Haverá “desenvolvimento” sem Reforma Política? (Leitura da noite)

01/10/2014 at 21:31 (*Liberdade e Diversidade)

Reforma PolíticaO Brasil está maduro para um novo ciclo de reformas, capaz de enfraquecer oligarquia e ampliar participação popular. Mas haverá disposição de enfrentar as resistências?

Por Ricardo L. C. Amorim*

“a garantia final de êxito de um caminho entrevisto dependerá sempre
da ação humana coletiva, que pode falhar.”

Fernando Henrique Cardoso (1964)

Publicado em 1 de outubro de 2014 por Redação

Nestes dias, o Brasil acordou diferente, orgulhoso. Não foi o futebol. As pessoas andavam de cabeça erguida e alguns políticos conhecidos, herdeiros da velha UDN, pareciam preocupados. As televisões falavam, com sua isenção peculiar, sobre um fenômeno aparentemente novo, mas que, na verdade, o país havia olvidado: o protesto e o povo nas ruas. A reivindicação era explícita: pedia-se desenvolvimento.

O que é, no entanto, desenvolvimento? A resposta não é imediata e envolve tantos temas quantos os gritos das manifestações. Os economistas, claro, não ajudam com nenhum consenso. Para a população, o desenvolvimento surge difuso, misturando o desejo de uma vida melhor com as imagens dos países ricos. A inquietação passa, então, a solicitar mais e melhor educação, tratamento de saúde digno, transporte urbano adequado, democracia para além do voto, justiça para todos, igualdade de oportunidades, punição dura para a corrupção de políticos e empresários e fim da desídia dos governos para com os graves problemas nacionais. Enfim, um leque amplo de desejos que reflete a visão popular sobre o que é um país desenvolvido e seu povo.

O Brasil, no entanto, tem condições de responder positivamente a essa demanda? O processo de desenvolvimento, como muitos brasileiros já perceberam, abrange mais questões do que a economia pode responder. Para transformar qualquer país e torná-lo uma nação rica é preciso que a estrutura produtiva se modernize, mas é condição para isso ocorrer que o capital nacional, através de planejamento e acordo com o Estado, seja o principal agente da produção e das trocas no território. É necessário que a tecnologia seja cada vez mais produto de investimentos nacionais e menos importada como “caixa preta” de países parceiros. Inescapável é que se reduza, no caso do Brasil, a dependência do país em relação às nações mais ricas. Todavia, essas transformações para acontecer precisam, quase inexoravelmente, de instituições menos conservadoras, mais capazes de responder aos anseios populares e que acomodem menos os interesses por meio da corrupção e do favor. Em outras palavras, é preciso ao país dar passos para modernizar suas instituições democráticas e republicanas.

Nada disso é novidade. Tudo já esteve na boca de Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Rômulo de Almeida, Octavio Ianni, Francisco de Oliveira, Fernando Henrique Cardoso e até mesmo do antigo Manuel Bonfim.

A novidade é outra. O Brasil que já tentou vários caminhos, todos barrados pela mesma oligarquia proprietária, pode, como poucas vezes na sua história, dar o segundo passo em direção ao sonhado desenvolvimento. Não se trata de alcançá-lo já, mas de avançar na sua construção.

Gunnar Myrdal, prêmio Nobel de economia em 1974, revelou em seus estudos sobre as regiões subdesenvolvidas que o equilíbrio das forças que mantêm um país em condição de pobreza pode ser rompido e as causas não precisam vir da economia estrito senso. O economista mostrou que a vida social torna interdependentes todas as esferas de convívio (economia, política, cultura, etc.). Assim, quando se altera uma destas esferas, os indivíduos e os grupos põem-se em movimento, pressionando os demais domínios para que respondam a essa mudança e adequem-se às novidades. Por isso, Myrdal cunhou o conceito decausação circular acumulativa, ou seja, o processo que surge quando uma transformação em qualquer esfera da vida social provoca mudanças nas outras esferas que, por sua vez, ao adequarem-se à nova realidade, reforçam o movimento, multiplicando o impacto da transformação inicial. Em outras palavras, uma sociedade pode transformar-se e avançar em direção ao desenvolvimento a partir de uma alteração significativa em um ponto importante da vida social, por exemplo, a política. E este parece ser o caso do Brasil hoje.

