Eleições na Bolívia terminam com Evo Morales como favorito

12/10/2014 at 18:44 (*Liberdade e Diversidade)

Evo MoralesMorales, um indígena de tendência esquerdista, tinha 59% das intenções de voto nas pesquisas (Foto: NA)

Pesquisas da última semana mostraram Morales com quase 60% das intenções de votos, com 40 pontos de vantagem para o segundo colocado

12 de outubro de 2014

AFP / Terra

As eleições gerais da Bolívia terminaram neste domingo às 16h locais (17h de Brasília), oito horas após seu início, como define a lei, com o atual presidente Evo Morales como claro favorito nas pesquisas para sua reeleição.

O dia transcorreu com normalidade e os primeiros resultados de boca de urna poderão ser anunciados a partir das 0h GMT (21h de Brasília), segundo as diretrizes do tribunal eleitoral, para esperar um número indeterminado de seções que iniciaram a votação com atraso.

Quase seis milhões de bolivianos estavam registrados para comparecer às urnas.

As pesquisas da última semana mostraram Morales com quase 60% das intenções de votos, com 40 pontos de vantagem para o segundo colocado, o empresário Samuel Doria Media.

Morales, um indígena de tendência esquerdista, tinha 59% das intenções de voto nas pesquisas, contra 18% de Doria Medina e 9% do ex-presidente liberal Jorge Quiroga, seus principais rivais.

O presidente, o primeiro indígena a governar o país, conseguirá a reeleição se alcançar 50% mais um dos votos válidos ou pelo menos 40% com uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado.

Os bolivianos também escolherão 36 senadores e 130 deputados para a Assembleia Legislativa Plurinacional.

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Presidente do PSB diz que aliança com Aécio foi traição e declara apoio a Dilma

12/10/2014 at 18:19 (*Liberdade e Diversidade)

Roberto-Amaral-e1413073181197‘É a alternativa que mais contribui na direção do resgate de dívidas históricas com povo’

12/10/2014

Jornal do Brasil

O presidente nacional do PSB – partido pelo qual a ex-senadora Marina Silva disputou o primeiro turno da eleição para a Presidência -, Roberto Amaral, publicou uma mensagem em seu blog neste fim de semana criticando a aliança de seu partido com o candidato tucano Aécio Neves para o segundo turno. Para Amaral, o apoio “renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática”.

Ainda segundo Amaral, “ao aliar-se à candidatura Aécio Neves, o PSB traiu a luta de Eduardo Campos”. O presidente do PSB prossegue afirmando que, “por isso mesmo e, coerentemente, votei, na companhia honrosa de Luiza Erundina, Lídice da Mata, Antonio Carlos Valadares, Glauber Braga, Joilson Cardoso, Kátia Born e Bruno da Mata, a favor da liberação dos militantes. O Senador Capiberibe votou em Dilma Rousseff”.

No texto, Amaral deixa claro seu apoio à candidata petista. “Recebi com bons modos a visita do candidato escolhido pela nova maioriaCumprido o papel a que as circunstâncias me constrangeram, sinto-me livre para lutar pelo Brasil com o qual os brasileiros sonham, convencido de que o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única alternativa para a esquerda socialista e democrática.”

Artigo de Roberto Amaral critica apoio a Aécio Neves

Veja o texto na íntegra:

>> http://ramaral.org/?p=9256

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A inevitável restrição ao automóvel privado (Leitura dominical)

12/10/2014 at 15:12 (*Liberdade e Diversidade)

carro nãoTrânsito mata 148 brasileiros por dia e deixa 1,2 mil com sequelas permanentes. Em SP, tempo médio de deslocamento aproxima-se de 3horas diárias. Buscar alternativas torna-se prioridade máxima

8 DE OUTUBRO DE 2014

Por Roberto Amado, no DCM / Outras Mídias

Não tenha dúvida: você vai ter que, cedo ou tarde, deixar o seu carro em casa. Pode ser por ideologia, bom senso, solidariedade, opção política… Mas, se não for por nenhum destes motivos, será por necessidade.

Isso se aplica a todos os moradores das grandes cidades, brasileiras ou não, e muito provavelmente à grande maioria das cidades médias.

