Loucura? Exagero? Não, é só a estreia de Harry Potter!

Jeff, eu e nossos ingressos para Harry Potter!
Cada um tem um modo diferente de expressar as suas “doidices”. Explico: todos nós fazemos coisas que outros podem achar ridículas, totalmente sem graça ou o cúmulo da esquisitice. Mas o fato é que, quando nós fazemos essas loucuras, não nos achamos ridículos, na verdade, nos achamos o máximo. E foi assim que eu me senti no dia 15 de julho, na estreia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe (UHUUUUL!).
Ingresso comprado dias antes, expectativa enorme para ver o filme que demorou mais do que o esperado para ser lançado e uma alegria boba e inexplicável dentro de mim. Era assim que eu estava na última quarta-feira. E não apenas eu, hein? Uma fila gigantesca não parava de aumentar enquanto eu aguardava ansiosa para entrar na sala do cinema. Por falar em fila…
Eu avisei todo mundo que queria ver o filme na quarta que era melhor comprar o ingresso antecipado, bem antes. E eu também disse que, apesar do filme começar às 15h10, era bom estar lá 13h. Loucura? Exagero? Pode até ser, mas quem chegou, 13h junto comigo entrou primeiro no cinema. Quem chegou atrasado se espremeu no início da fila perto de mim (leia-se Jeff) ou me ligou desesperado implorando “guarde um lugar lá em cima!”. Repito: loucura? Exagero? Não, era só a estreia de Harry Potter!
Se você acha que a loucura foi ficar esperando mais de uma hora na fila é porque não chegamos aos trailers ainda. Devidamente acomodados, na última fileira do cinema – que praticamente fechamos para nós – os trailers começaram. De repente, quando eu menos esperava AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH! Meu maravilhoso Edward Cullen apareceu para me dizer que a continuação de Crepúsculo, Lua Nova, em breve chegará aos cinemas. E eu gritei (não foi só eu!), gritei tanto que, por um segundo, achei que ele pudesse me ouvir. Mas a situação se agravou quando outro personagem, Jacob, o antes menino e cabeludo e agora lobo bonitão apareceu na tela (e sem camisa!). AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH! A essa altura, todo mundo olhava pra mim, alguns davam risadas, outros me olhavam com aquela expressão “Senhor, salve essa garota!”, mas eu nem liguei. Não era loucura nem exagero, era o Edward Cullen!
Como este texto não é mais um sobre a série Crepúsculo, voltamos ao assunto principal: o bruxinho que tem o meu sobrenome e que me ensinou o hábito da leitura. Viu, Harry Potter também é cultura, Adorno! O fato é que, coincidência ou não, eu comecei a ler a série com a mesma idade que o Harry tinha em “A Pedra Filosofal”, 11 aninhos. E eu cresci junto com ele, dentro da história do garoto que foi salvo pelo amor de sua mãe e que, no 6º livro e filme, “O Enigma do Príncipe”, não conseguiu salvar o maior bruxo que já existiu, Dumbledore. É claro que esse mundo de magia só existe em nossa imaginação, mas qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência, como com o personagem mais malvado de todos os tempos, Lord Voldemort, o bruxo que é capaz de cometer qualquer atrocidade em busca do poder, como matar as pessoas que ele julga serem inferiores a sua raça de “sangue-puro”.
E, apesar do filme ter cortado as melhores partes do livro ( como em qualquer outra adaptação) eu sai do cinema tão feliz e extasiada que estou pronta para enfrentar a 1ª parte do 7º e último filme anos que vem (sim, o último filme será dividido em duas partes). Loucura? Exagero? Deixa eu ser feliz gente, é só o Harry Potter!
Ensaio sobre a surdez
Hermano de Melo*

Painel medidor de decibéis em Berlim.