Assim, a novidade que se tem nas ruas do país é que, pela primeira vez na história, após ter dado passos em favor do crescimento econômico com redução da pobreza e melhor distribuição da renda do trabalho, a sociedade pode falar em uma segunda geração de reformas progressistas. Dessa vez, um conjunto de reformas democratizantes nas instituições e na política capazes de elevar a eficiência do Estado, reduzir a corrupção que esvazia prioridades e acelerar a economia.

Trata-se, por exemplo, de alterar o modelo partidário, reduzindo o poder do dinheiro privado nas eleições, diminuir o número de siglas sem característica ideológica clara e enfraquecer o personalismo. Essa reconfiguração institucional tem condições de alterar a direção do sistema de decisões no país, enfraquecendo as velhas forças do atraso que obtém vantagens com a baixa participação popular. Tal mudança, ao gerar maior representatividade dos diversos grupos que compõem a sociedade, engendraria maior transparência nas decisões, obrigando à maior qualificação nos gastos e investimentos públicos e, por isso mesmo, elevando sua eficácia e eficiência. Mais: o próprio volume de recursos poderia ampliar-se, pois projetos como a Copa teriam de ser expostos ao debate nacional sob controle maior da população e menos da mídia e seus óbvios interesses.

causação circular acumulativa, no entanto, não está garantida. O processo de mudança pode ser sustado por forças políticas contrárias às transformações no país ou mesmo pela inação do Estado. Hoje, mais do que em qualquer tempo após a promulgação da Constituição Federal de 1988, os governos, parlamentares e ministério público têm uma chance impar nas mãos de fazer o Brasil avançar um importante passo na direção do desenvolvimento. O Governo Federal, mais do que todos, tem a seu favor as ruas que clamam por mudanças democratizantes e pode e deve apoiar-se nelas para levar adiante a segunda onda de reformas progressistas capazes de enfraquecer oligarquias atrasadas e fortalecer a participação popular. A omissão agora seria fatal para as esperanças de uma nova geração que herdará o Brasil em vinte anos.

Naturalmente, haverá custo político para quem levar adiante essas mudanças. Os ataques e as resistências oriundos dos que hoje temem as transformações nunca pararam, desde a posse de Luis Ignacio Lula da Silva. Todavia, os ganhos para a maioria da população e o reconhecimento da história também serão ineludíveis.

O momento, portanto, para o segundo passo em direção ao desenvolvimento é hoje e não se deve temer o desgaste e o próprio medo. Myrdal é claro em relação a isso: “(…) o princípio da acumulação circular (…) enseja efeitos finais de magnitude muito maior do que os esforços e custos das reformas” e os resultados cumulativamente ampliados são, de certo modo, um índice do desperdício social existente hoje.


*Economista formado pela USP, mestre em Teoria Econômica pela UNICAMP e doutor em Desenvolvimento Econômico pela mesma instituição. Atualmente trabalho como Analista Econômico da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Fui pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e diretor do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Em docência, atuei como professor-pesquisador da Universidade Mackenzie e fui professor de Macroeconomia na Faculdade de Campinas (FACAMP) e na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Tenho estudos publicados em Economia Brasileira, Teoria do Desenvolvimento e História do Pensamento Econômico, atuando principalmente nos seguintes temas: economia brasileira recente, distribuição de renda, teoria do desenvolvimento e história do pensamento econômico.

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Aquecimento global faz 35 mil morsas se aglomerarem em praia do Alasca

01/10/2014 at 17:30 (*Liberdade e Diversidade)

morsas 0Morsas se amontoam em praia do Alasca por causa do aquecimento global (Foto: Corey Accardo/AP)  

Observadores encontraram, na semana passada, cerca de 50 carcaças de animais que podem ter morrido durante uma debandada

01 de outubro de 2014

Terra Brasil

As mudanças climáticas devem causar consequências cruéis na vida dos animais. Um exemplo disso é um flagrante feito por um fotógrafo da Associated Press no último sábado: milhares de morsas do Pacífico, que não conseguem encontrar mares congelados para descansar no Ártico, estão chegando em número recorde em uma praia no Alasca. As informações são do USA Today.