Para começar, circular com o carro será cada vez mais uma atividade cara. Muitas cidades do mundo, como Londres e Singapura, praticam há muito tempo o pedágio urbano — uma taxa para circular nos centros mais frequentados da cidade. Além disso, é bastante provável a implantação de uma espécie de “imposto de privilégio” — dinheiro pago por quem tem carro para financiar o transporte público. “Se você quer ter privilégios, tem que pagar”, diz Ailton Brasiliense, presidente da Associação Nacional de Transporte Público, citando cidades europeias que já praticam esse conceito.

Outro motivo é tão óbvio quanto lógico: simplesmente não há e não haverá mais espaço para continuar circulando com carros nas ruas dos centros urbanos. Em São Paulo, há 6 milhões de carros, aos quais se somam, todos os dias, mais 900 carros. Para onde vão todos eles? O fato é que o tempo médio mundial de deslocamento para o trabalho é de uma hora.

Em São Paulo é 2h46min e 30% dos trabalhadores perdem 3 a 4 horas por dia nos congestionamentos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez um estudo do trânsito nas grandes cidades e constatou que os problemas enfrentados na locomoção afetam a produtividade no trabalho e no estudo. Deixa-se de faturar R$ 5,2 bilhões por ano na cidade de São Paulo em decorrência do trânsito que não anda. E já não há como melhorá-lo: não adianta gastar bilhões construindo pontes, viadutos e novas avenidas. Esse modelo está falido.

Em junho deste ano, a Tom Tom, empresa holandesa de localização automotiva, publicou um ranking da qualidade de trânsito, baseado na comparação entre os tempos de deslocamento do horário livre e do rush no mesmo percurso e essa relação é expressa em porcentagem — quanto maior, pior o trânsito. O Brasil tem duas cidades no ranking das cinco primeiras: 1º Moscou (Rússia) – 76%, 2º Istanbul (Turquia) – 62%, 3º Rio de Janeiro – 55%, 4º Cidade do México (México) – 54% e 5º São Paulo – 46%

A revolução que o prefeito Haddad prometeu fazer em São Paulo é ainda apenas uma ameaça. Os 250 km de faixas exclusivas para ônibus e 400 km de ciclofaixas prometidas fazem parte de um processo inevitável de segregação do carro. “São medidas que deveriam começar a ser implantadas há 50 anos”, diz Brasiliense. Há um consenso internacional entre especialistas de destinar a cidade às pessoas e não mais aos veículos. O carro já não pode ser usado para o transporte individual diário e rotineiro — deve usado para situações especiais e lazer.

Se os motivos ainda não são suficientes, que tal este: o trânsito mata, a cada ano, cerca de 1,3 milhão de pessoas no mundo todo. É muito mais do que a soma das vítimas de todas as guerras e práticas de terrorismo que ocorrem no planeta. Por esse motivo, a ONU iniciou a campanha “Década de ações para a segurança no trânsito” cujo objetivo é promover entre 2011 e 2020 uma redução de 50% das fatalidades ocorridas nas ruas e estradas do mundo todo.

No Brasil, em 2013, 54 mil pessoas morreram no trânsito no Brasil e 444 mil ficaram com sequelas permanentes devido a acidentes. “O trânsito brasileiro é uma verdadeira guerrilha”, diz Silvio Médici, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Trânsito. O que provoca um prejuízo, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 30 bilhões de reais por ano em indenizações, diminuição da produtividade das vítimas, despesas hospitalares e outras causas.

A adesão ao transporte público é inevitável para todos. ”É um processo lento. No carro você tem privacidade e mobilidade. No ônibus, tudo é desconfortável. A começar pelas calçadas indecentes, pelo trânsito que não respeita o pedestre, pelo ponto de ônibus, que é um pedaço de pau na calçada, pela falta de informação dos trajetos e horários, pelo desconforto da espera, normalmente feita em pé e sujeita ao tempo”, diz Ailton Brasiliense. Ainda assim, as faixas exclusivas já estão permitindo que os ônibus se desloquem com mais rapidez que os carros, estimulando seu uso. E as ciclovias, ainda vazias, serão, certamente, ocupadas por um número crescente de pessoas.

O melhor de tudo é que andar pela cidade, a pé, de ônibus ou bicicleta é a melhor maneira de realmente conhecê-la. Já estava mesmo na hora de sairmos dessa armadura de lata e voltar a dominar as ruas. Afinal, a praça é do povo.