Se o escritor português José Saramago viesse conhecer Bonito e o pantanal sul-mato-grossense e de passagem se hospedasse num hotel de Campo Grande, ele se surpreenderia com as suas largas avenidas, arborização exuberante, ausência de favelas verticais, povo amigo e hospitaleiro, atividades culturais e economia pujante. É possível também que durante a sua estada por aqui ele observasse casos de “cegueira humana” semelhantes aos relatados em seu livro, transformado depois em filme – apesar da abundância de óticas na capital! É provável ainda que ele observasse outro fenômeno muito comum nas grandes metrópoles brasileiras e mundiais atualmente: o excesso de ruídos provenientes de diversas fontes e capazes de ensurdecer a quem mora, trabalha ou transita pelas suas ruas do centro da cidade. Quem sabe ele até escrevesse um ensaio sobre a surdez humana!
Dia desses (10/06/09), uma reportagem do Jornal Nacional da TV Globo mostrou que algumas empresas de ônibus de Belo Horizonte, MG, exigem que motoristas e cobradores cumpram a jornada de trabalho com equipamento de proteção auditiva, por causa da exposição prolongada ao barulho. A medida causou polêmica. Uma fiscal da prefeitura de BH mediu a poluição sonora na avenida movimentada e o equipamento registrou mais de 80 decibéis (dB). E a médica explicou:“Noventa decibéis é um liquidificador ligado na orelha da gente, pode significar perda auditiva na exposição a longo prazo e o excesso de ruído gera estresse psicológico na pessoa, levando à depressão e ansiedade”. O especialista em trânsito criticou a medida, pois “o aparelho impede que o motorista ouça certos ‘ruídos úteis’ como o da sirene de ambulâncias, buzinas ou apito de guardas”. Para o motorista do ônibus, porém, o redutor de ruído não atrapalha dirigir: “Não some o barulho. A gente escuta bem mais suave. Não é aquele barulho que vem e te perturba”. Já o fabricante garante que o protetor pode diminuir o barulho em até 20 decibéis. Mas o médico do trabalho adverte que a medida não justifica o risco:“Ele (o motorista) vai desenvolver perda auditiva. Melhor lançar mão de outros mecanismos ao invés de atenuar a audição dele: redução de carga horária, estudo do trajeto e poupar o trabalhador dessa forma”.
Para o sociólogo e professor da UFRGS, Antonio David Cattani, o barulho é uma das quatro bestas do Apocalipse urbano contemporâneo de Porto Alegre. Para ele, “além de ser uma das cidades mais poluídas do Brasil, a Capital é vítima passiva do barulho crescente e mais de 80% deste provém de veículos automotores com destaque para as motos”. Por outro lado, um estudo recente realizado pela Motorola em doze capitais mundiais, inclusive em São Paulo, mostrou que a poluição sonora nas grandes cidades dificulta as comunicações via celular e que 92% dos paulistanos já tiveram de encerrar uma conversa pelo celular por causa do barulho dos lugares públicos. E, no início deste ano, um comitê científico da Comissão Européia concluiu que “até 10 milhões de consumidores europeus podem estar expostos a danos potenciais de audição a longo prazo, porque ouvem música com o volume elevado durante umas cinco horas por semana, ou uma média de uma hora por dia (útil).”
Mas nem tudo é apocalipse. Em abril do ano passado, a fim de chamar atenção para suas máquinas de lavar mais silenciosas, a AEG Electrolux espalhou grandes painéis em Londres, Madri, Berlim, Bruxelas e Milão, com medidores de decibéis alertando para o alto ruído nas ruas no mundo de hoje. Segundo a empresa, a poluição sonora é causa de pouco sono e fadiga para milhares de pessoas no planeta. Os painéis registram as informações sobre o nível de ruído em tempo real e apresentam as médias de cada local. E fecham a campanha dizendo: “Em um mundo barulhento, eletrodomésticos silenciosos”.