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Segundo a publicação, cerca de 35 mil delas se reuniram a cerca de 8 quilômetros de Point Lay, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês). Além disso, observadores encontraram, na semana passada, cerca de 50 carcaças de animais que podem ter morrido durante uma debandada.

Ao contrário de outros animais marinhos, as morsas não conseguem nadar sem parar e precisam descansar. Para isso, elas usam suas presas e se arrastam em direção ao gelo e as pedras. Com as mudanças climáticas e com a mudança rápida da paisagem no Ártico, as morsas estão se acumulando cada vez mais no Alasca.

As consequências dessas mudanças climáticas para os animais podem ser fatais. Principalmente, para os filhotes, que precisam de maior controle da temperatura do corpo, sofrem com tumultos e possuem menos habilidade para nadar. O fenômeno serve como mais um aviso sobre o que está acontecendo com a Terra.

??????????????Foto: Corey Accardo/AP

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Naufrágio de Porto Murtinho,MS: Equipe de mergulho de Bonito ajudará resgate de embarcação

01/10/2014 at 15:45 (*Liberdade e Diversidade)

mergulhadores de bonitoEquipe do Juca, especialista em mergulho de profundidade de Bonito irá auxiliar força tarefa para resgatar embarcação do Rio Paraguai (Foto: Folha de Murtinho)

01 de outubro de 2014

Marcelo Varela / Diário Digital MS

Uma equipe de mergulhadores profissionais, especializados em inserções em profundidade, de Bonito, MS, vai ajudar na força tarefa de resgate da embarcação que naufragou em Porto Murtinho, na última quarta-feira (24).

A equipe de profissionais, conhecida também como equipe do Juca irá auxiliar as equipes para a operação de resgate da embarcação.  Os cabos de aço que serão usados na operação, já chegaram a Porto Murtinho, conforme declarações do Cônsul Cesar Fiori e do Intendente da cidade de Carmelo Peralta, Mingo Duarte, os trabalhos recomeçaram há pouco, por volta das 10h30.

A Armada da Marinha Paraguaia realiza mergulhos onde o barco-hotel Sonho do Pantanal naufragou. Os militares e todos os envolvidos na força tarefa, acreditam que possa haver mais corpos dentro da embarcação. Segundo a Marinha Brasileira, existe uma forte correnteza no local, dificultando os trabalhos dos militares.

Cerca de 12 mergulhadores de Assunção no Paraguai, que são especialistas em mergulhos de águas turvas e profundas ajudam no trabalho. Três vitimas seguem desaparecidas até o momento.  A embarcação afundou com 26 pessoas a bordo, 12 conseguiram escapar, 11 morreram e já tiveram seus corpos encontrados. Ontem (30), a embarcação se deslocou para águas mais profundas, o que dificultou o trabalho dos mergulhadores. No local onde o barco se encontra, há uma forte correnteza, o que, segundo os bombeiros, prejudica os trabalhos e coloca em risco a vida dos mergulhadores.

Veja a lista de vítimas encontradas até agora:  1ª Sidinei Romano de 34 anos (encontrado 24/09, às 18h50 – BRA)  2ª Moacir Pontelo (encontrado 25/09, às 13h30 – BRA)  3ª Leandro Donizete Alvez de 56 anos (encontrado 25/09, às 14h30 – BRA)  4ª Roberto Vilhana (encontrado 26/09, às 10h – BRA)  5ª Elói Evilacio Muller (encontrado 26/09, às 11h – BRA)  6ª Paulo Aparecido Barbosa 45 anos (encontrado 26/09, às 12h – BRA) 7ª Manoel Siena (Encontrado 26/09, às 14h – BRA)  8ª Dario Talavera (Encontrado 26/09, às 15h15 – PY)  9ª Pedro Alves Borges (Encontrado 27/09 – BRA)  10ª Lucas Vagner Orlando (Encontrado 27/09 – BRA)  11ª Catalino Ramão Ferreira (Encontrado 27/09 – PY) (Com informações de Hildebrando Procópio, Folha de Murtinho)