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Inaugurado hoje o novo Centro Municipal Pediátrico em Campo Grande,MS

12/10/2014 at 14:52 (*Liberdade e Diversidade)

Centro pediátricoCentro Municipal Pediátrico tem 25 médicos para atender até 300 crianças por dia (Foto: Luiz Alberto)

12/10/2014

Evelin Araujo e Tatiana Lemes

O local atenderá crianças de zero a 12 anos com consultas médicas, exames de análises laboratoriais (sangue, urina e fezes), exames radiográficos (raios-X) e de tomografia. Terá salas de inalação com 12 vagas e de pequenos procedimentos não cirúrgicos já desde a inauguração.O Centro Municipal Pediátrico de Campo Grande foi inaugurado neste domingo (12) e tem capacidade para atender 300 crianças por dia, segundo o secretário de Saúde Jamal Salem. Ao todo, 25 médicos atendem em regime de escala, com sete profissionais por dia e atendimento por 24 horas.

Somente ontem, antes mesmo da inauguração, 40 crianças já foram atendidas. Em 30 dias, a intenção da prefeitura é inaugurar a enfermagem, com capacidade para 30 leitos. O prefeito Gilmar Olarte aproveitou a ocasião para entregar mais quatro ambulâncias para a cidade, com promessa de outras quatro até o fim do ano.

A estrutura do Centro Pediátrico contará no total com 150 profissionais. Além de médicos pediatras, terá 24 enfermeiros, 68 técnicos de enfermagem, seis assistentes sociais e profissionais administrativos e de atendimento ao público. Nesta semana, a intenção do secretário Jamal é abrir mais um processo seletivo e tentar contratar outros 100 pediatras para atuarem nos postos de saúde dos bairros que ainda não tem este tipo de profissional.

O novo espaço de atendimento médico à criança funcionará com 40 leitos e ao lado de cada um dele haverá uma cadeira apropriada para acompanhante. Renata Allegretti, diretora da Centro, explica que esses leitos estarão disponibilizados para observação dos pacientes, no regime “day clinic – 24 horas”. “Em caso de necessidade de internação, a criança será encaminhada para a Santa Casa”, argumenta.

A presença do Samu (Serviço Municipal de Urgência e Emergência) é outro ponto destacado pela diretora administrativa do Centro Pediátrico. Ela adianta que uma ambulância do Samuzinho (Viatura de Suporte Avançado de Vida especializada em Pediatria) também vai funcionar no Centro Pediátrico e dará suporte para o encaminhamento, se necessário, da criança à Santa Casa. “Está em fase de preparação para o atendimento especializado e deverá funcionar daqui a alguns dias”, disse, explicando que, enquanto isso, o Samu estará atuando no local.

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Marina Silva: “Votarei em Aécio e o apoiarei”

12/10/2014 at 11:58 (*Liberdade e Diversidade)

Marina

Marina Silva (PSB) anuncia seu apoio a Aécio Neves (PSDB) para o segundo turno das eleições (Foto: Andre Penner / AP)

12 de outubro de 2014

A ex-candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, anunciou neste domingo seu apoio ao candidato Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições. “Votarei em Aécio e o apoiarei”, disse a ex-senadora em coletiva de imprensa em São Paulo, ao lado de Beto Albuquerque (PSB), que era candidato a vice-presidente na chapa que ficou em terceiro lugar.

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A acidificação dos oceanos cresceu 26% nos últimos 200 anos

12/10/2014 at 09:55 (*Liberdade e Diversidade)

oceanos - pH© AFP/Arquivos O pH dos oceanos aumentou 26% em média nos últimos 200 anos, ao absorver mais de um quarto das emissões de CO2 geradas pela atividade humana

AFP / MSN

Paris (AFP)

O pH dos oceanos aumentou 26% em média nos últimos 200 anos, ao absorver mais de um quarto das emissões de CO2 geradas pela atividade humana, adverte um relatório publicado nesta quarta-feira, em Seul.

Pesquisadores ligados à Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) analisaram centenas de estudos existentes sobre este fenômeno para redigir o documento que apresentaram em Pyeongchang (Coreia) por ocasião da 12ª reunião da convenção das Nações Unidas sobre a proteção da biodiversidade.

O relatório destaca a gravidade do fenômeno, que apresenta uma rapidez sem precedentes e um impacto muito variado, que seguirá aumentando nas próximas décadas.

