A diversidade na expressão de cada dia

03/10/2008 at 20:48 (*Liberdade e Diversidade)

 

Aline Peixoto *

 

O direito à liberdade de expressão é a garantia de que a sociedade esteja protegida do totalitarismo.

Em nosso país, nos é assegurado o direito à comunicação, por meio da Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988, a qual vem sofrendo, desde então, algumas alterações, para que haja maior amplitude e garantias aos nossos direitos.

Contudo, sabemos que, assim como a comunicação está para o ser humano, a diversidade cultural está para o espaço geográfico terrestre. Evidencia-se que para exercemos o direito à comunicação é necessário que saibamos lidar com as divergências, ou estaremos propensos a adotar uma postura radical. Foi o que ocorreu em setembro de 2005, em que um jornalista dinamarquês, no exercício de sua liberdade, produziu uma charge sobre o profeta Maomé, em que este aparecia com um turbante na cabeça, em formato de bomba-relógio. A charge gerou inúmeros problemas. No Islã, qualquer representação de Maomé é proibida. O que para o autor ocidental foi apenas o uso de seus direitos e uma crítica ao desrespeito ao direito à vida; para os mulçumanos, foi um insulto aos seus valores religiosos e, por que não dizer, uma ação altamente conservadora e xenofóbica.

De todo modo, o que procuro não é engessar a liberdade de expressão, atitude tão errônea quanto a de ignorar a diversidade cultural, mas proponho atentarmo-nos de que este direito requer muita perspicácia par ser posto em prática, que o seu uso inadequado incita, ao invés do diálogo democrático, a apologia à violência e discriminação.

Ora, que a liberdade de expressão é essencial para a manutenção da democracia é inegável. Porém, isso não significa que ela não deva possuir algumas restrições, respeitando-se os diferentes contextos culturais, promovendo o convívio social.

A liberdade nos dá asas, mais para voar, carecemos de técnica.

 

Acadêmica do curso de Jornalismo UFMS / 1º. Ano

 

3 Comentários

  1. Keyciane disse,

    É, Aline… que liberdade de expressão queremos? É tão delicada essa questão… Não podemos falar tudo que vem à cabeça. Nem tudo o que achamos que é verdade. Temos que saber se realmente é assim.
    Só vou registrar algumas coisas que li a respeito e que seu artigo me lembrou:
    -Há algum tempo, lendo a bíblia, descobri que “a palavra que sair da minha boca não voltará para mim vazia, antes fará o que apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Isaías, 55:11).
    -Bem mais recentemente, li na revista do Rubens, acerca do pensamento de Sartre, que “todo agir implica na construção de si mesmo e da humanidade. Assim, a responsabilidade é inevitável. Escolhemos como se toda a humanidade escolhesse conosco, como se pudéssemos servir de exemplo a todos os humanos”. Não estamos sozinhos. Temos, querendo ou não, que levar outras pessoas em consideração, e respeitar a liberdade delas…
    -Em tempos mais remotos, fiquei sabendo que um psicoterapeuta brasileiro (autor de “Liberdade Possível” e “Dificuldades do amor: estudo sobre o comportamento amoroso”, este último tem na biblioteca, caso interesse a alguém) chamado Flávio Gikovate disse certa vez: “Liberdade não é agir dessa ou daquela forma. Liberdade é o equilíbrio entre o pensamento e a conduta”.
    Parabéns pelo artigo!

  2. Jovana Somensi disse,

    Ter liberdade implica ser livre. Livre para conhecer e livre para ser ignorante. Cada tipo de inteligência julga o que convém, e que espaço as asas podem ocupar… =]

    Jovana Somensi – acadêmica do terceiro ano de Jornalismo/UFMS! ahahaha

  3. Thaysa disse,

    Tão complicado esse choque entre culturas não é? Tão delicado…
    Há que se respeitar a falta de liberdade oriental, mas como eles resistem a nos respeitar, não é mesmo? Se por lá é proibido qualquer representação de Maomé, por aqui não… e se eu quisesse fazer uma charge do senhorio aí, nu? Eles mandariam me matar?
    Se bem que… vamos fazer um jogo e testar até onde vai nossa liberdade? Alguém aqui se arriscaria a desenhar um Jesus travestido de mulher? Ou gay? Ou fazendo sexo? Será que todo mundo olharia e pensaria: “Nossa! Que criativo!” ou então “Eu nao gostei… está difamando minha religião, mas… o autor tem o direito, não é? Ele é livre…”

    Du-vi-do! Dou minha cara a tapa, sem medo de apanhar!

    Ah! Adorei a parte: “A liberdade nos dá asas, mas, para voar, carecemos de técnica.”

    Beijinhos

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