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Leia mais em: http://www.diariodigital.com.br/geral/equipe-de-mergulho-de-bonito-ajudara-resgate-de-embarcacao/120162/

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Na TV, Marina recorre a Eduardo Campos na reta final da campanha

01/10/2014 at 13:07 (*Liberdade e Diversidade)

MarinaA trágica morte jogou a candidata, à época vice da chapa, ao centro da disputa eleitoral. © Foto: Ricardo Moraes/Reuters

01/10/2014

Reuters

A candidata pelo PSB à Presidência, Marina Silva, recorreu à memória e à família de Eduardo Campos no penúltimo dia de propaganda eleitoral obrigatória na TV.

A trágica morte em acidente aéreo em agosto do político, que até então era o candidato do PSB à Presidência, causou forte comoção popular e jogou a candidata, à época vice da chapa, ao centro da disputa eleitoral já angariando boa parcela das intenções de voto.

Mas Marina, que chegou a ter uma vantagem de 20 pontos percentuais sobre o terceiro colocado, Aécio Neves (PSDB), vem perdendo terreno nas últimas semanas e uma vaga que parecia garantida para o segundo turno já não é mais tão certa.

“Tem uma frase que é de Victor Hugo que Eduardo gostava muito de dizer e parece que eu estou escutando ele dizendo sempre isso, que é ‘não existe nada mais poderoso que uma ideia cujo tempo chegou. E a sensação que eu tenho é que esse tempo chegou, e essa ideia é Marina”, disse a viúva de Campos, Renata, em trecho exibido no programa de TV de Marina nesta terça-feira.

Em outro momento, o programa exibe áudio de Campos dizendo a frase que ficou marcada na campanha por ele: “não vamos desistir do Brasil”. E ainda aparecem trechos de discurso de um dos filhos de Campos, João, em comício em Recife.

“No dia 5, quando eu sentar de frente na urna para votar no presidente do Brasil eu, Marina, eu não vou desistir do Brasil. Eu vou votar 40, eu vou votar em Marina Silva para ser a futura presidente do Brasil”, disse o filho do político morto.

Aécio, por sua vez, utilizou seu programa para reforçar suas propostas e apresentou trechos do último debate presidencial em que bate novamente na tecla da corrupção, tendo como principal alvo a presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição pelo PT.

A campanha da presidente tem enfrentado críticas e ataques relacionados à corrupção, principalmente após denúncias recentes de suposto esquema de propinas em contratos da Petrobras.

Dilma também reaproveitou partes do debate para expor contradições de Marina no programa desta terça e criticou o posicionamento da adversária em relação a temas como a CPMF, a homofobia e a redução da participação de bancos públicos.

O programa da petista também mirou em Aécio e apresentou trechos do debate em que a presidente afirma que o PSDB “quebrou o Brasil por três vezes” e praticou “as maiores taxas de juros de toda a história”, além de alfinetar o tucano sobre sua posição a respeito da privatização da Petrobras.

Dilma, que detém o maior tempo de TV, também usou o programa para apresentar propostas.

(Por Carolina Marcello)

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Idosos não se identificam mais como pessoas frágeis

01/10/2014 at 11:37 (*Liberdade e Diversidade)

Dia do idosoNa capital do Acre, idosos se reúnem todas as quartas e sextas-feiras para cantar e dançar ao som de bandas que tocam desde o forró pé de serra aos melhores clássicos do chorinho

Marcello Casal Jr/Agência Brasil / Fatima News

01 de Outubro de 2014

Nas placas, ela é representada curvada, apoiada em uma bengala. Mas, na vida real, parte da população de 60 anos ou mais tem imagem diferente. Com maior expectativa e qualidade de vida, os idosos, que comemoram hoje (1º) o seu dia, têm viajado mais, estudado, comprado e ocupado espaços públicos e virtuais. O Dia do Idoso foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a data, posteriormente, foi escolhida para a criação do Estatuto do Idoso, que comemora 11 anos.

“Dá preguiça não fazer nada”, sintetiza Elisabete Carvalho do Santos, representante de uma geração que se mantém ativa na velhice. Aposentada, 80 anos, ela dança, canta e vai à igreja. “Já trabalhei muito e não deixo de trabalhar. Quando estou em casa, gosto de fazer crochê e tricô”, diz.