“É inevitável que entre 50 e 100 anos as emissões antropogênicas de dióxido de carbono elevem a acidez dos oceanos a níveis que terão um impacto enorme, quase sempre negativo, sobre os organismos marinhos e os ecossistemas, assim como sobre os bens e serviços que proporcionam”, destacam os cientistas.

A acidez dos oceanos varia naturalmente ao longo do dia, das estações, do local e da região, mas também em função da profundidade da água. “Os ecossistemas das costas sofrem uma maior variabilidade do que os que estão em alto mar”, destacam os pesquisadores.

Alguns trabalhos revelam que a fertilização de certas espécies é muito sensível à acidificação dos oceanos, enquanto outras são mais tolerantes.

Os corais, moluscos e equinodermos (estrelas do mar, ouriços, pepinos do mar e etc.) estão particularmente afetados por esta mudança, que reduz seu ritmo de crescimento e sua taxa de sobrevivência, mas algumas algas e microalgas podem se beneficiar, do mesmo modo que alguns tipos de fitoplânctons.

O relatório destaca o impacto socioeconômico já visível em algumas regiões do mundo: na aquicultura do noroeste dos Estados Unidos e na criação de ostras.

Os riscos para as barreiras de coral nas zonas tropicais também são uma “enorme preocupação, já que envolvem a subsistência de 100 milhões de pessoas, que dependem destes habitats”.

Segundo os pesquisadores, “apenas a redução das emissões de CO2 permitirá deter o problema”.

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Miley Cyrus faz topless e cobre os seios com extraterrestres

12/10/2014 at 09:41 (*Liberdade e Diversidade)

mileycyrustoplessMiley Cyrus faz topless e cobre os seios com extraterrestres

A atitude da cantora dividiu a opinião dos seguidores no Instagram

12 de outubro de 2014

Terra Brasil

Miley Cyrus nasceu para causar. Ela já usou bumbum de borracha para imitar as curvas de Nicki Minaj, desmaiou no palco e apareceu completamente nua, mas nem assim deixa de surpreender. No sábado (11), a cantora fez topless enquanto tomava sol e publicou uma foto cobrindo os seios com extraterrestres no Instagram.

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Maior reduto “marineiro” do País cobra posição de Marina

12/10/2014 at 09:22 (*Liberdade e Diversidade)

Serinhaém 4Sirinhaém, a 78 km do Recife, tem pouco mais de 40 mil habitantes e é dependente das lavouras de cana de açúcar (Foto: Janaina Garcia / Terra)

SerinhaémA aposentada Lindinalva (esq.) e a lavadeira Azanildes se dizem eleitoras do PT em reduto marineiro (Foto: Janaina Garcia / Terra)

Serinhaém 2Para o caseiro Otoniel, eleitor de Marina no primeiro turno, ela deve se manter neutra (Foto: Janaina Garcia / Terra)

serinhaém - gurizadaCrianças brincam nas ruas de paralelepípedo do município que deu a maior votação percentual a Marina Silva, no primeiro turno (Foto: Janaina Garcia / Terra)

Serinhaém 3A doméstica Rosileide (esq.) e a técnica de enfermagem Aldenes querem que Marina se poscione (Foto: Janaina Garcia / Terra)

Serinhaém 5Dona Azanildes, 60 anos, lava roupas, é viúva e tem dez filhos (Foto: Janaina Garcia / Terra)

Sirinhaém, na região metropolitana do Recife, deu 74,19% de votos a Marina Silva – maior percentual dela no Brasil -; eleitores querem que candidata se posicione sobre o segundo turno

12 de outubro de 2014

Janaina Garcia / Terra / Direto de Sirinhaém (PE)

No Recife, em frente à casa onde morava o ex-governador Eduardo Campos (PSB) com a família, no bairro Dois Irmãos, o taxista quer saber o destino da corrida. A memória da repórter falha por um instante e vem apenas que vamos para uma cidade próxima e cuja inicial é a letra S. “Sairé? Santa Cruz do Capibaribe?”, enumera o sujeito, sem sucesso. Anotação checada, Sirinhaém logo é recebida por ele com uma expressão de quem entendeu o recado.

