Respeito é bom, e eu gosto
Samyra Yulle Galvão *
Permeado por potencialidades naturais, o Brasil desponta no cenário global. Em meio a crises políticas de seus vizinhos, demonstra sua posição prestigiada como moderador. No entanto, o diálogo ainda não atende às expectativas desta nação. Surgem debates. Mais que adidos militares, mais que diplomacia, requer-se uma participação ativa do Estado. Um Estado que sinta os problemas das nações vizinhas e as ajude. Mas, primordialmente, sinta as necessidades de seu povo e atenda-o.
A facilidade com a qual as informações adentram nossa vida ainda é subtilizada. Como verifiquei em uma aula de Cultura de Massas, o indivíduo coopta, como seu, um discurso veiculado pelos mass media e acredita, piamente, ser “perito” no assunto. E o que é feito por mim e pelos demais brasileiros em relação a este território, sua “mistura fina” de populações, senão apenas pincelar o que acontece e elaborar conclusões precipitadas?
Entre os dias 31 e 5 de setembro de 2008, o Ministério da Defesa promoveu uma experiência ímpar a cadetes, universitários e professores de instituições civis e militares do país. Em pauta, assuntos que envolviam de diplomacia, à qualidade de ensino, lançaram aos participantes um questionamento essencial a qualquer discussão sobre defesa nacional: como ser respeitado pelas demais nações, se não respeitamos a nós mesmos, se não aceitamos idéias divergentes das nossas?
Civis ou militares. Negros, índios, brancos, pardos. Pernambucanos, sul-mato-grossesnses, goianos. Nascidos aqui, ou naturalizados brasileiros. Todos merecem atenção. Todos merecem ser ouvidos. O índio, que reclama suas terras, não pode ser mais estereotipado como um selvagem. Ele não é alheio às mudanças que ocorrem no país, logo, nada mais justo que tenha direito de ser “notado”. Que o Estado não deixe seu trabalho para a vigilância mensal. Que a minha vigilância não seja pelas folhas de um jornal.
Parafraseando o ministro da cultura, Gilberto Gil, em discurso pronunciado na cerimônia de abertura do Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural (Brasília, 27 de junho de 2007) “Mais do que nunca, as populações não querem só o direito elementar à alimentação e à educação básica e massiva, ou o acesso de via única ao que o Estado define como Cultura. Essa multidão quer consumir e produzir de forma diferenciada, quer lazer qualificado e o seu direito de viver com seus sistemas de crenças e valores autônomos, gozando de sua plena liberdade.”
Nesse sentido de diversidade, de novos entraves quanto à pluralidade cultural, é posta em cena mais uma barreira: a liberdade. O poder de escolha que se torna sinônimo de tolerância, que ilude o cidadão quanto o a seu dever ético de igualdade. Não só esta palavra, como também o significado de respeito limitou-se à mesma caracterização. Como na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a diversidade étnica, cultural e racial da humanidade é posta verticalmente, de cima para baixo, do mais civilizado para o menos.
Liberdade, ainda, é o conceito restrito aos livros de Filosofia, que desafia a racionalidade humana ao estabelecer que a minha começa onde a sua termina.
*Acadêmica de Jornalismo da UFMS / 1º Ano
Keyciane disse,
05/10/2008 às 18:52
Samy,
Belo artigo! Realmente, como queremos ser referência internacional quando internamente não aprendemos a respeitar toda a nossa diversidade cultural? Ao ler o seu texto, lembrei o que o Prof° Silvino falou em várias ocasiões: a cultura é dinâmica. O índio de hoje não é o índio de 500 anos atrás. Nós não somos os mesmos. Tudo muda. Tudo diversifica. E, negamos esse direito a vários grupos dentro do território nacional. Além da liberdade de SER, o seu texto também levantou a questão da liberdade de TER. Lembrei daquela música dos Titãs: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte…”. Por que essas coisas, ainda, nos são negadas? Parece que todo o discurso não passa disso. Apesar de tudo, não acredito que a liberdade esteja apenas nos livros de filosofia. Ela está em todos os que a buscam, em todos que se voltam contra esse sistema hipócrita, está em você, está no blog. Busquemos a liberdade. E acreditemos nela, pois “a esperança consegue ver o céu, através das mais densas nuvens”. Parabéns pelo artigo!