Os idosos são hoje no país 26,3 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa 13% da população. A expectativa é que esse percentual aumente e que em 2060 chegue a 34%, segundo previsão do próprio IBGE.

O pesquisador do IBGE Marden Barbosa atribui o aumento do índice e também da qualidade de vida a uma melhoria na saúde e na condição material dos idosos, embora  “persistam as mesmas desigualdades encontradas entre as populações mais jovens”, ressalta. “A esperança de vida aumentou muito devido à redução da mortalidade infantil”, explica. Segundo ele, a esperança de vida em 2000 era 69 anos, em 2014 saltou para 75 e a projeção para 2060 é 81 anos.

A pesquisa Panorama dos Idosos no Brasil, do Data Popular em parceria com o Instituto Opinião, mostra que a renda dos brasileiros com 60 anos ou mais atingiu R$ 446 bilhões em 2013, o que corresponde a 21% da renda total da população brasileira.

“A sociedade tem visão estereotipada do idoso, com doenças, que consomem recursos da saúde. Que a velhice significa doença e não fazer nada”, constata o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, João Bastos Freire Neto. “É importante dizer que é uma pequena parcela da população idosa que está nessa condição, não é a maioria dos idosos”, acrescenta.

Segundo ele, uma boa qualidade de vida na juventude, cuidados com a alimentação e a prática de exercícios ajudam a ter uma velhice mais saudável.  Além do que se pode prevenir, ele destaca os avanços da medicina. “Uma pessoa com mais de 60 vai ter mais doenças crônicas, mas doenças como diabetes, doenças coronarianas podem ser controladas [com medicamentos], sem gerar incapacidade física”.

A idade, no entanto, assusta. Não é raro o medo do envelhecimento. A preocupação em construir uma imagem diferente para os idosos foi o que motivou o movimento Nova Cara da 3ª Idade, da agência Garage IM. O alvo da mudança é o símbolo do idoso, presente em placas e adesivos.

“Hoje, o idoso é retratado como uma pessoa em decadência, curvado e dependente de uma bengala (como nas imagens que o representam), da ajuda de terceiros. Isso não é mais verdade. Há perda de vitalidade, mas o idoso hoje vive mais, está mais saudável, ativo e produtivo. O país está em processo de envelhecimento e levantar essas questões é uma forma de começar  a conscientização da sociedade sobre o tema”, diz o fundador da Garage IM e criador do movimento, Max Petrucci.

A agência criou um novo símbolo, no qual uma pessoa aparece ereta ao lado de 60+. A proposta é que as pessoas imprimam a nova representação e a espalhem em espaços públicos. “Além da experiência e do conhecimento acumulado, que são de grande valor para a sociedade, essas pessoas são ativas, bem dispostas e têm o tempo disponível para viver uma vida em que podem escolher o que querem fazer e como querem. É um novo momento na vida e é possível passar longe da imagem do velho resmungão”, acrescenta Petrucci.

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Enem terá 15 mil candidatos idosos

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*Comentário do blog: Ao mesmo tempo em que necessita do apoio e da deferência dos mais jovens, os idosos de hoje estão cada dia mais ativos e dispostos a participar da vida econômica e política do País. Reportagem supimpa!

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Perguntas a um General de Brigada (Leitura da manhã)

01/10/2014 at 11:12 (*Liberdade e Diversidade)

27 de Setembro de 2014

professora

Rita Matos Coitinho*
 
Site Vermelho

Fui assistir a uma palestra com um “general de brigada”, parte da programação da Semana de Relações Internacionais promovida pelos jovens estudantes de graduação daquele curso. Confesso que, ingenuamente, fui até lá imbuída por um certo esforço de boa vontade. Afinal, o Ministério da Defesa publicou em 2013 o “Livro Branco da Defesa”, coisa inédita neste país, onde os assuntos da caserna sempre foram reservados somente à caserna.