Recado dado pela repercussão das urnas: o município empobrecido, localizado a cerca de 80 km ao sul da capital, tem sua economia baseada nas lavouras de cana de açúcar, em um comércio incipiente e um polo industrial ainda tímido, mas ficou conhecido após o primeiro turno das eleições presidenciais, há uma semana, por ter dedicado a vitória com maior percentual de votos da presidenciável Marina Silva (PSB) em todo o País: 74,19%. O índice supera, por exemplo, os 48,05% de votos obtidos pela ex-senadora acreana em território pernambucano.

A reportagem do Terra esteve no município de pouco mais de 40 mil habitantes nesse sábado, dia em que o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) participou de uma carreata pelas estreitas ruas de paralelepípedo ao lado de lideranças regionais do PSB. Mais cedo, Aécio havia estado no Recife para, entre outras ações de campanha, obter o apoio oficial da família Campos a sua candidatura. O pessebista tivera Marina de vice até 13 de agosto, quando morreu em um acidente aéreo, com seis integrantes de sua equipe, em Santos, litoral sul de São Paulo.

Para os antigos eleitores de Marina, pareceu incompreensível a falta de definição da candidata neste segundo turno – ainda mais com o PSB pernambucano apoiando em peso a candidatura de Aécio. Para outros, porém, a incompreensão decorria de Marina salientar a origem humilde – assim como fazia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho político de Dilma que é respeitado na localidade.

“Votei em Marina e queria que ela tomasse posição, sim, que falasse alguma coisa. Ela conhece bem a pobreza, sabe do que o povo está precisando. Acho que já demorou, até, para se manifestar”, opinou a técnica de enfermagem Aldenes Maria da Silva, 31 anos. “Aqui a gente tem posto de saúde, mas falta médico para atender o povo. Emprego, então, nem se fala. Optei pela candidata no primeiro turno, mas esses problemas continuam. Ela não vai dizer do lado de quem ela está?”, indagou a doméstica Rosileide Maria de Santo, 39 anos, vizinha de Aldenes. A qual, por sinal, pediu para fazer uma última observação: “Moça, nem em sonho que político vem aqui na cidade, eles nem lembram que a gente existe. Só em campanha mesmo, e olhe lá”.

Para a agricultora Helena Maria de Melo, 40 anos, que também se disse eleitora de Marina no primeiro turno, a ex-presidenciável  “precisa tomar partido”. “Por que ela não quer mais se candidatar no futuro? Se quer, precisa estar agora ao lado de alguém”, analisou. Mas admitiu: “Isso não significa que eu vá votar em quem a Marina pedir para eu votar, entende?”

Já segundo o caseiro Otoniel José de Santana, 22 anos, Marina deveria se manter neutra no segundo turno. “A gente sabe o que tem aí já acontecendo, de um lado, e, de outro, esse outro aí apareceu só agora. Se Marina ficasse na dela, seria melhor”, observou. “O que o rico compra, a gente compra também”, diz eleitora do PT.

Praticamente exceções na cidade, a aposentada Lindinalva Zacarias de Araújo, 60 anos, e a lavadeira Azanias Maria dos Prazeres, de 67, negaram a pecha de marinistas alegando ser, ambas, fãs confessas de Lula – e, por tabela, de Dilma.

“Votei em Lula nas duas vezes em que ele se elegeu (2002 e 2006). Ele apresentou a Dilma, e votei. E ele trouxe fábrica para a região, coisa que até então ninguém tinha feito muito”, constatou Lindinalva.

“Como que não vou ser? Meus filhos trabalhavam no corte de cana, saíam de casa às 4 horas todo dia, faziam semana cheia, um trabalho muito pesado, e no governo do Lula começaram todos a trabalhar no Porto de Suape (em Ipojuca, a cerca de 20 km de Sirinhaém). Com o dinheiro que ganham, compram o que precisam, o que eu preciso, e ainda constroem as casas deles – coisa que não tinha antes. Hoje, o que o rico compra, a gente compra também – nem que seja parcelado. E do contrário disso nenhum outro candidato vai me convencer”, concluiu a lavadeira, viúva e mãe de dez filhos.