Em Campo Grande, porém, não são apenas os motoristas de ônibus que necessitam de aparelhos redutores de audição, como em BH, mas sim os que residem, trabalham ou transitam no centro da Capital. E não é só o barulho de trânsito que incomoda, mas o ruído abusivo de dezenas de caixas-de-som em frente às lojas, em carros, caminhões e bicicletas, anunciando promoções de lojas, supermercados, celulares, restaurantes, etc., provavelmente acima de 80 decibéis! Onde é que estão os fiscais da Prefeitura de Campo Grande para medir e coibir tais abusos? Não seria talvez o caso de se instalar um painel no centro da cidade com medidores de decibéis a fim de alertar a todos sobre o perigo da poluição sonora? Ou, quem sabe, um “abusômetro”? Em último caso, que tal recorrer à Saramago, hein?
* Escritor e acadêmico de jornalismo.
Artigo publicado no jornal Correio do Estado em 15-07-2009.
Rebeldias
Experimente digitar “rebeldia” no Google.
Os três primeiros resultados da busca remetem diretamente a sites relacionados a adolescentes. O primeiro resultado, “Rebeldia – Psicologia”, é explícito: “De todos os adolescentes são esperados comportamentos rebeldes e a rebeldia já virou, inclusive, sinônimo de adolescência”. Uau! Os outros resultados também são interessantes. “Adolescência: Como tratar a rebeldia normal”. Nossa! O que será rebeldia normal? Existe então uma rebeldia patológica? O terceiro resultado é mais poético: “Adolescente: a rebeldia da alma”. Os demais resultados também são notáveis: “Rebeldia sem causa”, “Protesto”, “Rebeldia” – menção à revolução cubana -, “Flores e rebeldia” (nossa, esse é original), “Jovens, casamento, rebeldia, religião”, “Rebeldia” – esse traz a “legislação, doutrina e jurisprudência da rebeldia” -, “Rebeldia Indomável” (sobre um filme de 1967). Para completar, o google elenca algumas imagens relacionadas ao tema. Mas contentemo-nos com o primeiro resultado da busca.
O texto, do portal Cola Web, defende o “ambiente do adolescente como confuso e conflituoso”, embora saliente que apesar de frequente nesta faixa etária, o comportamento rebelde não é um comportamento próprio de adolescentes e que tudo depende da convivência do jovem com sua família, etc e etc.
Podemos pensar que essa associação rebeldia-juventude é um reducionismo. Que não dá conta da complexidade dessa fase da vida. Mas não podemos negar que a idéia é amplamente difundida. E pude constatar bem isso hoje, deparando-me com dois jovens, bem jovens, rebeldes.
Detesto terminais de transbordo. E tudo o que de certa forma me faça lembrar de ônibus lotados. Mas é forçoso reconhecer que aquele é um lugar especial. Justamente por transbordar pessoas, transbordam também histórias.
Estavam dois pequenos jovens no terminal Bandeirantes. Voltavam da escola e vestiam a já característica farda azul do uniforme dos colégios estaduais. Sabe-se lá por que cargas d’águas os dois resolveram brincar com o interruptor de luz justo quando um senhor para lá de rabugento consertava a fiação elétrica do banheiro do terminal. Não sei se o senhor chegou a levar um choque ou o que mais aconteceu no banheiro. Quando cheguei ao terminal, um dos jovens, o menino, estava levando duras broncas do senhor para lá de rabugento. Ele negava a participação no incidente. Ao seu lado estava uma senhora de vestido lilás. Num primeiro instante, achei que ela estava acompanhando o garoto. Talvez fosse sua vó. Seu ar de espanto e sua disposição por entender o que havia acontecido, além de tentar acalmar o senhor para lá de rabugento, me fizeram ter essa impressão. Mas não. Ela era uma funcionária do terminal. Depois de “compreender” o ocorrido – segundo a ótica do senhor para lá de rabugento, já que o menino não teve tempo nem coragem para se pronunciar – ela também resolveu dar o seu sermão particular. O menino nitidamente envergonhado, apenas negava. E colocava a culpa na menina, sua colega. Ela estava no extremo da plataforma, posicionada na linha de frente, comportamento próprio dos que sabem que os espera um ônibus lotado. Depois de ouvir toda a ladainha de sermões da senhora de lilás e as ameaças do senhor para lá de rabugento (que por duas vezes disse que o levaria até a polícia se fosse preciso e que não estava de brincadeira) ele aproximou-se da colega na linha de frente dos que esperam o ônibus lotado.