O belo prefácio, assinado pelo Ministro da Defesa – o embaixador Celso Amorim -, afirma que o Livro Branco é parte de um instrumento de democratização das informações relativas à Política Nacional de Defesa, ambicionando “ser um estímulo à discussão sobre a temática da defesa no âmbito do Parlamento, da burocracia federal, da academia, da sociedade brasileira em geral”. Se há este esforço, pensei, de alguma maneira o Exército Brasileiro já deve estar absorvendo os novos princípios democráticos; valerá a pena, portanto, ouvir o que tem a dizer um general (graduado, mestre, cheio de títulos, um “militar-acadêmico”, afinal).

Mas o general não correspondia aos meus anseios por uma discussão sobre princípios democráticos. Sua apresentação “histórica”, um desfile de feitos militares nos últimos 150 anos da vida brasileira, lembrava aqueles velhos e proscritos livros de Educação Moral e Cívica, onde aprendíamos que os militares estiveram presentes nos momentos de salvação nacional, tendo sido os pais fundadores da república e da ordem democrática. Apresentou-nos a “Guerra Fria” como um evento no qual o Brasil estaria inserido antes mesmo de sua aparição no cenário mundial, pela ação do “traidor” do exército Luiz Carlos Prestes nos levantes de 1935. Teve ainda o cuidado de “pular” o golpe de 1964, mas deixou nas entrelinhas que tudo o que se passou depois de 1935 justificava-se pelo perigo comunista.

Daí em diante passou à propaganda da moderna estrutura da defesa brasileira, das participações do Brasil em missões de paz. Justiça seja feita, valorizou a atual política externa,a ideia de promoção do multilateralismo, de cooperação com os vizinhos da América do Sul e de uma política de defesa voltada à “dissuasão” do inimigo externo.

Mas foi nas respostas às perguntas dos participantes que o representante das Forças Armadas mostrou o velho ranço autoritário das instituições militares. Disse a uma professora, que o questionou sobre a ausência do golpe militar de 1964 em sua fala, que este não é “um assunto para paixões”. Que é preciso “estudar” e que o estudo imparcial mostra que a “revolução” militar foi consequência da guerra fria. Foi uma reação ao inimigo interno. Enfim, mostrou-nos que as Forças Armadas, definitivamente, não estão dispostas a reconhecer o desserviço prestado ao país ao interromper as reformas democráticas do governo João Goulart e instaurar vinte anos de um regime fechado, autoritário, corrupto e que nos legou uma dívida externa capaz de comprometer toda a geração nas décadas de 1980 e 1990.

Não tive oportunidade de fazer, eu mesma, perguntas ao general, porque o tempo de programação era exíguo. Deixo aqui, porque considero um bom debate, algumas das perguntas que lhe faria:

Senhor General de Brigada, o Livro Branco da Defesa informa que o Brasil investe nos efetivos militares, em tecnologia nuclear e armamentista unicamente com objetivos de dissuadir possíveis inimigos externos, principalmente em vista das imensas reservas de petróleo encontradas na camada de pré-sal, das reservas de água doce dos aquíferos Guarani e Alter do Chão, dos minérios e da biodiversidade. Ainda que não nomeie o “inimigo externo”, o Livro Branco refere-se inúmeras vezes a “uma grande potência” que não é signatária de tratados fundamentais à manutenção da paz no mundo, como por exemplo os que se referem ao desarmamento nuclear. Quem é a “grande potência”? Por um acaso ela se chama Estados Unidos da América?

Senhor General de Brigada, presumo ser afirmativa a resposta à minha primeira pergunta. Então vamos à segunda: o senhor chama a Luiz Carlos Prestes de traidor por ter se tornado dirigente do Partido Comunista do Brasil (e, como o senhor mesmo lembrou, senador da República por este partido), aliado, portanto, da URSS. Se Luiz Carlos Prestes – defensor que foi do desenvolvimento nacional, dos direitos dos trabalhadores, da soberania do Brasil frente às ingerências dos EUA – foi um “traidor”, como o senhor qualificaria o Presidente Dutra, que abriu nossa economia indiscriminadamente aos dólares americanos, gerando desvalorização da nossa moeda nacional e enorme crise financeira? Como admitir a maior quebra de hierarquia militar da história recente do Brasil, a deposição do comandante-em-chefe João Goulart pelos generais golpistas de 1964? Como o senhor qualificaria o endividamento externo sem precedentes gerado pela política irresponsável dos governos militares? Como o senhor qualificaria o confisco na poupança do povo brasileiro no governo Collor? Como o senhor qualificaria o presidente Fernando Henrique Cardoso, que vendeu o patrimônio nacional a grupos estrangeiros e retirou do Brasil o controle sobre recursos estratégicos, além de ter desmontado as forças armadas e avançado em negociações para entregar o controle da Base de Alcântara aos EUA? Estes não são “traidores” da nação?