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Evo Morales no rumo da reeleição na Bolívia

12/10/2014 at 08:22 (*Liberdade e Diversidade)

Evo MoralesMistura de gestão responsável e medidas sociais reforçou figura de Evo Morales até entre antigos adversários (Foto: Aizar Raldes / AFP)

Por 14 anos de governo, em três mandatos, presidente deve confirmar reeleição em primeiro turno, surfando no forte crescimento econômico

11/10/2014

Léo Gerchmann / Zero Hora

O Estado Plurinacional da Bolívia prepara o que é visto como mera oficialização: a reeleição do aimará Evo Morales, o primeiro indígena presidente de um país conhecido pela instabilidade, pela pobreza e por nem sequer ter acesso ao mar, encravado que está no centro-oeste da América do Sul. Cercada por Brasil a Norte e Leste, Paraguai e Argentina a Sul e Chile e Peru a Oeste, a Bolívia se localiza no coração sul-americano. Fica no centro da região e carrega os seus principais problemas.

– A economia é uma das explicações para a tranquilidade com que Evo Morales deve se reeleger – diz Antônio Jorge Ramalho, professor da Universidade de Brasília (UnB). – A Bolívia parte de uma base pequena, cheia de necessidades. Houve a elevação do preço do gás, o Estado tem dinheiro, e há campo imenso para investimentos. Isso impacta o eleitorado, que vê possibilidade de crescimento.

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Os diferentes contextos podem explicar por que Evo, no poder desde 2006 e com perspectiva de permanecer pelo menos 14 anos, disputa uma reeleição tranquila enquanto a brasileira Dilma Rousseff (PT) enfrenta acirrado segundo turno com Aécio Neves (PSDB). O Brasil tem perspectiva de crescer 0,3% em 2014 e 1,4% em 2015, e a Bolívia deve crescer 5,2% em 2014 e 5% em 2015, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), que elogia a Bolívia por crescer 6,5% em 2013, melhor resultado em três décadas – de 2007 a 2012, a expansão anual do PIB foi de 4,8%. Conforme o Banco Mundial, Brasil, Argentina e Venezuela puxam para baixo o crescimento da América Latina. A previsão do organismo é de que o Brasil tenha expansão de 0,5% neste ano, abaixo da média de 2,7% de 31 nações latino-americanas. O crescimento regional é capitaneado por Panamá, Bolívia, Colômbia, Paraguai, República Dominicana, Nicarágua, Guiana, Equador e Suriname.

Economista-chefe do Banco Mundial para América Latina, Augusto de la Torre diz que, para acompanhar a Bolívia e reverter a tendência de baixa expansão, “o Brasil precisa construir políticas que estimulem o investimento e acabem com os gargalos que restringem a atividade econômica”.

– A história de crescimento do Brasil se vincula ao consumo. Isso não foi ruim, porque o consumo foi parte da história do crescimento da classe média e da redução da pobreza. Mas, a longo prazo, a economia não cresce com base no consumo, e sim em investimento e produtividade – diz.

As pesquisas indicam, em média, 59% dos votos para Evo contra 18% para o empresário Samuel Doria Medina e 9% para o ex-presidente Jorge Quiroga. Aos 54 anos, o presidente assegura reeleição no primeiro turno se tiver 50% mais um dos votos válidos ou 40% dos votos com diferença de 10 pontos sobre o segundo colocado.

Manobra jurídica permitiu candidatura

Evo concorre ao terceiro mandato (2015 a 2020) por uma manobra jurídica. Como uma nova Constituição foi aprovada quando ele exercia seu primeiro governo, o atual mandato é considerado inicial sob a nova ordem. Não entrou no cômputo. As pesquisas também indicam que o parlamento, com 130 deputados e 36 senadores, deve eleger maioria governista. Isso pode levar a mudanças constitucionais que permitam a Evo disputar novos mandatos, com a adoção de um sistema de reeleições ilimitadas.

O espanhol Alfredo Serrano Mancilla, diretor do Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica (Celag), cogita que Evo vença as eleições com vantagem até superior à conseguida em 2009, de 64,2%.

– A Bolívia desfruta de uma década de ganhos, depois de décadas perdidas – diz.

De acordo com o FMI, Evo equilibrou condução econômica responsável com investimentos sociais. Os principais exemplos são o Juancito Pinto (para crianças), o Renda Dignidade (idosos) e o Juana Azurduy (mães). Em quatro anos, os aportes estrangeiros ficaram em 3,5% do PIB. O acúmulo de reservas chega a US$ 14 bilhões – metade do PIB local, segundo o FMI. Houve reversão de privatizações feitas nos anos 1990, em especial nos setores de gás, petróleo, telecomunicações e transportes aéreo e ferroviário. O problema é a falta de diversidade. Os hidrocarbonetos são metade das exportações e um terço das receitas, o que provoca dependência, em especial dos importadores Brasil e Argentina.