Enganou-se quem achou que parou por aí. A senhora voltou instantes depois, apontando os dois, menino e menina, para um motorista que passava por ali. E ameaçou chamar o Conselho Tutelar. Sua fala enjuriada transformou um órgão cuja função é zelar pelos direitos da criança e do adolescente em órgão de punição. Ela dizia: “Conselho Tutelar é para essas coisas”. Ou ainda “Não é por que vocês tem passe que não acontece nada”. Por último escutei um: “O Conselho Tutelar vai chamar os pais de vocês”. Depois de escutar isso, a menina começou a correr atrás do menino tentando acertá-lo com umas boas bordoadas. “Tá vendo o que você fez eu fazer!”, ela falava. O menino corria. Ela ia atrás. O ônibus chegou. E os dois continuaram a pequena dança. Ela desistiu da perseguição. Encaminhou-se para perto do seu ônibus. Que aliás, era o meu ônibus. O menino, não sei onde foi parar. Com ela, teci um ensaio de conversa.
Perguntei o seu nome e idade. Tem apenas 12 anos. Por cima do uniforme inconfundivelmente azul, usava uma blusinha estilizada. Carregava uma bolsinha pequena entulhada de livros. Olhava através da porta. Inquieta. Puxei conversa. Perguntei o que tinha acontecido. Ela não quis falar. Eu falei então o que tinha escutado das reclamações do senhor para lá de rabugento. Ela confirmou. Perguntei afinal quem dos dois apagara a luz. Ela disse: “Primeiro foi ele, depois fui eu”. A carinha tímida não queria me encarar. Mas a cabeça balançou com veemência quando eu falei: “Gente estressada, né?”. Pareceu-me uma menina bem tranquila. Também tranquilo pareceu-me o menino. Traquinagem à toa. Nada de sério. Pelo menos para eles. O senhor para lá de rabugento certamente discorda, caso contrário não pensaria em meter a polícia no meio.
Polícia e jovens são palavras que não combinam. Mas a realidade as associa sempre e sempre. Em ocupações da reitoria ou em sermões de terminal. A fórmula do senso comum deve ser: rebeldia=juventude; rebeldia=caso de polícia, logo, juventude=caso de polícia. Tenho por certa a falsidade das duas últimas assertivas. Mas a primeira… não sei não. Ela tem muito de verdadeira para mim. Tão verdadeira quanto a percepção de que os adultos estão perdendo a capacidade de dialogar. Enquanto aperfeiçoam a arte do resmungar. Exigem das crianças um respeito que eles mesmos não oferecem. Mas sobre isso falamos depois. Voltemos à menina rebelde. O ensaio de conversa não passou disso. Ela sempre com a cabeça baixa, murmurava frases soltas, curtas e diretas. Falei a ela que eu era “jornalista”. Ela soltou uma gostosa e demorada interjeição de surpresa. Para novamente se calar. A rebeldia também é silenciosa. O tempo todo ela como que se apresentava: “Eu sou assim”. Mostrei a ela o livro que eu tinha em mãos: “Nos passos da rebeldia” (livro de 1989, organizado pela Cremilda Medina, composto de narrativas sobre a rebeldia – ou não – do movimento estudantil). Ela só olhou a capa. Talvez tenha se identificado. Talvez não. Logo depois desceu. Sem falar nada. Mas lá fora, liberta, com o ônibus já por partir, voltou-se com um sorriso e me deu tchau.
