (18/10).

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Agricultura e transporte de cargas sofrem com falta de chuva em SP

18/10/2014 at 10:03 (*Liberdade e Diversidade)

hidroviaEstimativa de prejuízo passa de R$ 30 milhões, só com a suspensão da navegação na Hidrovia Tietê-Paraná (Angelo Perosa/Secretaria de Meio Ambiente SP/Direitos Reservados

17/10/2014

Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasileira

Edição: Talita Cavalcante

A estiagem prolongada em São Paulo tem causado perdas ao agronegócio do estado, principalmente no setor de logística. Se ainda não é possível dimensionar todo o dano na safra 2013/2014, na área de logística, a estimativa de prejuízo passa de R$ 30 milhões, só com a suspensão da navegação na Hidrovia Tietê-Paraná. A informação é do presidente do Conselho de Logística e Infraestrutura da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Renato Pavan. Em entrevista à Agência Brasil, Pavan disse que a expectativa de prejuízo potencial poderia alcançar R$ 45 milhões, somente com os problemas enfrentados no transporte da safra pela hidrovia.

“Hoje, para se transportar grão de São Simão pela hidrovia até Pederneiras e, de lá, com ferrovias até Santos, custa R$ 86 a tonelada. Como não foi possível continuar a navegação na hidrovia, então essa carga teve que ir por caminhão custando R$ 101 por tonelada. Essa diferença provoca a diminuição da renda do produtor e congestionamento das estradas até o porto, sem falar na quantidade de caminhões para substituir a ferrovia”, explicou ele.

A Hidrovia Tietê-Paraná tem 2,4 mil quilômetros (km) de extensão, sendo 800 km no estado de São Paulo. Ela conecta os cinco maiores estados produtores de grãos: Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná. Por causa da falta de chuva e devido ao aumento de geração de energia nas hidrelétricas de Ilha Solteira e de Três Irmãos, trechos de navegação na hidrovia tiveram que ser paralisados.

Segundo Pavan, hoje a hidrovia tem capacidade para transportar 6 milhões de toneladas de carga, sendo 3 milhões de grãos e 3 milhões referente ao que ele chama de “caráter regional”, com transporte de cana e areia. “Mas ela tem potencial para receber até 12 milhões de toneladas”, destacou ele, ao acrescentar que a hidrovia deverá passar por obras. Para Pavan, é preciso tornar a hidrovia navegável de forma permanente, embora haja a limitação por causa do período de chuva.

No ano passado, segundo a Secretaria Estadual de Logística e Transporte, 6,3 milhões de toneladas de cargas – entre milho, soja, madeira, carvão e adubo – foram transportadas por essa hidrovia. De acordo com o órgão, a utilização da hidrovia como modal de transporte traz vários benefícios, tais como a diminuição do consumo de combustível, a emissão de menos poluentes e o desafogamento do tráfego nas rodovias, além de ter menor custo.

A hidrovia é administrada pela Administração da Hidrovia do Paraná (Ahrana), responsável pela bacia do Rio Paraná e seus afluentes. A Agência Brasil tentou contato com a Ahrana, mas não obteve resposta até a publicação da matéria.

No setor industrial, ainda não foi possível prever o prejuízo com a falta de água no estado. Mas um estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em maio deste ano com 413 empresários paulistas já demonstrava preocupação deles com um possível racionamento no estado. Entre os empresários ouvidos na pesquisa, 67,6% mostraram preocupação com a possibilidade de racionamento de água. Sobre as consequências de uma interrupção no fornecimento de água, 62,2% indicaram que a produção poderia ser prejudicada, mas não precisaria ser interrompida.

“Em suma, grande parte das empresas está preocupada com a possibilidade de um racionamento de água este ano. Uma interrupção no fornecimento de água afetaria as empresas, mas não de forma acentuada: a falta d’água, em boa parte, poderia prejudicar a produção, mas esta não precisaria ser interrompida na maioria dos casos”, mostra o estudo da Fiesp.

Isso, segundo a federação, se deve porque metade das empresas pesquisadas possui alguma fonte alternativa de água, permitindo que a produção seja mantida em caso de racionamento. “Ainda assim, uma parcela das empresas [29,5% das empresas de grande porte] sofreria forte impacto de racionamento de água, pois precisariam paralisar a produção, que pode demorar para ser retomada e até em alguns casos acarretar perda de máquinas e/ou do material que está sendo processado”, informa o estudo.

Já na agricultura, os prejuízos foram sentidos de diversas formas, segundo o pesquisador Orivaldo Brunini, do Instituto Agronômico (IAC) de Campinas. De acordo com ele, a falta de chuva afetou várias culturas em desenvolvimento, tais como a de cana, milho e citros, reduzindo a produção e a qualidade.

“O prejuízo é econômico e social – não ter água para irrigar – afetando a qualidade de produtos e diminuição da produção”, disse ele. Brunini citou como exemplo a produção da cana, que apresentou queda superior a 15% nesta safra.

A produção de milho na região do Pontal do Paranapanema, a de cana na região araraquarense e mogiana, a de uva na região de Santa Fé do Sul e de morango na região de Atibaia estão sendo bastante atingidas pela estiagem este ano, pois falta água para a irrigação. No caso da cana, por exemplo, o pesquisador admite que a estiagem pode até provocar desemprego. “Posso dizer que, no caso da cana de açúcar, a seca antecipou a colheita e muitas pessoas podem perder o serviço em relação ao corte.”

Brunini disse que o governo estadual já está implantando medidas para tentar conter os prejuizos com a estiagem no estado tais como o Programa estadual de Recursos Hídricos e o Programa de Agricultura Irrigada. “Infelizmente esta seca alertou a agricultura sobre a importância de [desenvolver] trabalhos e ações e implantar programas governamentais sobre segurança hídrica.”

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