Críticas de diferentes origens

Alto crescimento, pacificação social pela inclusão indígena e clima favorável aos negócios fizeram até empresários de Santa Cruz de la Sierra, principal setor de oposição a Evo Morales, apoiá-lo. Nem tudo, porém, é motivo de tranquilidade. O empresário Samuel Doria Medina, 55 anos, candidato da conservadora Unidade Democrática, projeta uma Bolívia mais liberal em termos econômicos e tende a retomar privatizações dos anos 1990.

– O empresário que vai investir teme que lhe retirem parte da produção – diz ele.

O ex-presidente Jorge Quiroga, 54 anos, que disputa a eleição pelo Partido Democrata Cristão, critica o favorecimento do presidente à cultura da coca e a estatização da economia e projeta diversidade industrial.

– Tudo controlam, regulam e estatizam: a carne, a soja, o açúcar, o azeite. Tudo menos a coca. Este é o governo do neoliberalismo cocaleiro – critica o engenheiro Quiroga.

Evo também despertou a ira de indígenas e de grupos mais à esquerda em razão de investimentos estrangeiros que, segundo eles, exploram áreas naturais. Um fato que provocou protestos foi a proposta de abrir uma estrada que cortaria o parque nacional Isidoro Sécure, território dos povos originários.

Outra crítica é de que, para garantir mais meios de subsistência à população, o governo aprovou este ano polêmica lei que permite o trabalho de crianças de 10 anos.

Professor de Economia da Universidade Católica Boliviana, Gonzalo Chávez pondera que a economia boliviana pode mostrar virtudes de forma, mas tem defeitos de fundo.

– Observa-se uma bonança econômica, mas deveria ser feita uma tomografia da macroeconomia – diz Chávez. – Temos um país com problemas antigos: exportador de recursos naturais, com baixíssimos níveis de produtividade e economia informal gigantesca que dá emprego a 80% de bolivianos.

O vice-presidente Álvaro García Linera vê no desemprego reduzido, de cerca de 1,5% a 2%, o principal fator de popularidade de Evo.

– Com altas taxas de crescimento, benefícios estão garantidos, e a perspectiva é potencializá-los – diz ele.

O “milagre boliviano” em 10 pontos

A economia boliviana é alimentada há oito anos pela nacionalização do setor de hidrocarbonetos, que deu abundantes recursos e crédito político a Evo Morales,no poder desde 2006, com discurso indigenista e antiamericano.

Uma das mais controversas medidas de Evo foi a nacionalização de hidrocarbonetos. Militares e policiais ocuparam, em maio de 2006, instalações e campos de petróleo de transnacionais, como a Petrobras e a espanhola Repsol.

Antes da nacionalização, uma reforma elevou os impostos do gás de 18% para 50%, medida considerada como ponto de partida da política nacionalista de Evo Morales.

Desse modo, a renda petrolífera, que representava US$ 673 milhões anuais para os cofres do Estado boliviano em 2005, chegou a US$ 5,855 bilhões em 2013, segundo a estatal de petróleo YPFB.

Também entre 2005 e 2013, o PIB boliviano triplicou de US$ 9,5 bilhões para US$ 30,381 bilhões. O PIB per capita subiu de US$ 1.010 para US$ 2.757. O salário mínimo passou de US$ 72 a US$ 206.

O novo fluxo de recursos permitiu ao governo promover forte aumento dos investimentos em programas sociais e infraestrutura.

A política estatista não se restringiu aos hidrocarbonetos, mas se estendeu a empresas de telecomunicações, administradoras de fundos de pensão, usinas hidrelétricas, aeroportos e mineradoras.

A infraestrutura estatizada fez com que, em 2013, a Bolívia conseguisse US$ 1,75 bilhão em investimento estrangeiro direto, segundo o FMI.

Enquanto em 2005 a Bolívia exportava US$ 1,4 bilhão em gás, hoje exporta anualmente US$ 6,8 bilhões, quase cinco vezes mais. Supõe-se que o contexto externo foi favorável.

Ainda que Evo tenha conseguido diversas conquistas, a pobreza extrema na Bolívia ainda alcança 20% da população, correspondentes a mais de 10 milhões de habitantes.

