Sobre as manifestações de rua no Brasil

28/06/2013 at 19:48 (*Liberdade e Diversidade, Hermano de Melo) (, , , , , , , )

Manifestações em São Paulo contra aumento da tarifa

Sobre as manifestações de rua no Brasil
Hermano de Melo*

Diz Giba Um em sua coluna de segunda-feira passada (24/06):”Nesses dias de turbulência, protestos e reivindicações, nunca é demais lembrar que a Constituição Brasileira (1988) garante os seguintes direitos aos brasileiros: educação,saúde,trabalho,moradia,lazer,segurança, previdência social, proteção à maternidade,à infância,e assistência aos desamparados”. Embora não citado pelo colunista, consta ainda como direito do cidadão, “a livre manifestação do pensamento, sendo vedado, porém, o anonimato”.

Manifestação em BH

No entanto, ele deveria ter acrescentado que a mesma Constituição Brasileira que prevê direitos, prevê também deveres para os seus cidadãos e que direitos e deveres não podem andar separados. Afinal, só quando se cumpre com as obrigações se permite que outros exerçam seus direitos. Assim, constituem deveres dos cidadãos brasileiros: “Votar para escolher seus governantes;cumprir as leis;respeitar os direitos sociais de outras pessoas;educar e proteger os semelhantes;proteger a natureza;proteger o patrimônio público e social do País;colaborar com as autoridades”.

Protestos de ontem - PM e criança baleados

Ora, as manifestações que acontecem no Brasil nos últimos dias, e que até o momento levaram para as ruas de diversas cidades brasileiras mais de um milhão de pessoas (cerca de 60 mil só em Campo Grande), embora legítimas no que se refere aos seus anseios, não observam, porém, alguns dos seus deveres. Assim, elas pecam quando se utilizam da liberdade de expressão, mas mantêm o anonimato de seus organizadores – quem são os responsáveis por elas? Quem se responsabiliza por danos humanos e materiais que por ventura elas venham a causar ao patrimônio público?

Por outro lado, a sua pauta de reivindicações é uma verdadeira “salada de frutas”: vai desde a redução da tarifa de ônibus e/ou passe livre, passa pela melhoria da saúde/educação/transporte coletivo, é contra a PEC-37 e a corrupção na política; critica os gastos com a Copa das Confederações e com a Copa de 2014; e vai por aí a fora. Mas a maioria das reivindicações feitas pelos manifestantes são cobradas dos executivos federal, estadual e municipal e do legislativo, mas não de outros setores da sociedade brasileira.

Manifestantes nas ruas de SP 2Na cobrança do passe livre, por exemplo, não se discute o papel das empresas concessionárias de ônibus, trens e metrôs que ficam, na verdade, com a maior parte do filão do transporte coletivo. Além disso, reparem que, em momento algum, há esclarecimento de que estudantes, portadores de deficiência e idosos já têm direito a passe livre em muitas capitais.

Além disso, embora as melhorias na saúde, educação e transporte sejam necessárias e urgentes, elas só podem ser incorporadas ao dia-a-dia do cidadão brasileiro na medida em que a sociedade brasileira evolua em seu conjunto e atenda às reivindicações da totalidade do povo. Nesse sentido, é bom lembrar que nos últimos anos cerca de 30% da população brasileira ascendeu na escala social e saíram do nível de pobreza absoluta.

Manifestação em Campo Grande hojeQuanto à aprovação do Projeto de Emenda Constitucional – PEC-37* – cuja rejeição constitui uma bandeira do movimento atualmente em curso, ela se encontra em tramitação no Congresso Nacional e não depende do Executivo para ser votada e aprovada. Depende apenas do Legislativo.

O que se observa,portanto,é que a crise atual foi criada substancialmente por setores conservadores da sociedade que acordaram e decidiram ir às ruas sem qualquer postura democrática – apesar do verniz popular e ufanista.

*Já rejeitada pelo Congresso Nacional

**Jornalista e Escritor

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2 Comentários

  1. Clarissa Rocha de Melo said,

    Ai pai…também não podemos colocar tudo no mesmo saco, as manifestações tinham grupos engajados e que estão na luta dos movimentos sociais à tempos…oportunistas, rebeldes sem causa, fascistas, sim haviam…mas não podemos desmerecer um movimento desta magnetude! Bjão!!!

    • Jornalismo 2011 UFMS said,

      Sei disso,Filha,mas era preciso colocar alguns pontos nos is. Que não é um movimento de esquerda eu tenho quase a mais completa certeza. A direitona, no entanto,está presente em todas!
      Forte abraço de seu pai,
      Hermano.
      PS. Era preciso abrir as comportas,entende?

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