Senhor General, o senhor afirma ser o Livro Branco da Defesa um passo para a democratização do debate sobre a política de defesa nacional. O senhor afirma que “não há solução militar” para os problemas do mundo (e nesta parte concordo com o senhor e lembro que a Presidenta Dilma disse isso ontem, na Assembleia Geral das Nações Unidas) e que a defesa é apenas uma das múltiplas facetas de uma política de Estado. Mas ao mesmo tempo o senhor nos mostrou slides onde aparecem as “ameaças” para as quais as forças armadas devem se preparar e, o que há nesses slides? Manifestações de civis e movimentos sociais. General: se os civis, se os movimentos sociais, são ameaças à estabilidade do país, como é que poderão fazer parte dos debates sobre política de defesa? Quem, então, poderá tomar parte desse debate? Há, de fato, intenção das forças armadas em ouvir o povo brasileiro sobre questões de defesa ou isso continuará sendo um assunto da caserna? O Livro Branco é apenas uma prestação de contas, uma concessão ao “ministro civil da defesa” e nada mais?

No caso de um conflito assimétrico, General, em uma hipotética invasão da “grande potência do norte” – infinitamente superior ao Brasil em termos de arsenal bélico – como o senhor espera que o povo brasileiro, essa “ameaça em potencial à paz” – conforme a concepção das forças armadas – seja ganho para a ação e confie em seu exército a ponto de colaborar em uma guerra de guerrilha assimétrica em defesa do território brasileiro?

Encerro aqui o bloco de perguntas que teria feito com algumas hipóteses. A primeira é que “democratizar” o debate é muito mais do que publicar um documento com diretrizes: é deixar que o povo trace as diretrizes, é permitir que o legislativo torne-se parte ativa nas decisões sobre defesa nacional. A segunda é que um novo patamar de relacionamento entre as forças armadas e “os civis” passa, antes de tudo, por aceitar que se questione a visão oficial (ou oficiosa?) dos acontecimentos e que se passe a limpo o passado. Isso significa rever o papel que as forças armadas tiveram em nossa história recente, reconhecer que a usurpação, pelos militares, do poder civil foi a maior de todas as traições ao povo brasileiro. Isso sim seria dar um passo em direção ao novo: um Brasil onde assuntos de defesa não sejam sinônimo de questões reservadas aos funcionários de farda.

A “Política Nacional de Defesa” será democrática quando o povo dela se apropriar. Ou não será.

* Mestra em sociologia, cientista social e doutoranda em geografia

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Pantanal do MS: Falta de fiscalização faz ceva de onça virar hábito de turistas

01/10/2014 at 10:14 (*Liberdade e Diversidade)

Onça PintadaMINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL CHEGOU A PEDIR FIM DA ALIMENTAÇÃO DOS ANIMAIS SELVAGENS

O uso da ceva para atrair animais silvestres no Pantanal, com consequências graves em Mato Grosso – onde já ocorreram mortes de pescadores e turistas atacados por onças -, já acontece livremente na porção do bioma em Corumbá,MS, envolvendo embarcações de turismo de pesca esportiva. A Serra do Amolar, ao norte do município, é um dos locais preferidos dessa prática criminosa. Ver reportagem completa sobre o assunto de Silvio Andrade na edição de hoje do jornal “Correio do Estado”. Clique sobre a imagem para ampliar!

http://www.correiodoestado.com.br

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*Comentário do blog: Ceva – Prática criminosa que contribui enormemente para a redução das populações desses animais em áreas de mata e de cerrado nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. Parabéns pela reportagem,Silvio!

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