“Não se trata de terceiro mandato”, afirma embaixador da Bolívia no Brasil

O embaixador da Bolívia no Brasil, o socialista Jerjes Justiniano Talavera, conversou com Zero Hora a respeito do seu país, do presidente (a quem ele se refere sempre como “senhor” e pelo nome completo) e da relação com o Brasil. Foi enfático ao defender que o provável próximo mandato será o segundo, e não o terceiro de Evo Morales. E disse que as críticas a certo paternalismo brasileiro, por ser uma nação maior que usou de condescendência em diversos episódios, são desrespeitosas.

Como será o eventual terceiro mandato do presidente Evo Morales?

Devo esclarecer, em primeiro lugar, que não se trata de um terceiro, mas de um segundo mandato presidencial, de acordo com os seguintes argumentos legais e constitucionais: sob as normas da Constituição anterior, o senhor Evo Morales Ayma assumiu em janeiro de 2006 seu primeiro mandato presidencial. Em 15 de dezembro de 2007, a Assembleia Constituinte aprovou a reforma da Constituição e refundou a Bolívia, criando o Estado Plurinacional da Bolívia. Mediante o referendo democrático de 29 de janeiro de 2009, foi posta em vigência a nova Constituição. No marco do estabelecido pela nova Constituição, convocaram-se eleições para um período de cinco anos, e isso quer dizer que foi modificada e revogada a velha Constituição, e a nova estabeleceu novas normas e procedimentos eleitorais – novos procedimentos foram aplicados e novos requisitos foram postos em vigência, nova data de eleições, nova data de posse das autoridades eleitas –, a nova Constituição entrou passou a vigorar em janeiro de 2009. O atual presidente da Bolívia, senhor Evo Morales Ayma, participou como candidato presidencial nas eleições convocadas para 6 de dezembro de 2009 e ganhou com 64% dos votos. O senhor Evo Morales Ayma toma então posse como presidente do novo Estado Plurinacional da Bolívia em 21 de janeiro, dando início a um primeiro período presidencial em conformidade com a nova Constituição (segundo a qual o mandato é de cinco anos). Na Bolívia, há o princípio constitucional de que a lei se aplica ao futuro e excepcionalmente é retroativa em matérias trabalhista e penal somente se favorece o réu ou se estão especificados os benefícios trabalhistas. Esse princípio constitucional deixa claro então que, de acordo com a nova Constituição, o senhor presidente Evo Morales aspira a um segundo período constitucional no próximo domingo, 12 de outubro de 2014, que se iniciará em 21 de janeiro de 2015.

O senhor vincula a boa relação da Bolívia com o Brasil a um governo de Dilma Rousseff?

As boas relações entre nossos dois países se conservam desde muitos anos atrás. São tradicionais os laços de amizade entre os nossos povos e os nossos governos. A Bolívia vende gás natural ao Brasil desde 1996. Nesse ano, firmou-se um convênio de compra e venda de gás natural, que entrou em vigência no ano de 1999 para um período de 20 anos. Tanto na Bolívia quanto no Brasil, interromperam-se os processos democráticos e, inclusive nas ditaduras militares, se mantiveram as relações entre nossos povos e governos. Considero que, à margem de quem ocupe ocasionalmente o palácio do governo, as relações entre Brasil e Bolívia se manterão boas.

Há uma crítica de setores da oposição brasileira de que o governo brasileiro costuma ser paternalista com outros países do Mercosul (permanentes ou associados), como Argentina e Bolívia. O senhor concorda?
Não creio que seja justo aplicar o qualificativo “paternalista” a um governo com relação ao governo de outro país. Quem opina dessa forma é bastante desrespeitoso com relação ao outro país. A Bolívia, e em especial nosso atual governo, luta pela defesa e pelo respeito a nossa soberania. As relações entre nossos Estados, e de maneira particular as relações com nossos vizinhos e Estados amigos, é fraterna e respeitosa.

Qual sua opinião a respeito do futuro do Mercosul?
A integração é um postulado que se vem sustentando ainda antes de se estabelecerem as repúblicas em nosso continente. O libertador Simón Bolívar pretendia estabelecer uma confederação das repúblicas que ele havia libertado. Em outras palavras, a integração do continente é uma necessidade. O Mercosul é um projeto de integração em marcha, está certo que lentamente, mas marcha e deve avançar.

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