Ser rebelde é mais ou menos isso. Contrariar as espectativas. Surpreender. Fazer o que ninguém espera que aconteça. Eu acredito que todos os jovens – de qualquer idade – são rebeldes. Mas não essa rebeldia-rótulo, que se faz passar por violência. Por que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Mas são rebeldes. Acredito piamente que os jovens – de qualquer idade – podem mudar o mundo. Justamente pela insubmissão aos padrões latentes. As crianças perguntam muito o porquê das coisas. Os adultos não perguntam nada. Os adolescentes – de qualquer idade – transição entre uma coisa e outra perguntam a todo tempo: “Por que não?”. E é aí que está a beleza dessa coisa toda.
Incomodando e Desacomodando
A vida nos coloca dilemas diários para resolver. A vida é dura. Duríssima. Mas a gente sempre pode piorar. Hoje estou aqui para isso. Para complicar o que já é complicado.
No Jornalismo, isso se acentua de forma exponencial e dramática. Temos que fazer escolhas, pensar rápido, decidir o que vai ou não ser pauta. E para isso, não temos lá muitos critérios. Nos apegamos a conceitos vagos como “isso é importante”, sem pensar no que isso significa, sem pensar no que está em jogo.
Engraçado perceber essa nossa falha justo no momento em que “perdemos” o diploma. Engraçado e triste. Enchemos a boca para falar dos nossos esforços sobrehumanos de estudantes universitários. E na hora H, no dia D, na hora de pagar para ver, na hora de aplicar a teoria na prática… dá tudo errado. Onde erramos?
Passamos tempo demais colocando a culpa nos outros. Agora temos de assumir as nossas responsabilidades. Escolhemos esse curso. Escolhemos calar quando devíamos ter debatido novas idéias. Escolhemos consentir quando devíamos ter reclamado. Escolhemos sair quando devíamos ficar. Escolhemos decorar quando devíamos aprender. Escolhemos mal?
Não creio. Prefiro acreditar que escolhemos entre alternativas válidas, entre o certo e o certo como diria Eugenio Bucci. Escolhemos entre o que nos ofereceram. Mas o que escolheremos fazer com tudo isso? Vamos escolher ficar do mesmo jeito, vamos nos contentar com as migalhas que estão nos sendo oferecidas, vamos escolher ficar do mesmo jeito? Ou vamos nos arriscar a fazer algo diferente?
A demagogia barata que domina o ambiente universitário responde facilmente a esse dilema com a segunda opção. Mas a primeira opção é sem dúvida a mais confortável. A mais fácil. E a escolhemos quase inconscientemente.
Jornalismo é uma coisa difícil. Muito difícil. Os problemas sociais com os quais nos deparamos são extremamente desconcertantes. Quase enlouquecedores. Quase não. Simplesmente enlouquecedores. O que faremos com essa loucura?
Sabemos o que precisa ser feito. Sabemos que muitas pessoas precisam do “bom jornalismo”. Mas estamos prontos para assumir o compromisso com essas pessoas? Estamos aptos a atendê-las?
Será que algum dia faremos o que precisa ser feito? Será que vamos esperar a vida toda por isso? Será que vamos esperar sempre pelos professores ou pelos patrões? Quando vamos parar para tentar responder essas perguntas? Quando vamos parar de fazer essas perguntar e começar a fazer alguma coisa?
Muitas, muitas perguntas. No que isso vai dar? O que adianta tudo isso?
Comentei com o Flávio um dia desses que nunca transformaremos nada com a bunda sentada na cadeira. Seja aqui na frente do computador. Seja na sala de aula. De fato, há nisso uma grande verdade. Objetivamente, não dá para mudar o mundo assim. Mas podemos mudar a nós mesmos. Por isso, nunca devemos nos furtar a discutir. Não podemos pensar que isso não serve para nada. Por que discutindo a gente (se) incomoda. E a partir daí, (nos) desacomodamos (pelo menos é o que acontece quando não está agindo a disfunção narcotizante). De todo modo, o importante não é o que discutimos aqui sentados, mas o que faremos quando levantarmos.